quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Subsídios a ex-políticos

Não fazendo naturalmente parte dos beneficiados, nem me lembrando de ninguém amigo que esteja nessas condições, devo dizer - e sei que isto não é mesmo nada popular - que estou perfeitamente de acordo com a medida hoje aprovada na Assembleia da República, relativa à reposição dos subsídios a ex-políticos, a serem concedidos sob determinadas condições.
 
E fico chocado que, tanto no PS como no PSD, haja quem ache que "não é oportuno" repor esta medida. É com reações destas, medrosas e demagógicas, é pagando mal aos deputados e aos ministros que, progressivamente, vamos aviltando a condição dos eleitos e dos servidores da causa pública, criando pasto para o ambiente da sua diabolização, gerando progressivamente um terreno cívico em que os melhores se afastam da política, fartos de serem agredidos no dia a dia, sujeitos a um escrutínio que às vezes raia o miserabilismo, que alguma comunicação social faz gala em agravar.

Não alinho minimamente na vaga de opinião segundo a qual a palavra "políticos" deve ter um sentido negativo e que os políticos portugueses são piores que os outros. Não acho que "são todos iguais", que são "um bando de gatunos a viver à nossa custa", uma "cambada de inúteis".
 
Este discurso - fácil, demagógico e populista - é que põe em causa a democracia, não é a compensação dada a cidadãos que passaram anos da sua vida ao serviço da causa pública, muitos deles perdendo anos nas suas profissões, em muitos casos podendo nelas ter uma vida bem mais confortável.

20 comentários:

Lourenço disse...

Meu Caro.

O PS precisa urgentemente de se distanciar desta direita radical nesta e noutras matérias, não o fazendo está a dar razão aqueles que dizem (e são muitos) que apenas a retórica os diferencia.Votar a favor desta proposta é mais um prego na credibilidade de António Costa.

Anónimo disse...

Senhor Embaixador, concordo mas já vamos tarde. A política em Portugal está entregue, há muito tempo, aos piores e aos mais fracos. Por culpa exclusiva dos melhores que se afastaram ou não têm qualquer encanto pela causa pública e pela política. Medidas destas só fazem com que os melhores se orgulhem de nunca terem entrado para a política. No meu círculo de amigos, aqueles muitos poucos que se dedicam à política são precisamente aqueles que sempre se destacaram pela mediocridade, facilitismo e por serem maus alunos. Não é uma curiosidade, julgo ser mesmo a regra e que explica o péssimo cenário político que temos em Portugal....Os políticos ganham pouco mas, atendendo ao nível dos que lá estão, até ganham demais.

Antonio Cristovao disse...

A ideia de que ir para a política é uma forma de ter boas compensações é um erro crasso que nos tem custado e vai continuar a custar grandes dissabores. A gestão deve estar separada da política ou vice versa. Ainda me recordo dos argumentos do pai da democracia que deviamos ter um parlamento bem pago para ficar imune. Sim patrão, o resultado é uma vergonhosa promiscuidade com interesses paralelos logo na feitura das leis - e não é por falta de indicações concretas que os eleitores não tomam conhecimento.

Anónimo disse...

Está tudo muito bem, mas aprovar esta medida numa altura em que se mantêm cortes nas pensões e vencimentos e com o ordenado mínimo abaixo do limear da pobreza, é gozar com as pessoas.

Carlos Fonseca disse...

"Este discurso (...) é que põe em causa a democracia, não é a compensação dada a cidadãos que passaram anos da sua vida ao serviço da causa pública, muitos deles perdendo anos nas suas profissões".

O sr. embaixador acha mesmo que foram muitos os que perderam anos nas suas profissões (sendo que alguns nem profissão tiveram antes, como sabe. A não ser que fazer carreira nas juventudes partidárias seja profissão)?

E qual será percentagem dos deputados que nos últimos 30 anos exerceram o cargo em regime de "absoluta" exclusividade?

Numa coisa concordo consigo: se nos ativermos apenas aos vencimentos, mesmo incluindo as regalias correspondentes aos cargos, estão mal pagos. Sucede, porém, que (especialmente no que se refere aos governantes uma grande parte está apenas a semear, para colher quando abandonar a política activa. Aqui, a excepção é a regra.

Exemplos não faltam.

Portugalredecouvertes disse...


Sr. Embaixador também penso que os esforços/sacrifícios para superar a crise deveriam ser partilhados por todos

boa noite
Angela

Anónimo disse...

Benfica e Porto casados. Filho, Duque.

Ps e Psd, união de facto. Zé Povinho a arder.

Às armas.

Da Silva.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Caríssimo Francisco

Já saiu o Crónicas das minhas teclas e até já tenho o primeiro exemplar. Estou feliz; depois da trabalheira e confusões, o parto foi sem dor…

Amanhã, como é natural, vai ter um...

Abç

jmc disse...

Se são tão mal pagos, porquê tanta preocupação em distribuir os "jobs for the boys" e porque é que se atropelam esses "boys" ao chegar-se à frente aquando da distribuição dos lugares?

Anónimo disse...

Mas porque Diabo é que se põe a defender coisas destas (sobretudo numa altura como a que vivemos)! Homem, não tem razão nenhuma. Vem aqui limpar a honra daqueles que irão beneficiar dessa medida? Por amor de Deus (acreditando Nele)!
Convém sublinhar que eles, os tais beneficiados desta medida, não fizeram descontos para tal, ao que ouvimos.
Mas, seja como for, o PS, se quer ser governo em finais de 2015, tem de se preocupar com outro tipo de questões – muito mais importantes e sensíveis, do ponto de vista social, financeiro e económico do que estas.
Confesso-me desiludido com isto. Porquê? Porque, talvez, no essencial, pouco separa o PS do PSD. O que é uma pena.
Quanto à abstenção do CDS ainda é pior. O cinismo aviltante daquele Partido (de Paulo Portas) tem uma explicação, como aquela que ouvi hoje na TV e bem: sabendo que o PS e PSD se iriam juntar para votar esta proposta, o CDS abster-se-ia para poder mostrar hoje e sobretudo amanhã, por ocasião da campanha eleitoral (pela boca manhosa do Paulo Portas), que o seu dele Portas CDS é um Partido impoluto. Quem não o conheça que o compre! O Rei da Demagogia!
Mas, voltando a esta questão, o PS perdeu uma boa oportunidade para mostar que não faz parte dos “esquemas” políticos.
Quanto à imagem dos mesmos, deixemo-nos de lérias: os políticos são, genericamente, muito maus! Ponto! Traficam influências, através dos seus escritórios de advogados, de consultores económicos, de empresas onde trabalham, envolvem-se em casos de corrupção, directa ou indirectamente, têm ligações perigosas à Banca, saltam de um Ministério para uma empresa que tutelaram, enfim, a coisa tem conspurcação que chegue!
Têm um má imagem? Pois têm e merecidamente! Porque deram o flanco, puseram-se a jeito! Não tenho pena deles. Nenhuma!
Tempos houve em que era possível sentar no mesmo governo PS e PSD, estou a pensar por exemplo no Prof. Mota Pinto com Mário Soares. Já não há gente como Mota Pinto e outros de então, no PSD. Nem gente como Zenha e outros, no PS. Ou seja, como governantes. Há, sim, mas fora da esfera governamental.
Voltando ao Post, aquilo que foi aprovado não o deveria ter sido, tendo em conta o sofrimento socio-economio de muitos. Passem pelos túneis de Lisboa, onde os "sem abrigo" dormem. E são cada vez mais! O PM e outros do PS que vão lá fazer-lhes uma visita!
Tiago Ferreira

iseixas disse...

Tadinhos...

Nesta fase e neste enquadramento talvez fosse mais oportuno instituir coimas exemplares a quem se serve e ou serviu da causa pública para obter dividendos.

Anónimo disse...

Simples, caro Embaixador,
se são tão bons e tão mal pagos, pedimos o favor aos exmos que deixem seus lugarzinhos na política e procurem melhor, se disso forem capazes!

Joaquim Tavares disse...

Neste post mistura - talvez porque lhe seja conveniente - dois temas que só aparentemente estão relacionados.
Uma coisa é o discurso populista anti-partidos e anti-classe política, outra bem diferente é a decisão que eu considero lamentável de repôr as subvenções vitalícias para os ex-titulares de cargos políticos.
Leio as redes sociais e constato que quem mais está indignado com esta decisão absurda são precisamente os que, como eu, apoiaram António Costa nas primárias do PS. Estou em desacordo porque esta subvenção foi atribuída a quem não contribui para ela, ao contrário das centenas de milhares de pensionistas que vão manter as suas pensões reduzidas. Exactamente por ser considerada injusta é que o governo do PS, em 2005, decidiu acabar com ela. Estou em desacordo porque a suspensão só se aplicava aos beneficiários que possuiem rendimentos superiores a 2000 euros mensais, ao contrário dos mais de 110 mil idosos que deixaram de receber o complemento solidário por terem rendimentos mensais superiores a 400 euros.
Estou em desacordo porque a medida nem sequer foi assumida com frontalidade e honestidade pelas direcções dos dois partidos. Foi encontrado um subterfugio medroso de a propor com iniciativa individual de dois deputado, para minorar os riscos eleitorais. Para quem enche a boca com a necessidade de defender a dignidade da classe política, não está nada mal.
Sou contra o populismo anti-partidos e anti-políticos e até posso concordar que deveriam ser melhor remunerados - tal como as operadores de supermercados e as centenas de milhares de portugueses que vivem com salários abaixo da linha de subsistência. Mas a decisão de hoje no parlamento revolta-me. Pelo contexto, pelo momento e pela injustiça relativa que representa.
Além de tudo o mais é um monumental erro político de António Costa, que provavelmente lhe vai custar a maioria absoluta. Se tem dúvidas basta deitar os olhos ao comentários dos seus apoiantes nas redes sociais.

P.S.: A Ana Drago e o Rui Tavares é que não deviam estar a contar com este brinde.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Anónimo das 23.38: porque "me ponho" a defender isto? Porque é assim que penso, porque não estou preso a agendas eleitorais nem a amanhãs políticos que venham a cantar, porque este é o meu direito de opinião. Tão simples como isso!

Anónimo disse...

Não me diga que defende subvenções para aqueles que colocaram Portugal na desgraça em que está? Que apesar de ganharem ordenados modestos na AR conseguiram sempre fazer os seus negócios noutras instâncias ou mesmo quando saíram da AR. E onde está o brio de servir a causa pública? Foram para a AR porque quiseram. Ninguém foi obrigado. Receberam um ordenado enquanto lá estiveram. Qual a razão de uma subvenção vitalícia??? O mesmo se aplica aos PR. Porque razão os havemos de sustentar???

opjj disse...

V.Exª. sabe que, quem corre por gosto não cansa.
Faz-me lembrar a guerra dos polícias. Se é assim tão mau, pq procuram tal? Li que concorreram 14500 para polícias havendo 400 vagas.Só vai quem quer.
Concordo para quem precisa da subvenção, é esse o fim para que foi criado.Protecção.Concordo com Sócrates.
Cumps.

Anónimo disse...

Concordo em absoluto com o post. Só lamento que entre os proponentes da medida se encontre José Lelo, o mais digno representante no PS (existem lelos em todos os partidos) da política rasca, fonte da demagogia reinante.
Aplicaria este comentário à reação, também ela demagógica, à intenção da RTP comprar jogos de futebol; à TV privada interessa uma RTP falida e sem espetadores.
O que nos falta são pessoas que não condicionem as suas decisões às reações mais ou menos iradas que as "redes sociais" permitem.

David Caldeira

Isabel Seixas disse...


Presumo que a próxima proposta será
Subsídios a:

ex-combatentes pela pátria e país Portugal;

às famílias dos bombeiros mortos em combate de fogos

Aos maiores embaixadores de Portugal no mundo, Lisboa, Praias algarvias,
Camões, Pessoa,Amália, Eusébio, Saramago,Cristiano, Mourinho, Marisa,Zeca Afonso, vinho do porto, pasteis de belém, Pasteis de Chaves...
Aos pobres E por aí

Manuel do Edmundo-Filho disse...

Já ninguém se lembra que a extinção das subvenções foi uma medida tomada por Sócrates. Mas não deve este facto condicionar a opinião dos que são socialistas ou próximos (como é o meu caso - é mais saudável que cada assuma o que é). Era o que faltava. Como muito bem diz o sr. embaixador, "é o meu direito de opinião" que está em causa. e a minha opinião é contrária à do embaixador. Ao invés, já comungo de toda a formulação em que assenta opinião do embaixador. Mas o caminho não pode ser este. A subvenção é um conceito que já está contaminado pela demagogia que, como bem refere, pulula pelo País e pelos jornais. Sugere que aqueles que a obtêm "vivem à custa do estado" imerecidamente. A solução é pagar melhor, bem melhor, aos políticos. Só assim a política poderá atrair aqueles são bons nas mais diversas áreas, os mais capazes, os melhores. E como o país precisa dos mais capazes! Nos anos de Abril os melhores estavam todos lá, na política. Hoje, é quase um deserto. E se antes era a paixão pela democracia, pelas ideias transformadoras, que atraía os melhores hoje, passada essa euforia, só um salário condigno os poderá atrair. Faço uma pergunta simples: se um gestor de uma empresa privada é muito bem pago, por que razão um gestor da coisa pública o não há-de ser?
Mas, Sr. embaixador, tendo em conta o contexto em que os portugueses hoje vivem (em que vencimentos, pensões e progressões na carreira, depois de terem sido substancialmente reduzidos, estão congelados, não é oportuno repor subvenções nem rever, como eu sustento, a remuneração dos políticos.

Carlos Fonseca disse...

Desta vez o juízo (ou o medo?) entrou na cabeça dos deputados. Mas as consequências do erro podem ser devastadoras. Sobretudo para o PS.

Por outro lado, a intervenção do BE pode ter rendido alguns votos.