terça-feira, 10 de setembro de 2013

Discutir

Aqui há uns anos, num almoço em casa de um colega, a conversa, com outro convidado, resvalou para o terreno político. Eu tinha responsabilidades de governo por esses tempos e senti-me provocado com algo que ele disse - e não faço já a mais leve ideia do que foi. Irritei-me e julgo que fui longe demais, não apenas na argumentação utilizada, mas, especialmente, no tom que assumi. No dia seguinte, telefonei ao dono da casa a desculpar-me, tendo este, com simpática benevolência, desvalorizado o assunto.

Ontem, li num jornal que o meu interlocutor dessa conversa polémica morreu. Ele não estava totalmente inocente no tocante ao rumo que a nossa discussão teve. Mas, ao ler a notícia da sua morte, senti pena por nunca lhe ter dado uma palavra sobre o assunto.

11 comentários:

Helena Oneto disse...

Aconteceu o mesmo comigo e não tinha responsabilidades vis-à-vis de nada nem ninguém. Que de mim. Ainda hoje tenho remorsos.

Isabel Seixas disse...

Difícil lidar com essa tipologia de sentimentos.Na maioria das situações só cada um ouve o eco, o som é a melodia das sensibilidades...

Joaquim De Freitas disse...

Seria o fim do debate de ideias se escutássemos sempre a razão. Respeitamos a razão, mas não podemos abandonar as nossas paixões. Porque estas fazem parte do nosso ser. E, enfim, quem nos garante que as paixões dos outros valem mais que as nossas ?
De qualquer maneira, a vida é em si mesma um combate de todos os instantes.

patricio branco disse...

não há que ter remorsos, a vida é assim, tambem temos o direito de nos entusiasmarmos e afinal a morte não desculpa tudo.
possivelmente o amigo tambem não falou nunca a lamentar a polemica tida em casa alheia.
falar ao dono da casa sim foi suficiente, isto penso eu, claro, outros pensarão diverso...

Anónimo disse...

Compreendo-o perfeitamente.
Quantas vezes nos é mais penoso arcar com o remorso das nossas omissões para com os outros do que das acções menos felizes que involuntariamente tenhamos tido!

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Francisco
Sempre tive perante a morte uma posição de respeito, por ela ser o fim. E nem todos sabemos - podemos - ter um fim digno.
Mortes recentes evidenciaram algo de que ainda me não tinha apercebido: a morte tornou-se banal. Só o não é quando se trata dos nossos. Mas disso, ninguém se dá conta!

opjj disse...

Há uns Domingos numa homilia dizia o padre;
o tempo que nós temos é um periodo de 100 anos.(excepção ao meu Pai, 107).
Para quê quezílias!
BH

Anónimo disse...

A morte é talvez das coisas mais interessantes desta nossa época. Por ser considerada uma derrota, face aos progressos da ciência, tenta-se sempre não a enfrentar. Não sei se não será a primeira vez na História da humanidade que isto acomtece mas é no entanto pouco natural, em vista de que todos iremos morrer um dia.

Anónimo disse...

Lido por aí:

OS FATOS HISTÓRICOS ESTÃO REGISTADOS !!!

Sabem que, na bancarrota do final do Século XIX que se seguiu ao ultimato Inglês de 1890, foram tomadas algumas medidas de redução das despesas que ainda não vi, nesta conjuntura, e que passo a citar:
A Casa Real reduziu as suas despesas em 20%; Não vi a Presidência da República fazer algo de semelhante.
Os Deputados ficaram sem vencimentos e tinham apenas direito a utilizar gratuitamente os transportes públicos do Estado (na época comboios e navios); também não vi ainda nada de semelhante na actual conjuntura nem nas anteriores do Século XX.
RAZÃO PELA QUAL OS PAÍSES DO NORTE DA EUROPA ESTÃO A FICAR CANSADOS DE SUBSIDIAR OS PAÍSES DO SUL.
Governo Português:
3 Governos (continente e ilhas)
333 deputados (continente e ilhas)
308 câmaras
4259 freguesias
1770 vereadores
30.000 carros
40.000(?) Fundações, Observatórios e Associações
500 assessores em Belém
1284 serviços e institutos públicos
Para a Assembleia da República Portuguesa ter um número de deputados "per capita" equivalentes à Alemanha, teria de reduzir o seu número em mais de 50%
Portugal não tem capacidade para criar riqueza PARA toda esta gente !
É por estas e por outras que Portugal
é o país da Europa em que se verificam os maiores desníveis de salários e o maior peso da burocracia pública na economia fruto do "monstro" , originado na década de noventa !

Alexandre

Anónimo disse...

Alexandre, é "faCto" que se escreve (com ou sem AO). A menos que se esteja a referir a alguma exposição de roupas que fizeram história...

Há vinte aos (ou mais, sei lá), que se anda a explicar isto às pessoas e ainda não entenderam...

Joaquim De Freitas disse...

Pois que o tema derivou, podemos acrescentar:


Alemanha: 189 generais
Brasil: 100 generais
Espanha. 28 generais
EUA: 31 generais
França: 55 generais
Inglaterra: 3 generais
Noruega: 1 general
Portugal: 238 generais
Suécia: 1 general