quinta-feira, 29 de abril de 2010

MES

Tenho a sensação de que nunca soubemos muito bem quantos éramos. Não me recordo de ter tido um cartão partidário. A nossa disciplina política tinha por referentes o entusiasmo e o voluntarismo.

O MES, o Movimento de Esquerda Socialista, como o Paulo Bárcia e o António Silva titulam bem neste livro que hoje é publicado em Lisboa, foi uma "improvável aventura" num tempo intenso de esperança. 

Tenho imensa pena de não poder estar hoje em Lisboa, com alguns amigos de sempre. Como alguém disse um dia, "je ne renie pas mes heritages" e o MES faz parte integrante delas. A forma saudável como hoje olhamos essa generosa aventura é a prova clara de que, no passado, o futuro era melhor.

Em tempo: entrei no MES pela mão do António Alves Martins, o nosso MFB (militante de fato branco...). Por onde quer que ele ande, deixo-lhe aqui um forte, solidário e muito saudoso abraço. 

Ainda em tempo: aqui fica esta útil ligação:

12 comentários:

Santiago Macias disse...

O MES tinha bastante prestígio entre os intelectuais. Vários dos meus professores do Ciclo Preparatório eram do MES. Cartão, senhor embaixador? A parte organizativa não era, decerto, uma prioridade do Movimento. Terão existido cartões?

Helena Sacadura Cabral disse...

Veja bem, Senhor Embaixador, as partidas que a vida nos prega...
Também eu conheci o MES e creio ser justo não esquecer o nome de Nuno Portas nesse Movimento ao qual pertenceu e deu o seu melhor entusiasmo.
Também eu não renego as heranças que, não tendo sido minhas, fizeram parte da minha vida. E, sobretudo, não renego os meus.
Creio que compreenderá a razão deste comentário!

Francisco Seixas da Costa disse...

Dra. Helena Sacadura Cabral: entendo e respeito muito a sua observação. Somos a soma de tudo o que fomos, de quantos cruzámos e, claro, dos erros que cometemos.
Nada é mais patético - e infelizmente mais comum - do que o zelo dos que sorrateiramente tentam apagar-se dos capítulos, tidos por agora menos convenientes, de um passado que se lhes cola à pele. No que me toca, até que o efeito daquele senhor alemão cujo nome me escapa me atinja em pleno, mantenho-me um elefante de memória, dedicado a avivar publicamente o percurso desses espertalhaços.

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Santiago Macias: estou à espera do livro para perceber se o MES tinha cartões... até para reclamar o meu!

Helena Oneto disse...

Bons tempos onde unidos lutàmos por um futuro melhor!

E também com entusiasmo e voluntarismo, com bandeiras, bombos e música que vamos dizer não aos especuladores, neste sábado, 1º de Maio na Place de la République!
Ponto de Encontro – entre as 14h30 e 15h00 na Place de la République em frente à Bolsa do trabalho, no ângulo das ruas du Château d’Eau e Magenta.

Anónimo disse...

Mas que Post mais interessante! Se me é permitido, associar-me-ia a esta memória política relativa ao MES. Não fui militante desse Movimento, mas fui seu apoiante e simpatizante, segui atentamente o seu percurso, tendo participado em diversas iniciativas, comícios e votado nele. O MES faz parte do meu ADN político, das minhas memórias desse tempo, foi referência política, etc. E até fiz tropa, em Mafra (curso de oficiais milicianos) e depois em Abrantes, com um seu activo militante (e dirigente, suponho) de então. Também não renego o meu passado. Mas conheço quem o tem feito e tenha memória curta. Tenha “lapsos de memória”. Enfim, questões de carácter. Desses tempos, ficou-me, entre outras coisas, uma “total incapacidade” de vir a ser alguma vez reaccionário e de ser solidário com quem menos tem. Opções. De que me orgulho! Francamente, gostei deste Post. Corajoso, sobretudo.
P.Rufino

Alcipe disse...

Eu fui logo ex MES sem ter sido MES. Complicado? Não, muito simples de explicar...

Tudo começou nas "eleições" de 1973 na CDE de Lisboa, antes do 25 de Abril...

E mais não conto! Leiam o livro do Vasco Durão "Intervenção Socialista", , que confunde tranquilamente o Luís Filipe Castro Mendes com o José Filipe Moraes Cabral e ficarão ainda mais confusos...

Anónimo disse...

Improvável Aventura
Num Tempo
Intenso de Esperança

Prova clara
Que, no Passado
O Futuro

Era Melhor...

In Francisco Seixas da Costa
Duas Ou três coisas

"Portugal é um Pais de Poetas"

Que Bonito
Isabel Seixas
Pois eu também, inicialmente fui da Luar, por isso mesmo pelo Luar, sabia lá bem o resto...
Depois da UDP, por amizades, Já alguma consciência política,...embrionária...
Também cheguei a votar no MES...

Até a minha avózinha que abominava comunistas(Mais propriamente fazia crises de pânico induzidas desde algumas sacristias) que efectivamente nunca a tragaram ao pequeno almoço, nem faleceu de morte de injecção atrás da orelha"votou algumas vezes FEC ML"

Agora Ando meio baralhada ... Sou do partido independente que é como quem diz quando tenho dúvidas parto do pressuposto que no meio está a virtude...Mas nem sempre Nem nunca ...

Voto em quem me dá a real Gana...
Digo-o sem medo de retaliações á posteriori, sendo que considero "SEMPRE"a probabilidade de errar e ou de me enganar, pudera a politica é humana...

Até a mim me surpreendo!!!...
Isabel Seixas

Julieta Mateus disse...

Caro Embaixador,o MES tinha cartão e eu ainda guardo o meu na gaveta das minhas melhore recordações.Pode reinvidicar o seu...
Quanto ao livro do Didas e do António, não consegui lá ir mas de certo que todos nós vamos encontrar a nossa própria vivência.

Helena Sacadura Cabral disse...

Ai! Alcipe que confusão. Porque será que ela não me surpreende?!
Abomino quem perde memória selectiva. E, não fora este, o blogue de um Embaixador, a minha memória de elefante desbobinava já um rol extenso de pacientes que sofrem desta doença...

Alcipe disse...

Caro Francisco, cara Helena, eu não perdi a memória de forma selectiva, isso posso garantir-vos!

A luta pela memória é uma luta política. Por isso estou ansioso por ler o livro do Didas (que tem uma homónima, que tb foi do MES, muito próxima de mim) e do António. Porque a nostalgia também já não é o que era...

António P. disse...

Caro embaixador,
O lançamento foi um sucesso. Pena não poder ter vindo.
Duas precisões :
1. MFB = militante de fato branco ( e não bege )
2. Como diz a Julieta Mateus : existiram cartões de militantes. Acho que ainda tenho o meu. Se o encontrar aind o edito lá na minha tasca.
Bom fim de semana e cumprimentos