sábado, 22 de novembro de 2014

A tragédia dos jornais

É em dias como este, em que a notícia que faz a manchete chega num momento que já não permite mudar sequer a primeira página (com uma exceção jubilosa), que se espelha a tragédia da imprensa escrita. Os jornais de hoje (com a capa da tal exceção jubilosa) já são jornais de ontem. Mesmo o "Expresso", que, nas suas quatro décadas de existência, tantas vezes viveu das "caixas" como a que agora lhe teria dado a glória, surgirá, no seu saco, a cheirar à vésperas.
 
Hoje vai ser o dia de glória das televisões, do fim das folgas dos comentadores, da análise dos especialistas, das palavras medidas ao milímetro dos políticos mais responsáveis, das proclamações de fé no trabalho da justiça ("à política o que é da política, à justiça o que é da justiça", dirá algum mais inspirado), do cinismo de uns, da tática de outros, da alegria de muitos, da tristeza de outros tantos. Assim vamos.  

10 comentários:

luis barreiro disse...

Colocou o dedo no ponto realmente importante.

Anónimo disse...

lembrei-me com isto daquela pratica da fleet Street das primeiras paginas decoy que se faziam nos jornais londres para engodar a concorrência e evitar que um scoop fosse roubado... :)

JRyder

Anónimo disse...

Pessoalmente, passo bem com as tragédias intimas dos jornais e afins. O que verdadeiramente me preocupa é a degradação da República que eles fomentam, enquanto testas de ferro de interesses obscuros ou simplesmente como instrumentos da ignorância, voyerismo, má-fé, ou, ainda, tranpolins para a promoção pessoal de "justiceiros" que tudo têm feito para transformar a ideia de Estado de Direito numa palhaçada, mandando prender quem recebe presentes de robalos ou garrafas de tinto. Por critérios assim, a quantas perpétuas poderia ser condenado um Embaixador ? :)

ManuelRocha

Anónimo disse...

Triste país este onde um ex-primeiro-ministro é detido para esclarecer onde obteve dinheiro para comprar um apartamento no estrangeiro. Sócrates tem o direito à presunção de inocência, mas é uma vergonha que ele se deixe enredar nesta teia. Tem que se seguir sempre o exemplo da mulher de César. A imagem de Portugal este ano vai estar pelas ruas da amargura.

Anónimo disse...

Tristeza
Revolta
Incredulidade
Freeport
Rosário Teixeira
Detenção de Ricardo Salgado
Crítica de Sócrates
Represália
Sócrates detido à chegada
Vinha para fugir?!
Outra vez Rosário Teixeira?!
É o prolongamento do Freeport?!
Mas que estúpido! Porque não imitou Felgueiras e Vale e Azevedo?!...

No meio desta confusão na minha cabeça, tenho que concluir: Não acredito, não é possível acreditar, é um tremendo erro da justiça portuguesa.

Anónimo disse...

Vi a noticia em primeira hora esta madrugada. Vi o fundamentalismo dos média numa disputa de quem é que consegue amarrar mais “clientela”. Vi um operador difundir repetitivamente, ao longo de dezenas de minutos, a cena de um carro que dizia transportar o personagem. Vi alguns comentadores tirar da cartola pombos brancos, pretos e até cor de rosa.
Hoje, desde que vi a luz do dia até ao momento, não me liguei mais ao mundo das tvs, das net’s e dos papers, por estar saturado deste “teatro” dos fazedores de opinião, cada um trabalhando para o seu interesse e muitos trabalhando para o vazio. A única maneira de evitar depressões e angustias é desligar deste maquiavélico mundo mediático.

CelMai

Joaquim de Freitas disse...

Entre a justiça e a política existe uma longa tradição de dependência. Ou pelo menos existem relações de força tensas entre a justiça e os seus governantes que confirma a leitura dos média de hoje.

Na realidade, podemos constatar a presença de dois golpes de Estado permanentes e recíprocos, o da justiça contra o poder, e o da opinião pública contra a sua justiça.

E como muito bem escreve, a especificidade inesperada, como critério da matéria judiciária, é aparição do poder mediático.

Após a " comunicação política" vai nascer a "comunicação jurídica", misturando processo penal, estratégia de defesa e comunicação de massa. Gabinetes especializados tirarão as lições de jurisprudências abortadas.

Todos os dias se constata, por toda a parte, uma recrudescência dos processos económico políticos.
Pela mesma razão, a penalização do mundo político vai conhecer um crescimento exponencial.

Com a emergência dos juízes superstars, procuradores que se inquietam de não serem formados à comunicação, lá onde os advogados se esgrimam desde há muito, o direito politico forçará a passagem do "Estado submetido ao direito" ao "Estado dominado pelo direito" até ao seu paroxismo.

Claro que não conheço exactamente o dossier Socrates, e o que vou escrever não tem nada a ver com o seu caso, salvo num aspecto: o papel dos média na "mise à mort" do homem político.

Recordo, entretanto, que anos atrás, um Primeiro Ministro socialista Francês, Pierre Bourgovoy , antigo operário metalúrgico, que se içou a esse posto graças ao ascensor politico, amigo e ministro dum governo de François Mitterrand, foi levado pela pressão mediática ao suicídio.

Os média, "les chiens ", como disse Mitterrand no seu discurso fúnebre, não o largaram mais, quando souberam que o ministro tinha pedido e obtido um empréstimo privado dum amigo comum de Mitterrand para comprar um apartamento em Paris. Este empréstimo foi concedido a 0% de juros e era reembolsado a prestações pelo próprio.

Os média fizeram o amalgama do "socialista" , do "ministro" e do "negócio". O ministro era socialista e homem honesto. Não suportou o "processo" de intenção e suicidou-se.

Um responsável político da esquerda tem, aos olhos do povo, mais responsabilidade nos seus actos que alguém do campo oposto. Deve ser irrepreensível.

A direita, todos sabemos, é o mundo conservador que não se preocupa do social, que não tem a sensibilidade da miséria do mundo, mesmo se ela é directamente responsável, que não pretende construir um mundo melhor para "todos", se isso significa "partilha". A direita trata dos seus negócios e não tem escrúpulos em dizê-lo.

Por isso um socialista não pode fazer negócios. E se os faz, respeitando a presunção de inocência, deve saber que num Estado de direito deve pagar .

Seria um bom sinal se a Justiça em Portugal acordasse um dia independente. E que a mesma Justiça se aplique a todos.

margarida disse...

Assim temos que ir.

Isabel Seixas disse...

Curioso, eu diria a Bonança e a Boa Ventura dos jornais...

Anónimo disse...

Os Chineses queixam-se de ter sido enganados - ora, alguns dos que participam em vários foruns que por aí há , enganaram os "ricos" Chineses? - eu não fui - mas alguém foi.

Um caso para o Patilhas e Ventoinhas descobrir.

Zé da Adega