terça-feira, 11 de novembro de 2014

Os escribas do bago


A possibilidade de Isabel dos Santos vir a adquirir a PT fez subitamente emergir, na nossa imprensa, uma classe agora muito em voga (e a preços baixos): os escribas "do bago".
 
Leiam-se algumas das ácidas diatribes editadas nos últimos dias contra a iniciativa da filha do presidente angolano, num claro reflexo de outros interesses, alguns dos quais há muito combatem as incursões angolanas pelos nossos meios empresariais. No outro extremo de opinião, apreciem-se alguns dos que incensam essa salvífica intervenção lusófona, como se fosse a pátria que, através dela, se regenerasse.
 
Eles, esses escribas "do bago", estão hoje um pouco por toda a parte, neste tempo em que mandar bitaites sobre negócios empresariais é de bom tom e em que fazer análises serenas e ponderadas sobre as vantagens/desvantagens de certos investimentos, com raras exceções, parece ter passado já de moda. Qual é a minha opinião sobre a iniciativa de Isabel dos Santos? Não tenho ou, como dizia a outra, "sei lá!" 
 
Termino apenas com um conselho: olhem para a composição do capital das empresas de comunicação social, vejam as posições que tomam e "façam as contas". É tão simples...

7 comentários:

Anónimo disse...

Curioso é que se não comente aqui neste blogue o paraíso fiscal que é o Luxemburgo e as respostas evasivas e nada convincentes de Juncker.
Passar a bola para a Comissária da Concorrência sob pretexto que não deseja interferir e não lhe deseja retirar graus de liberdade é de uma profunda hipocrisia.
A resposta veio à noite através de um sound bite publicado no EU Observer oriundo provavelmente da própria Entourage de Juncker: afinal a Holanda também era permissiva em matéria fiscal e o Luxemburgo estava afinal em boa companhia?
Esperemos apenas pela próxima crise financeira mais aguda para ver que Juncker não tem fibra e não é capaz de gerir momentos difíceis.

Anónimo disse...

Ah, Senhor Embaixador, se eu não estivesse com este mandato de captura em cima de mim ( agora que já apanharam os culpados e já puseram o Citius a funcionar, o tal mandato voltou a aparecer e não tenho mesmo outra solução que não seja ir para o Luxemburgo ) eu contava-lhe, eu contava-lhe…

a) Feliciano da Mata. leutzenburger, Esch-sur-Alzette

Joaquim de Freitas disse...

Recapitalizar Portugal a partir das colónias já não é a primeira vez! Foi o que fez o Império a partir de 1500. A grande diferença é que nos séculos passados só uma minoria de Portugueses beneficiava dessas riquezas: O Rei, a Nobreza e a Igreja. Hoje, as riquezas já não sao nossas, mas é uma minoria também que beneficia de tudo: os homens do sistema, os generais, e os homens de negócios mas o povo das colónias continua como há cinco séculos: na miséria, talvez mesmo ainda mais negra que antes.

Que a filha do Presidente seja a mulher mais rica da África não muda o destino da plebe negra. Em todas as antigas colónias africanas o panorama é idêntico. Que eles falem francês, português ou inglês, as mesmas elites formadas pelos colonizadores de ontem não são mais generosos. São magníficos estes arautos do "socialismo" democrático, como chamam ao sistema .

Que Compaoré, do Burkina Faso, após 27 anos de poder, os bolsos cheios, empurrado pelo povo, se retire nas suas propriedades da Suíça ou de algures, em Angola, hà outro presidente que já lá está há 34 anos mas pensa que ainda é jovem demais para abandonar o poder. Entretanto a filha continua a "faire son marché"! Quando se possui 2 500 milhões de euros, há pano para mangas!

Mas o Senhor Embaixador tem razão: Um investimento é um investimento. Alguém vai retirar benefícios . O Vaticano tem 35 000 contas de estrangeiros "investidores" nos bancos do Vaticano, das quais 3500 seriam investimentos duvidosos, incluindo os da Mafia. O papa Francisco, aliás, procura pôr um pouco de ordem .. nos investimentos.

Que o dinheiro seja adquirido através do crime ou da exploração dos povos, o resultado é o mesmo.

Hoje apanhei o RER da linha A para regressar à Gare de Lyon, em Paris. Ao meu lado, uma bela mulher africana vestida com um traje tradicional. Perguntei-lhe o pais de origem dum tal traje: o Mali.

Porque é que as metrópoles europeias estão cheias de africanas e africanos com olhos desvairados, sorriso contrito, desamparados, mendigando pobremente, vendendo "babioles" e fugindo desde que a policia aparece no horizonte, trabalhando como escravos, vassoura ou a pá na mão, procurando algo nos caixotes do lixo, por trás do restaurante?
Que desespero, incomensurável pôde empurrar estes seres admiráveis fora da pátria ensolarada , que apreciam tanto, para os empurrar para os caminhos do exílio cheios de perigos sob a ponte Mirabeau?

Que pena que não possam ver na vossa TV a reportagem nas minas de COLTAM , no Kivu, RDC, esse metal raro que serve para fazer os acumuladores dos nossos telefones e televisores Apple, Nikon, Sony, Nokia, Ericsson. São sobretudo crianças que trabalham nessas túneis da morte, por 35 euros por semana, e dois mortos por mês!

Se querem combater as seitas religiosas integristas na África, e querem impedir os Africanos de perseguir na Europa as riquezas que lhes roubamos , que construam fábricas na África, em vez de comprar companhias de telefone... no Brasil.

Helena Sacadura Cabral disse...

Feliciano mande os mandatos às urtigas e conte. Conte tudo.
O que eu dava para saber dessas histórias do Golungo Alto!

Helena Sacadura Cabral disse...

Francisco
Cá por coisas já tinha feito umas continhas e o resultado é ...

Anónimo disse...

Concordo com o anónimo sobre a questão Juncker/Luxemburgo. Na verdade, em tempos, foi aqui elogiada a personagem, hoje presidente da Comissão. Talvez por isso. Juncker então PM foi um traste, pactuando com a evasão fiscal em grande escala. Depois mais tarde veio falar de combate à coisa e hoje está sentado onde sabemos. A UE cheira a peixe podre. E por falar em peixe, convem não esquecer que o mesmo apodrece pela cabeça. No caso o da Presidência da C.E.

Anónimo disse...

Se Portugal já transferiu no passado a sua capital para o Rio porque não haverá hoje de o fazer para Luanda?

Sobre os silêncios à volta de Juncker o ainda mais perturbante é o do próprio Parlamento Europeu que está calado que nem um rato. Mas como diz Paulo Casaca foi o bloco central europeu que o lá pôs.