quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Carnaval

 
Aquele jovem empresário, homem de "boas" famílias, era um deslumbrado: muito dado "ao social", adorava as colunas da então "Olá" e o ensejo a estar presente em ocasiões oficiais. Um dia, conseguiu um convite para ir "ao café", num jantar de Estado na Ajuda, uma espécie de "terminação" para aqueles a quem não saía a "sorte grande" de obterem um lugar à mesa da refeição.

Deu-se então conta de que não tinha nenhuma condecoração com que pudesse alindar a vistosa casaca que alugou para a ocasião. Achou que isso lhe dava um ar de "pelintra". E teve uma ideia: havia lá por casa uma condecoração elevada, que, em tempos, um presidente da República dera ao seu pai. Decidiu-se a usá-la. Ficava-lhe "a matar"!

Já nos corredores do palácio, teve o azar de dar de caras com o chefe do Protocolo de Estado, homem sabedor das grandes honrarias cerimoniais, pessoa conhecida da sua família. Num segundo, lembrou-se logo de que o diplomata, seguramente, não iria acreditar que ele pudesse ser o possuidor daquela comenda. Num acesso de prudência, o nosso homem entendeu então que seria melhor "abrir o jogo" e confessar que trouxera uma condecoração "da família", mas que não lhe pertencia.

O chefe do Protocolo, olhou-o, severo, e retoquiu simplesmente: "Não faz mal! Assim como assim, já falta pouco tempo para o Carnaval..."

4 comentários:

Isabel Seixas disse...

Ah, despudorada fogueira de vaidades
a crepitar sem diferença de género
hum... jogos de cintura e frivolidades
num palco tão permissivo como austero

Efémero o sonho de um olhar carente
a suplicar atenção às plumas da alma
que procura?Que perdeu? Que verdade lhe mente?
que vitória a da derrota que não acalma...

jogo de espelhos e ilusão de ótica
escondem a névoa com botões de punho
protocolos induzem a perfeita cópia
fato e gravata encorpados num rascunho...


Ah abençoada a fogueira de vaidades
que nos embala em etéreas liberdades...


Isabel Seixas in Espólio



Anónimo disse...

este artigo é uma maravilha

http://internacional.elpais.com/internacional/2014/11/25/actualidad/1416933892_350974.html

...

cumprimentos

Anónimo disse...

O dito cujo ter-se-ia lembrado da Fábula do Lobo Mau: "se não foste tu foi o teu pai". eheheheh

Anónimo disse...


Salvo uma ou outra discrepância, associo esta personagem a alguém que tem estado na berra nestes últimos tempos, que não olha(va) a meios para atingir os fins.
Abraço
Zé Maria