terça-feira, 4 de maio de 2010

Frio

Deve ter sido um efeito subliminar do PEC...

Na semana passada, animado com o sol primaveril que parecia estar para ficar, mandei desligar o aquecimento geral desta imensa Embaixada, cuja fatura pesa bastante no nosso orçamento. Bem me avisaram que, no ano anterior, isso só fora feito um mês mais tarde. 

Nem dois dias eram volvidos e o frio regressou a Paris. Ligar de novo o aquecimento é um operação cara, com efeitos a prazo, isto é, lá para o fim-de-semana, em que até pode fazer sol. Por ora, tenho os funcionários a tiritar pelos escritórios. A começar pelo próprio embaixador, claro.

Saber prever é uma das qualidades diplomáticas mais requeridas, mas, como é dos livros, há capacidades que se vão perdendo com o tempo.... quente!

11 comentários:

causa vossa disse...

Embaixador Seixas da Costa, de Lisboa lhe dizemos que está absolvido.
Afinal a pluma que enegrece os ares da Europa, veio traiçoeiramente acobertada pelas nuvens da especulação.
Pudessem os políticos intestinos mimetizar a grandeza de um acto de contrição e o sol por aqui não daria mais tréguas ao tempo plúmbeo.
Abrigue-se pois o pessoal da embaixada ao calor desse acto de humildade, de grande elevação!

Guilherme Sanches disse...

A empregada cá de casa queixava-se quando chegou:
- hoje de manhã estava um vento frio... mas agora parou.
Acabo de chegar de Braga, e afinal não parou. Continuou. Se calhar, vai para Paris.
Estamos em Maio, é tempo de comer as cerejas ao borralho...

Um abraço

Anónimo disse...

Senhor Embaixador
Ofereça ao seu pessoal cascóis de..."veludo". Talvez evite nova greve!

CSC

Anónimo disse...

O frio enrijece, já diziam os antigos! Bem sei que eram os de cá. Por aí, o frio aperta” mais, convenhamos. Ainda me lembro de uma tia-avó que, quando lá íamos ao Norte de visita, pelo Inverno, andava sempre curvada, na casa dela: “é do frio e quanto mais curvada, mais aconchega!”, assim explicava a curvatura da coluna. Este Inverno procurei seguir a política de poupança que se advogava para o país, com cortes no aquecimento e recurso a camisolas e outros agasalhos. Foi um sarilho, choveram protestos e acabei por desistir. Ainda tentei argumentar: “estão a ver? Vocês são a imagem do país, não estão dispostos a fazer sacrifícios!” – que os fizesse eu. Frio era frio! Foi a resposta. Até o meu cão está a ficar efeminado. Arranjaram-lhe um “casaco” para sair, não fosse apanhar uma constipação! Bolas, ás vezes exagera-se!
P.Rufino

José Barros disse...

Não há calor que sempre dure nem frio que não acabe! Para o pessoal, o frio será de tiritar mas aguenta-se; agora as tapeçarias, cuidado com a humidade porque às vezes as economias custam caro...

Julia Macias-Valet disse...

"Em Avril ne te découvre pas dans fil,
en Mai fait ce qu'il te plaît !" (Ditado popular francês)

Em Abril o Senhor Embaixador fez o que lhe "apeteceu", agora em Mai vao ter que se cobrir com mais fios...
Como o clima esta a mudar ja nem os ditados populares têm razao.

Paris so tem três meses sem aquecimento nas casas :
Junho, Julho e Agosto.

DL disse...

Na semana passada ainda era Abril. Ora "en avril, ne te découvre pas d'un fil"; "en mai fais ce qu'il te plaît", por isso será questão de dias.

Anónimo disse...

Não percebo a ligação que faz P.Rufino entre o frio e o ser ou não efeminado mas cheira-me a misoginia.
Atenção às palavras; às vezes revelam mais do que escondem.

Anónimo disse...

Caro Anónimo, tratou-se, tão só, de mera tentativa de fazer humor, como cão tem pêlo, supostamente não precisará de agasalho, em particular nos Invernos lusitanos, mas, enfim, ou não sou lá muito bom em tentar fazer humor, no que concedo sem rebuços, ou o Anónimo fez uma interpretação muito particular. Acontece. Mas não tem problema.
P.Rufino

Anónimo disse...

Caro P.Rufino, eu percebi que era uma tentativa esforçada, digamos assim, de fazer humor e concordo não só que o cão tem pelos como com a moderação do clima indígena.
Mas porque é que o cão, peludo ou não, está a ficar efeminado por lhe vestirem um casaco?
Alguns milhões de bancários e ainda mais de funcionários públicos, encasacados e friorentos, não se reverão na sua oiada.

(O mesmo) anónimo

Anónimo disse...

Caro Anónimo “(mesmo)anónimo”, já que não tem nome, nem apelido (coitado!),
Não foi uma “tentativa esforçada” de fazer humor. O humor, por regra, ou é ou se tem, ou não é ou não se tem. Como não pretendo, de todo, conseguir fazer os outros rir, não me esforço. Sai-me, sem pretensões. Todavia, detecto uma contradição da sua parte, que me confunde. Primeiro diz “perceber” a minha, como refere, “tentativa esforçada”, mas, de seguida, adianta a pergunta que contradiz o que atrás refere, “quanto ao cão ficar efeminado por lhe vestirem um casaco”. Meu caro, você ficou realmente preocupado, pelo que vejo, com esta questão de se ser, ou ficar efeminado, cós diabos! Não há razão para tanto!
Já quanto aos “milhões de bancários e ainda mais de Funcionários Públicos – F.P. (prefiro tratá-los com maiúscula, ao contrário do caro Anónimo) encasacados e friorentos” , tenho, como já tive ocasião de referir noutro Blogue, grande consideração. Defendo, aliás, o aumento do IRC da Banca (um projecto que, segundo pude ouvir outro dia num Telejornal, a Comissão Europeia estaria a pensar pôr em prática, propondo aos respectivos E.M. "visto, em grande parte, a Banca privada ter sido culpada desta crise", sic!), a exemplo do que outros Estados Membros da UE já praticam há tempos (Alemanha, entre outros), para valores mais acima, por uma questão de justiça social e, sobretudo, fiscal. Quanto aos F.P. provoca-me sempre um profundo “mal estar” as críticas cabotinas daqueles que advogam cortes salariais e até a retenção do 13º mês desses servidores do Estado, ignorando, ou passando ao lado, de quem recebe prémios em empresas públicas e salários chocantes tendo em conta a situação que vivemos, sabendo que parte desses vencimentos é pago pelos contribuintes, você e eu, entre outros.
O que não compreendo lá muito bem é essa associação, da sua parte, entre o casaco do cão, os bancários e os Funcionários Públicos e a questão, que parece perturbá-lo, de se ser, ou não, efeminado, por colocar um casaquito no cachorro (quente). “Far-se-me-iá”, como dizia o caseiro de meu avô, homem de grandes virtudes e qualidades, o favor e explicar? Ainda há pouco vesti a dita indumentária ao bicho...por assim me terem solicitado. Como gosto do animal e não o quero a apanhar uma gripe (pegam-se, mesmo aos donos), lá “cumpri a instrução” (é que vivo aqui em zona “ventosa-fria”).
Cordialidade,
P.Rufino