sexta-feira, 7 de outubro de 2011

João Crisóstomo

Conheci-o há cerca de uma década, em Nova Iorque.

João Crisóstomo é uma personalidade que tem dedicado grande parte da sua vida a dar a conhecer a figura de Aristides Sousa Mendes, o cônsul em Bordéus que, durante a segunda guerra mundial, emitiu, contra a vontade do governo salazarista, vistos de entrada em Portugal que permitiram salvar a vida a milhares de judeus e pessoas que fugiam à invasão nazi da França.

Sousa Mendes, por esse ato de desobediência cívica, foi perseguido pelo regime ditatorial, demitido da função pública, tendo acabado a sua vida em muito precárias condições financeiras. Ironicamente, em certos documentos internacionais, o regime salazarista chegou a ser elogiado por ter "permitido" esse acolhimento de refugiados, pelo qual puniu um seu servidor. E, para cúmulo, por esse mesmo motivo, Salazar chegou mesmo a ser proposto para a dignidade de "justo entre os justos"...

Há dias, tive o gosto de receber João Crisóstomo em Paris. Com o entusiasmo de sempre, falou-me dos seus projetos. Perguntei-lhe por que razão a casa de Aristides Sousa Mendes em Cabanas de Viriato, que Jaime Gama tanto se empenhou em colocar à disposição da respetiva Fundação, permanece em ruínas. Muitos estrangeiros que aí rumam, numa peregrinação de homenagem a essa figura ética, vão-me dando conta da sua desagradável surpresa em verem o edifício cada vez mais degradado, fruto de um incompreensível desleixo. E não deixam, de forma muitas vezes inquisitiva, de apontar o dedo às autoridades portuguesas - que não têm, na metéria, a menor responsabilidade.

O modo discreto como João Crisóstomo se referiu ao assunto, procurando não acicatar feridas mas sem resposta concreta para a questão colocada, suscitou-me alguma inquietação. Neste tempo em que as fundações são sujeitas a um escrutínio mais apertado, talvez não viesse mal ao mundo, bem pelo contrário!, se se pudesse "pôr em pratos" limpos o que se passa com a Fundação Aristides Sousa Mendes.

10 comentários:

Anónimo disse...

Sou natural do concelho de Carregal do Sal (Cabanas de Viriato)e é uma dor de alma ver a Casa do Passal naquele estado. Até as letras do nome de ASM caiem uma a uma e ninguém liga a isso... de facto: o que se passa? Boa pergunta!

Daniel Ribeiro

Isabel Seixas disse...

Pois , pode ser que o Seu perguntar seja um impulsionar para uma resposta resolutiva, na reabilitação, às vezes a morte surge no desinteresse e indiferença.

Portugalredecouvertes disse...

Bom dia Sr.Embaixador
este é um assunto que gostaria de colocar no meu blog em breve, acho importante relembrar as pessoas de coragem quando nos dias de hoje só se dão créditos a quem acumula dinheiro

assim tenho lido o site em francês que fala da vida desse embaixador
extraodinário!
até tem lá um video do filme
que se deixe em ruinas a casa onde viveu e que acolheu tantos refugiados, não dá para entender

Anónimo disse...

Senhor Embaixador

A minha Mãe nasceu em Cabanas de Viriato no ano de 1912 .Foi muito novinha para casa do Sr Dr Cesar irmão gemeo do Dr .Aristides ,como criada dos meninos e conviveu muito com a Familia Sousa Mendes .Os testemunhos que eu ouvi sobre o Sr Dr .Aristides eram de um Homen Bom e de Grande Nobreza ,não mereceu o fim que teve e o desrespeito á sua Memoria .

Obrigada Senhor Embaixador por tocar neste assunto .

Carlota Joaquina

Anónimo disse...

ouvi ja o argumento que salazar punira sousa mendes apenas para acalmar hitler, que nao estaria nada contente com o que havia feito o consul de bordeus.
nao sei se e facil criticar a posicao de salazar , nao tera sido facil manter portugal fora da guerra. certamente nao foi um justo dos justos. mas a sua estrategia permitiu-nos ter as reservas de ouro que hoje temos.
isto, claro, nada tem que ver com o acto superior de sousa mendes.

Fernando Frazão disse...

Perdoem-me o Sr. Embaixador e os leitores e comentadores deste blog que acompanho "não diariamente", por este comentário não ter anda a ver com João Crisóstomo, cidadão pelo qual tenho o maior respeito e consideração, mas no dia em que a França ganhou brilhantemente à Inglaterra no RWC como se vive em, por aí, o facto?
Este comentário tem dois motivos. O primeiro foi o de ter revisto os seus posts debaixo da etiqueta Desporto e não ter encontrado um único sobre Rugby. O outro foi o de ter a felicidade de ter estado em Lyon em 2007 para assistir ao encontro entre os Lobos e os All Blacks e ter verificado o que já sabia, o gosto dos franceses pela modalidade que rivaliza, sobretudo em determinadas áreas, com o futebol e ainda o acolhimento extrordinário que a nossa selecção teve bem como os seus adeptos. passear em Lyon com o cachecol da selecção significou um mar de amabilidade.
Reafirmando as minhas desculpas pelo atrevimento, sobretudo por violar algumas regras não escritas da blogoesfera Quer pronunciar-se sobre o assunto ?

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Fernando Frazão: peço desculpa se o que vou dizer o pode chocar (e vai, com certeza, chocar o meu querido amigo João Paulo Bessa), mas eu nem sequer sabia que havia um jogo de rugby entre a França e a Inglaterra, modalidade desportiva que me mobiliza apenas um pouco mais que um jogo de berlinde...

Anónimo disse...

Não sei porquê mas tudo quanto diz respeito ao Cônsul Dr. Aristides de Sousa Mendes parece sempre envolto em mistérios. É curioso.

Julia Macias-Valet disse...

Caro senhor embaixador, permita-me responder a Fernado Frazao acerca do ambiente (rugby) que se vive por aqui...

Caro Fernando Frazao, o ambiente é este :

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=10150346812134461&set=pu.351433659460&type=1&theater

: ))))

Fernando Frazão disse...

Em primeiro lugar quero felicitar a Julia pela bela gargalhada que me proporcionou com a foto do galo transformado em roastfeef.
Depois, Sr. Embaixador, o também meu amigo João Paulo que esteve comigo em Lyon em 2007 não lhe vai perdoar isto.
Já agora em jeito de penitencia visite o blog do João Paulo cujo url é http://xvcontraxv.blogspot.com/ e já agora este post http://timanel.blogspot.com/2011/09/joao-paulo-bessa.html