quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Grafitti

Está no "l'air du temps" de certa intelectualidade modernaça aceitar a livre prática do "grafitti", dando-lhe dignidade de expressão artística e afirmando o dever de tolerância perante esses selváticos atentados de poluição visual. Como absolvição de todos esses atos, mostram-se escassos exemplos em que esse tipo de pintura anima, por uns meses, a fachada de alguns prédios abandonados.

O presidente da Câmara do Porto, num ato de meridiano bom senso, decidiu dar ordens à polícia municipal para tentar punir os responsáveis por estes atos. Como não podia deixar de ser, logo surgiram vozes libertárias a reclamar o direito dessa gandulagem à livre "expressão" nas paredes dos outros. Será que esses paladinos da liberdade seriam tão afirmativos se as portas das suas casas tivessem o mesmo destino das que a fotografia mostra?

28 comentários:

zamotanaiv disse...

Se nem numa tela, quanto mais nas paredes!
Demonstra-se o gosto requintado da nossa juventude; o contacto que tem com coisas bonitas.
É como um prolongamento do zapping e da publicidade com que somos bombardeados a toda a hora.
Eu também proibiría todos os mupis da cidade.

Anónimo disse...

Senhor embaixador, se passar pelo centro de Lisboa depara com centenas e centenas de prédios totalmente degradados, sem habitantes, com paredes numa desgraça - seria melhor que alguém ao menos os pintasse, os grafiti seriam benvindos certamente...Um exemplo, logo a seguir à rua das Portas de Santo Antão, sobe-se nessa rua paralela à avenida da Liberdade e o que se vê é horroroso

Valdemar disse...

Penso que sim.

Se alguns mostram também uma certa relutância pelo asseio pessoal, porque haviam de dar importância ao asseio da própria habitação?

Anónimo disse...

andavam zelosos os policias do funchal em busca de... graffittis.

Anónimo disse...

Caro Senhor Embaixador, é no mínimo curioso verificar como os graffitis são interpretados em cada sociedade. Em Londres, por exemplo, vêm-se muitos mas sempre em prédios degradados e desabitados cujo destino é a demolição ou reconstrução. O graffiti é uma forma de arte reconhecida há mais de duas décadas e muito apreciada nesta cidade (e outras tantas, por este mundo fora), a ponto de se fazer negócio com eles, como é o caso das intervenções do Bansky. Em Portugal, os grafitti existentes na Fontes Pereira do Melo, foram premiados internacionalmente e sua autoria dois brasileiros, e referenciados no jornal "The Guardian". Dito isto, o que efectivamente me choca é a falta criatividade dos nossos jovens, o desleixo de muitos proprietários, e ausência de apoios e incentivos por parte da classe política, quer através da criação de espaços próprios para este tipo de manifestações e acções de sensibilização nos bairros mais carenciados, etc. E só para acabar, acho lamentável que se persiga jovens em vez de lhes dar oportunidades, que se persiga jovens em vez de criminosos, que se persiga os jovens em vez de os apoiar, pois uma verdadeira sociedade "desenvolvida" é aquela que zela pela sua juventude. Monica

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
Num país onde os alunos batem nos professores, quando não os seus pais, o que é que se pode esperar?
Julgo que o conceito de liberdade tem alguma responsabilidade nisto tudo.
Os alunos, há uns anos, mostraram os rabetes nus ao mundo. Hoje os professores reclamam, passeando-se em pelota nas ruas. Qual a diferença entre uns e outros? Só a idade...

cunha ribeiro disse...

" Num país onde os alunos batem nos professores...".
Excelente farpa caríssima Helena Sacadura Cabral.

Comungo da indignação do Sr Embaixador. Aliás, mesmo Paris - essa cidade mágica e inesquecível - já foi um lugar mais agradável à vista, antes da graffittagem, ou graffittite, como quiserem.

Anónimo disse...

Sr. Embaixador, como pode constatar, este tipo de 'post' é muito 'perigoso'...faz vir ao de cima, um dos grandes 'predicados' do bom povo português: o moralismo.

Anónimo disse...

Na minha opinião, Há graffitis e graffitis. Os que se vêem na imagem vejo-os como algo como um protesto pelo estado de grande degradação a que chegaram centenas e centenas de prédios nos bairros antigos de Lisboa. E até me chocam menos do que os ditos prédios a cair, porque, sem graffitis "selvagens" como estes também não ficam mais bonitos.

Mônica disse...

Francisco
Ainda não fui pra casa tá? Vou amanha.
Aqui em BH é horrivel estes grafites nos predios e nas casas.
Aqui não conseguem pintar porque o predio foi construido de proposito para não ser pichado.
Mas tem alguns lugares aqui que acho bonito. Feito por encomenda.
Um abraço de sua amiga que ate hoje está feliz de ter sido tema de seu blog mas envergonhada.
com amizade Monica

catinga disse...

Pingando aqui e ali, lá tinham de vir as habituais pancadas no país e na sua sociedade...

Quando fui à Suíça fiquei impressionado com a quantidade de graffiti que lá vi (sobretudo na zona "alemã"). Nesse momento fiquei a saber que a Confederação Helvética era um país decadente, sem rei nem roque, de jovens com excesso de liberdade, sem criatividade e onde, com toda a certeza, a malta se entretinha diariamente a aplicar bordoadas aos pais e professores (isto, no intervalo das bebedeiras)...

Na França, as carruagens do metro de Paris (transporte dedicado à populaça) tinham "tags" por fora e por dentro e logo ali eu declarei aquela terra como um antro de vícios sem qualquer esperança de contar para alguma coisa.

Certo? Errado!!!

Como sempre, a virtude está no meio...

Os "tags" (os rabiscos) são vandalismo, ponto final. As pinturas, podem ser boas ou más e o seu valor depende - muito! - do contexto em que são feitas. Não se pode negar a emergência de uma arte só porque não se gosta da "moldura". Nos monumentos, preservam-se os graffiti antigos (já foram a Pompeia?) lado a lado com as pinturas mais formais. Porquê? Por causa do contexto.

Muitas das coisas menos elaboradas que por aí se veem têm, apesar de tudo, valor devido à sua oportunidade. Pintar um conjunto de traças à volta de um candeeiro não é, concerteza, um atentado ao espaço público. Há muita coisa por aí que é "gira".

O argumento do espaço público e da imposição dos rabiscos também é fraco. Afinal de contas, tudo o que fazemos, desde a forma como nos vestimos, à pintura dos carros, aos cortinados ou ao arranjo de uma montra é imposição de algo aos outros. O que dizer, por exemplo, das experiências cromáticas da CML ao longo da Avenida da Liberdade? Piores do que muitos graffiti, concerteza.

Ou seja, há que ter bom senso na forma como se aborda a questão. Punir o vandalismo, sem dúvida mas, perseguir a pequena intervenção, não só é contraproducente como é "secar" uma forma de vitalidade urbana.

Já agora, e ainda por causa dos "jovens de agora". Quem é que, nos anos 70 e 80 enchia as paredes de cartazes, "slogans" e dichotes políticos? Quem é que declarava a sua fidelidade clubística nos mais improváveis sítios? Seriam os jovens de então, pais e avós de agora, sempre prestes a dizer "no meu tempo é que havia respeito"?

Para finalizar: há uns anos, o CDS quis legislar por causa do vandalismo. Caiu-lhe o Carmo e a Trindade em cima. É sempre assim, não é?

ZéBonéOaparvalhado disse...

Com as minhas Saudações, sr.Embaixador.

Acham engraçado...o que é que se pode fazer? é po-los a limpar ou mandá-los para o diabo - chamam a isto a "art deco" - Valha-me Deus, gatafunhos "art deco"

Guilherme Sanches disse...

Sim e não. A imagem, desta vez, parece-me ter pouco a ver com o título.

O que a imagem mostra, é vandalismo gratuito e nojento.

Mas de grafitti com arte e no local próprio, eu gosto. Tanto, que por coincidência, os meus screensavers em uso neste momento e neste monitor são... grafitti, pintados ordeiramente num muro de um parque radical, preparado para esse fim, junto ao museu D. Diogo de Sousa, em Braga (é pena os comentários não poderem ter imagens).

Mas Braga é uma cidade especial, diz um transmontano até ao tutano dos ossos.

Um abraço

Mônica disse...

SR embaixador
Será que meu comentário não chegou aí?

Vou amanha para minha casa, mas antes concordo com a Helena
um abraço de sua amiga Monica

Francisco Seixas da Costa disse...

A questão é muito simples: quem usar as paredes e os espaços dos outros para exercer a sua "arte", sem autorização dos respetivos donos, deve ser criminalizado. Tão simples como isso. Não percebo a confusão.

patricio branco disse...

ha grafitti e grafitti, i e, grafitti respeitosos, pintados onde pode ser correcto (ex os predios da fontes pereira de melo) e grafitti abusivos, riscando a casa alheia sem autorizaçao ou a estaua do marques de pombal.
O facto de tambem poderem ser arte, nao quer dizer em qualquer lado.
Mas portugal e tambem dos paises da europa onde menos grafitti ha (penso).
Incrivel como em certas cidades os grafittistas actuam pintando nos lugares mais dificeis: paredes interiores dos tuneis dos metroplitanos, em viadutos nos pontos mais dificeis e perigosos e menos acessiveis, etc.
Por mim, abrindo excepçao quanto aos lugares incorrectos, gostaria de ter visto pintadas de grafittis expressivos e apropriados as paredes duma residencia localizada na rua tal e tal.

catinga disse...

Mas, Embaixador, já há "criminalização" do ato. Até lhe deixo aqui uma reportagem da RTP sobre um rapaz que foi parar à prisão por escrever uma "mensagem de amor":

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=420730&headline=20&t=Grafiti-de-amor-resultou-em-prisao-para-um-jovem-de-Peniche.rtp&tm=8&visual=9

Agora... não espere que a PSP e os juizes se andem a preocupar muitas vezes com estas coisas... :)

Anónimo disse...

o que anda falta, por todos os lados, é bom senso.

relembro a asae que comecou a actuar contra tudo e contra todos. nao e por ai. uma policia moderada e respeituosa, tem muito mais sucesso que uma policia agressiva.

Anónimo disse...

Os brasileiros diferenciam muito bem uma coisa da outra e utilizam designações diferentes para cada uma.

Uma coisa é grafite, outra coisa é pichação. A foto do Senhor Embaixador apresenta um exemplo de pixação. Algo condenável e não permitido no Brasil e em muitos outros países.

Grafite, já é uma manifestação artística. E acredite-se, em muitos locais, já se tentou condenar gente que apagou grafites. Em São Paulo, há bem pouco tempo, a Prefeitura esteve envolvida numa polémica dessas e até apresentou desculpas.

Anónimo disse...

Para alguns comentadores a culpa é dos proprietários dos edifícios que não os preservam, mas a opinião era capaz de mudar se fosse na respectiva propriedade.

A propósito, esta semana vi, a circular na Av. de Roma, um carro novinho com as portas de um dos lados completamente pintadas com grafittis. Doeu-me! É puro vandalismo feito por jovens selvagens em nome de uma suposta arte.

E como, para mim, a arte está associada à estética, podem chamar-me inculta mas não vislumbro sensibilidade por parte dessa cambada que se refugia em meia-dúzia de rabiscos para se impor socialmente.

Isabel BP

Aclim disse...

Mundo atual: O que é meu é meu e o que é teu é meu...rs...

Grafite é arte claro, pichar é contravenção.

Abraço

EGR disse...

Estou de acordo consigo Senhor Embaixador e também não percebo a confusão.
Afinal trata-se apenas de respeitar a propriedade privada idependentemente de estar,ou não,degradada,habitada etc.
E quem viola um direito de outrem deve ser punido.

zamotanaiv disse...

Exacto, o grafitti sempre foi criminalizado. E isso tem tudo que vêr com o que se vê pintado na rua.
As latas de spray são usadas para pintar na rua por se conseguir faze-lo mais rápido, diminuindo o risco de se ser apanhado. O stencil, muito mais visto hoje em dia, é uma técnica em que a maior parte do trabalho é feita em casa, depois é só chegar à parede, encostar aquilo e spraiar. Conseguindo-se um desenho com boa leitura técnica muito rapidamente e antes que apareça alguém.

Se fosse legal, ia-se com tintas e pinceis para a rua durante o dia.

Mas se já é dificil para muitos pintar com pincéis, imagine-se com latas! aquilo é dificílimo de se conseguir um traço bonito.

Anónimo disse...

O prazer do grafiteiro/pichador é o de deixar gravada ad aeternum a sua marca num local público. Este tipo de exibicionismo infantil resolve-se com a limpeza ou oclusão imediata da dita obra de arte (vulgo 'cagada'). As latas são caras e se o porco-pintor concluir que a sua porcaria fica invisível menos de 24 horas depois de pintada, acabará por se cansar de emporcalhar a casa alheia.
Alternativamente, poderá ser legislada a equiparação do pichador a espécime de caça (quando em actividade de pintura) sem época de defeso, o que iria animar bastante os nossos caçadores e aumentar as vendas de zagalotes.

Anónimo disse...

Mesmo a propósito:

http://www.publico.pt/Cultura/em-bristol-pintar-por-cima-da-street-art-de-banksy-e-acto-de-vandalismo-1514767

Julia Macias-Valet disse...

Graffitis assim como os da foto nao gosto !
Mas adorava as pinturas murais do pos 25 de Abril (como por ex as do MRPP, ou as das manifs)

Julia Macias-Valet disse...

...Partout sur les murs apparaissent de monotones graffiti au message autiste: évocation d'un Moi qui n'existe plus ...

Em "Perspectives de guerre civile" de Hans Magnus Enzensberger

Anónimo disse...

Acho que deviam acabar com todos ods graffitis em Portugal e não só, pois essas pinturas nas paredes são um nojo para a nossa suciedade de hoje e quem vandaliza estes espaços são pessoas drogadas, marginais que devem aprender a não estragar o que não é nosso, se fosse o presidente da camara do Porto proibia a venda total destes produtos, latas de tinta! Contra os graffitis, SEMPRE! :)