sábado, 1 de novembro de 2014

Público & privado

Na sequência de um comentário colocado pelo "Feliciano da Mata" no post sobre a corrupção, sinto-me tentado a aqui colocar algumas ideias em forma simples.
 
Parece-me incontroverso que, para a sua economia crescer, Portugal precisa de mais investimento produtivo. Português ou estrangeiro. Há duas espécies de investimento: o público e o privado. (Bom, também há o privado que, afinal, é público - o chinês -, mas essa é apenas uma originalidade). Nos próximos anos, por via da impossibilidade de recurso a mais défice do Estado, o investimento público que nos resta são, na prática, os fundos europeus. É muito pouco. Por isso, para o país crescer, é necessário captar mais investimento privado que induza produção (para poder exportar), mais empregos e que gere lucros que seja possível tributar, para ajudar à receita orçamental para a execução das políticas públicas. E, também, para ajudar a pagarmos a dívida, porque somos gente de bem.
 
Para captar esse investimento privado - e há um difícil "mercado" internacional nesta matéria -, Portugal necessita de se posicionar melhor em determinadas insuficiências em áreas em que, em geral, os investidores atentam: fiscalidade, burocracia, corrupção e um conjunto muito variado de outros custos de contexto que é forçoso diminuir, e que sempre condicionam o destino desse dinheiro que por aí anda e que todos querem ver investido nos seus países. Contrariamente ao que alguns julgam (e temem), não é no mercado de trabalho e na sua flexibilidade que está hoje o "calcanhar de aquiles" da economia portuguesa. Se há, por exemplo. uma importante variável que os investidores estrangeiros nos apontam como essencial que evolua, esse é o (mau) funcionamento da nossa Justiça. 
 
Quero com isto dizer que diabolizar, como por aí se vê todos os dias, a ação das empresas e dos empresários privados pode fazer muito bem a um certo exorcismo esquerdista, a uma espécie de vingança histórica sobre a derrota das ideias que propugnavam por uma sociedade maioritariamente assente na economia pública. Essa sociedade acabou, não é reconstituível e o que há que garantir é que, num contexto de economia privada que é hoje, por muito que alguns não gostem, "the name of the game", são plenamente respeitados os direitos sociais das pessoas (na presunção de que os restantes estão protegidos), é assegurada uma sólida "safety net" pública (e não caritativa) para os excluídos da roda da sorte, são garantidos sistemas de previdência, de saúde e de ensino públicos, universais e de qualidade, isto é, é mantida uma forte e solidária rede de políticas públicas, com forte pendor social. 
 
Dito isto, isto é, que a dimensão do setor público da economia não tem condições de prevalecer, já não concordo com quantos defendem uma redução do Estado a uma função minimalista, uma espécie de "regulador", na ideia (salvífica e falsa) de que o mercado resolverá tudo. Não resolve, como já se viu e bem. Como também não resolve a ideia de privatizar "a eito" tudo aquilo que for público, por preconceito ideológico e liberalismo cego, não atentando ao seu valor estratégico para os interesses comuns do país. Por muitos anos que viva, nunca vou esquecer a "garantia" dada por alguém responsável a um grupo de empresários estrangeiros interessado em investir em Portugal (e, naturalmente, só revelo isto porque foi dito em público e sem qualquer pedido de reserva): "no final do atual processo de privatizações, o Estado não ficará com nada que dê lucro". 

21 comentários:

Anónimo disse...

diabolizar "a ação das empresas e dos empresários privados pode fazer muito bem a um certo exorcismo esquerdista".

A esquerda que ataca a acção das empresas e de empresários privados ataca um conjunto deles bem definidos, não tendo eu dúvidas nenhumas de que o restante tecido económico e empresarial estaria muito mais bem defendido e promovido se fossem esses partido a estar no poder.

Salgados e Soares dos Santos (os diabolizados) não estão entre o tipo de privado que se deva valorizar se se quiser um crescimento sustentável da economia do país, e isso por muito que possam cooptar tenores.

Francisco Seixas da Costa disse...

Este post tem um "truque": é saber quem está disponível para abordar seriamente a sua metade inicial sem se embrenhar, com facilidade e gozo, na sua segunda parte. Experimentem!

Alcipe disse...

Portanto pensas que a intervenção do Estado na economia foi chão que deu uvas e que o capital privado, face a rentabilidade exponencial hoje das aplicações financeiras especulativas, vai de bom coração e altruísmo inteiro investir em força na economia produtiva? Como dizia o Feliciano: Fia-te na Virgem...

a) Alcipe

Francisco Seixas da Costa disse...

Penso o que escrevi, Alcipe. O que não acredito é que os amanhãs estatais cantem preferencialmente.

Francisco Seixas da Costa disse...

E, Alcipe, ninguém disse que o capital tem bom coração ou é altruísta. O capital quer reproduzir-se, quer ganhar dinheiro, quer ter lucros, quer acumular vantagens. É essa a sua lógica.

Francisco Seixas da Costa disse...

Ó Alcipe! Eu tinha-me esquecido que escreveste "A Misericórdia dos Mercados"! Desculpa lá!

patricio branco disse...

Novo investimento estrangeiro em Portugal deve ter havido muito pouco, a não ser especulativo, comprar quarteirões em Lisboa, ou participações accionistas, mas o produtivo deve ter sido mínimo. A concorrência internacional é enorme e perdemos em atracção.
O funcionamento da justiça e a insegurança e falta de estabilidade legais, a burocracia e as regras que estão sempre a mudar, tambem contam.
Portugal deve de facto ser pouco atractivo, exceptuando o turismo, agricultura em que ainda há muito a fazer e certos nichos industriais.
As exportações são nmuito importantes, mas o consumo interno não é menos.

Joaquim de Freitas disse...

A falha no raciocínio do Senhor Embaixador consiste no facto que ainda considera que o modelo económico vigente na maioria dos países permite respeitar os pontos essenciais que mencionou:

- Cito : " são plenamente respeitados os direitos sociais das pessoas (na presunção de que os restantes estão protegidos), é assegurada uma sólida "safety net" pública (e não caritativa) para os excluídos da roda da sorte, são garantidos sistemas de previdência, de saúde e de ensino públicos, universais e de qualidade, isto é, é mantida uma forte e solidária rede de políticas públicas, com forte pendor social ".

Ora é isto precisamente que é recusado pelos investidores privados. O social é a "bête noire" do capitalismo e justifica o êxodo dos investidores para os países de baixo custo de mão de obra , nos quais não existem leis sociais que protegem os trabalhadores.

Quando o poder político não tem o poder necessário para manter o equilíbrio entre o trabalho e o capital, chegamos à situação dos Americanos, pelos menos de 47 milhões dentre eles, que não têm precisamente o mínimo necessário para os proteger .
E isto no pais de Adam Smith, que dizia que o poder politico tem o dever de impor que cada um beneficie da prosperidade obtida nas actividades comerciais.

Estou bem de acordo que o mercado não pode resolver tudo no plano social. Mas é que ele não quer, e talvez não seja essa a sua função. Por isso mesmo é que o poder politico deve ser forte para poder fazer o necessário ajustamento.

Se a concorrência provocada pela globalização e pela desregulação das economias nacionais tornou praticamente obsoletas as organizações sindicais, e a desindustrialização lhes retirou o poder de reivindicação, e portanto de redução da injustiça social, por isso mesmo é que o poder politico deve ser forte para poder fazer o necessário ajustamento.

Senão, Senhor Embaixador, caminhamos para um mundo no qual a desigualdade será a marca do XXI° século , e à desigualdade entre as nações assistiremos à desigualdade como fatalidade no seio mesmo das nações. Veremos mais a desigualdade em frente da nossa porta que a 10 000 km .

Quando escreve: " diabolizar a acção das empresas e dos empresários privados pode fazer muito bem a um certo exorcismo esquerdista ," é esquecer que tudo o que o mundo do trabalho obteve do mundo do capital não foi obtido doutra maneira que pela confrontação, o que prova bem que as empresas, isto é o capitalismo, nunca cedeu nada sem combate.

Aliás, pergunto a mim mesmo se a mutação do capitalismo investidor e criador de riqueza , em capitalismo especulador criando dinheiro a partir do dinheiro, sem criar, sem produzir nada à passagem, não vai necessitar "bientôt'" dos exorcistas esquerdistas , sobretudo quando sabemos que de facto, o capitalismo já não dispõe de mais países para conquistar : Ele conquistou o mundo inteiro. Estará assim condenado a criar dinheiro com dinheiro;

Anónimo disse...

Senhor Embaixador, não há truques. Qualquer escrito publicado deixa imediatamente de nos pertencer.

De cada postado tira o leitor o que lhe interessa e não o que o autor queria que ele tirasse.

De contrário, tínhamos de andar sempre com o autor atrás para nos explicar onde queria chegar.

Já viu a chatice numa livraria? Um tipo ia pagar o seu livro e ainda tinham de o acondicionar a si no saco?

Anónimo disse...

Apetece-me citar algo de um post dos ladrões de Bicicleta acerca de amanhãs que cantem:

“Em 1974, 1976, 1980, era proibido a qualquer pessoa que não fosse desse setor dizer que eles [PCP e BE] tinham razão. Eu acho que eles têm razão”, disse Freitas do Amaral esta semana, defendendo a nacionalização de 1/3 da PT para assegurar o controlo público de uma empresa considerada vital para o desenvolvimento tecnológico do país."

ARD disse...




A convicção de que a forma de organização das relações sociais, laborais e económicas que é a actualmente dominante, é perene e é a mais racional, é uma completa ilusão.

A derrota histórica do modelo soviético ajudou a consolidar a ideologia dominante é a convicção de que uma alteração completa das relações de produção deixou de ser possível. Essa ideia foi, no fundo, traduzida, na euforia do descalabro do Bloco de Leste, pela fukuiamada do "fim da História".

Mas, na verdade, perante a constatação de que o chamado "campo socialista" falhou, a pergunta a fazer é: tem o capitalismo a possibilidade ou sequer a vontade de resolver os problemas que o socialismo não conseguiu resolver?

A questão central, só aparentemente encerrada com a derrota do pervertido modelo soviético, é se se mantém ou não as contradições do sistema capitalismo e se deixou de existir uma perspectiva antitética em ralação a ele.

Ora, o que realmente está em causa não são essas contradições do desenvolvimento capitalista - que são evidentes - mas o que delas resultará. Isto é, se o previsível aprofundamento das sucessivas crises do sistema pode ou não dar-se o "aparecimento" de uma ordem social totalmente diversa.

No seu actual estádio, o capitalismo assumiu a forma da ultra-financeirização, a tradução prática da ideologia ultra-neo-liberal. Não há qualquer indício de que a sociedade capitalista possa recuar e moderar a irracionalidade dos chamados "mercados" que deixaram de ser controláveis e, como o monstro de Frankenstein ou um Aprendiz de Feiticeiro, ganhou vida própria e deixou de ser controlável pelos seus "criadores".

Por isso, ao contrário do que sugeres no post, é não só possível como é razoável e eticamente defensável a luta contra os detentores do poder (com "p" minúsculo) e contra os seus lucros abusivos.

Claro que, saída de uma derrota, a esquerda tem ainda um longo caminho a percorrer antes de poder derrotar, por sua vez, o sistema de produção capitalismo. Terá, por exemplo, que redefinir o próprio socialismo, os seus valores e os seus objectivos e reformulando as formas de desenvolvimento da democracia quer no plano da organização social quer no da economia.

A qualquer outra posição, ao abandono da esperança e à aceitação da inevitabilidade da exploração e da obscenidade das desigualdades, dava-se, nos bons velhos tempos, o feio nome de capitulacionismo.

É uma atitude que não te assaco.



Achas que abordei seriamente a metade inicial do post sem me embrenhar, com facilidade e gozo, na sua segunda parte.

Anónimo disse...

A questão, parece-me, é não haver verdadeiro investimento, no caso estrangeiro, desde há muitos anos, em Portugal. Que estrangeiros comprem a EDP, a Fidelidade e, eventualmente, a PT e o Novo Banco, não é investimento produtivo, não cria riqueza nem emprego. O que sucede é a simples mudança de proprietário da riqueza e da produção já existente.

José Neto

Alcipe disse...

O problema é que, ao contrário da fábula de Mandeville e da mão invisível de Smith o mercado não regula o capitalismo nem sequer na defesa dos seus próprios interesses: se é mais rentável investir num fundo financeiro habilidoso do que numa empresa produtiva, o racional economicamente é fazê-lo - mas a financiarização absoluta que daqui decorre mata o próprio capitalismo. Ah, mas isso digo eu que sou um poeta pateta, que não conhece a visão estratégica extraordinária dos nossos gestores e empresários…

a) Alcipe

Francisco Seixas da Costa disse...

Ninguém te chamou poeta pateta... Mas, já agora, diz-me lá como "resolves" o orçamento de 2016...

Adelino Ferreira disse...

Joaquim de Freitas
Adam Smith era escocês e não norte-americano.

Alcipe disse...

Como é que resolvo o orçamento de 2016? Muito simplesmente, Cortando ao máximo na despesa, reduzindo o peso do Estado e dando muitas benesses fiscais às grandes empresas, porque as pequenas não querem investir, por pura birra. Depois as grandes também não investem, porque têm que distribuir tudo em dividendos, é chato, claro, mas o que farias tu no lugar deles ? Isto tem sido um sucesso na Europa toda, o Mundo inteiro está rendido e agradecido à política europeia e se é certo que agora está tudo em recessão vais ver os amanhãs a cantar e o futuro radioso… Isto é que é realismo!

a) Alcipe

Defreitas disse...

O Senhor Adelino Ferreira tem razão: Adam Smith era Escocês. As minhas desculpas.

Alcipe disse...

O que eu quiz dizer foi só que o investimento público faz falta, porque esperar desviar os biliões que andam pelos fundos financeiros para a economia real e produtiva só com incentivos fiscais às empresas e baixa de salários e prestações sociais, não dá. Diz-se isso pela OCDE, disse-me o mesmo um governador de um banco alemão, que não se dedica propriamente à Poesia. Mas eu sou apenas um pobre homem da Alsácia…

a) Alcipe

Joaquim de Freitas disse...

ARD escreveu:

" Claro que, saída de uma derrota, a esquerda tem ainda um longo caminho a percorrer antes de poder derrotar, por sua vez, o sistema de produção capitalismo. Terá, por exemplo, que redefinir o próprio socialismo, os seus valores e os seus objectivos e reformulando as formas de desenvolvimento da democracia quer no plano da organização social quer no da economia."

Excelente comentário, Senhor ARD. Não conheço exactamente a situação do partido socialista em Portugal. Não conheço todos os actores. Mas duma coisa estou certo: é que é preciso detectar a falsa esquerda, lendo-lhe o famoso discurso de François Hollande no Bourget:

" Vou-vos dizer quem é o meu adversário, o meu verdadeiro adversário. Não tem nome, não tem cara, não tem partido, e não apresentará nunca a sua candidatura e entretanto ele governa. Este adversário, é o mundo da finança."

Depois é preciso vê-lo em Atenas, já Presidente, em Fevereiro 2014, numa reunião com o MEDEF francês (Sindicato Patronal) e o seu homologo grego para participar à partilha, entre abutres, das privatizações em curso na Grécia.

Numa U.E sobreexcitada, drogada pelo euro, "overdoseada" pelas elucubrações do economista Francis Fukuyama, agarram as rédeas do pais, passam-nas aos banqueiros para que estes vendam os serviços públicos e os bens comuns; terrenos, água, caminhos-de-ferro, gás, aeroportos, edifícios ministeriais, energia, obras culturais, e mais ainda...

Os partidos socialistas devem escolher entre o liberalismo e a defesa do bem comum.

Sobre a questão económica, a esquerda está ideologicamente dividida em dois grupos: aqueles que querem uma regulação - radical ou não - do capitalismo, e aqueles que querem a sua ultrapassagem e a prazo a sua desaparição. Aparentemente as duas posições parecem inconciliáveis.

A esquerda tem a responsabilidade de detectar as vias "potencialmente revolucionárias" dum futuro diferente , ou "post-capitalismo" ( a crise do capitalismo estando já no presente) , pois que não me parece que o mercado e os seus mecanismos possam desaparecer, mas poderão ser conservados sendo radicalmente transformados.

Algo deverá acontecer num futuro próximo, uma espécie de revolução, senão será cada vez mais difícil de se demarcar para se afirmar de esquerda.

Esta revolução seria na visão do trabalho que deverá declinar-se numa nova visão do valor que não seja financeiro, do desenvolvimento do homem e das suas competências, da actividade profissional e pessoal. Traduzido daria : o serviço, a qualidade, a inovação, a interactividade, a informação, o crescimento medido em valor, a inteligência colectiva, com uma formação ambiciosa que faria trabalhadores mais bem formados, qualificados e polivalentes. E ao lado do tempo do trabalho, o tempo de actividade pessoal, social, cultural.

Um passeio pela Noruega permite de antever o que poderia ser a sociedade de amanhã, onde a ultrapassagem do sector mercantil na qualidade da vida é um facto.

E que bela ambição para a esquerda , que de tomar o comando desta evolução.

Joaquim de Freitas disse...

Ao Senhor Alcipe

Orçamento de 2016 ? Não conheço o Português, mas conheço o Francês. Sofrem da mesma doença: não são "nacionais" , não correspondem às necessidades que só os povos desses países conhecem.

Para os estabelecer, os governos negociam, não com os Parlamentos respectivos - dos quais é a razão de ser histórica - aplicar os impostos - mas com Bruxelas, oficialmente; e com Berlim, mais "oficiosamente". Claro que não é a primeira vez que os orçamentos se encontram sob a pressão da UE. Mas agora, banalizou-se: as decisões políticas mais importantes são subordinadas ao estrangeiro!

Neste aspecto orçamental, esbocei um sorriso de tristeza ao ver o Ministro da Economia e o do Orçamento Franceses, , deslocarem-se a Berlim para vender à Frau Merkel o seu orçamento, baseado num esforço de economias e de investimento, ao qual a Alemanha deve dar o seu apoio e o ...exemplo.

Só que, Madame Merkel entende que tudo isso é muito bem, mas os investimentos estruturais pedidos pelos Franceses seriam públicos, e Wolfgang Schauble , que como o outro Wolfgang conhece bem essa música, não gosta, e respondeu que farão o memo esforço na Alemanha, mas os investimentos serão privados. Maneira de os mandar mais uma vez às favas.

Não sei qual é o "esforçozinho" pedido aos Portugueses. Mas aos Franceses, pedem para ultrapassar os 21 mil milhões de economias já previstos, porque isso não chega! E reformas estruturais ao mesmo tempo.

Quase cómico, o Ministro da Economia, socialista saído do seio do Banco Rotshchild, propõe de aumentar a concorrência, que dará uma baixa dos preços, e por ricochete... uma "relance" da economia! No momento onde o espectro da deflação espreita ! O que quer dizer que reforçar a concorrência nas farmácias, vender certos medicamentos nos supermercados e mesmo pela Internet, e "tant pis" se as oficinas licenciam ao mesmo tempo, resolverá o problema...

Assim aparece o quadro entusiasmante desenhado pelo estado de espírito de Bruxelas: estagnação (no melhor dos casos) da actividade económica, concorrência e desregulação aumentadas, "flexibilização" do Código do trabalho – liberalizar o trabalho ao domingo e à noite, com um esforço do diálogo social para explicar tudo isso.

Claro, dialogo social, o antídoto sonhado pelos poderosos perante o espectro que os atormenta secretamente: a revolta social.
Um espectro que poderia bem tornar-se realidade.

Joaquim de Freitas disse...

Ainda ao Senhor Alcipe:

Não se é um pobre homem na Alsácia quando se aprecia a ...choucroute e o "cochon. Sobretudo se é Poeta!

«Car tout est bon en toi : chair, graisse, muscle, tripe !
«On t’aime galantine, on t’adore boudin…»
Poème qui se termine ainsi :
«Adorable cochon ! Animal roi ! – Cher ange !»
Ou la choucroute :
«Et pourquoi pas ? Bien macérée,
Avec des grains de poivre rond,
Pour mainte poitrine altérée,
Elle est un solide éperon.»
Et il compose même sa future épitaphe :
«Versez sur ma mémoire chère
Quelques larmes de Chambertin
Et sur ma tombe solitaire
Plantez des soles… au gratin.»


Uma violinista profissional tocou tantas vezes a sinfonia espanhola de Lalo que a desgostou da "paella" e agora só come "choucroute" para mudar de ideias.

E se digere mal, conheço lá para os lados de Ilhaeusem, une "Auberge" que pode substituir facilmente a "choucroute". Levei lá varias vezes os meus clientes de Peugeot - Mulhouse.

A Gastronomia é a alegria de todas as situações e de todas as idades. Dà a beleza e o espírito, a mansidão e a galanteria.