domingo, março 08, 2020

Mulheres

Não quero diluir o charme social que se tornou hábito na comemoração do dia internacional da mulher, com flores e brindes, mas lembro que a data radica numa coragem extraordinária, contra discriminações e preconceitos, que, muitas décadas depois, estão longe de erradicados.

Responsabilidade

É uma obrigação de cada cidadão português responsável não apenas respeitar, mas igualmente apoiar e propagar de forma empenhada as restrições que a atual situação sanitária justifica, nomeadamente em matéria de visitas a unidades públicas e observância de regimes de quarentena.

A nova semiologia

Tem alguma (relativa) graça o variado modo como as pessoas se saúdam socialmente, nos dias que correm: há os que gesticulam à distância, os que tocam punhos ou cotovelos, os que abraçam sem beijar até aos afetuosos crónicos impenitentes. A semiologia tem aqui um novo capítulo.

João Vieira


A casa-museu é pequena, mas muito digna. João Vieira, um pintor de que gosto muito, merece bem a homenagem que a sua terra natal, Vidago, há poucos meses lhe fez, criando um espaço em sua memória, graças à pertinácia do seu filho, Manuel João Vieira.

Em setembro, por insuperável impedimento pessoal, não pude aceitar o simpático convite do Manuel João para estar na inauguração deste museu. Ontem, tive imenso gosto em passar por lá.

Meses antes da sua morte, em 2009, João Vieira tinha tido a amabilidade de me desafiar para comissário internacional da iniciativa “Sinais Douro”, um projecto que há muito acalentava, destinado a dar projecção a algumas belíssimas ermidas da zona duriense, associando-lhes trabalhos pictóricos de artistas estrangeiros convidados.

sábado, março 07, 2020

Um ponto final


Como já deve ter dado conta quem por aqui me lê, sou um “viciado” em restaurantes. Numa certa cidade do país, cujo nome não interessa, existe, desde há uns anos, não muitos, um restaurante, não excessivamente simpático como espaço mas com ambiente e serviço aceitáveis, num lugar conveniente, porque muito bem situado. Sem exceção, todos os meus amigos e conhecidos que são frequentadores do local me dizem bem dele. Fui lá, julgo ter a conta bem feita, umas cinco vezes, a primeira já aí há uns seis anos. No final das refeições, nunca de lá saí plenamente satisfeito. Às vezes, foi assim-assim, outras vezes, foi mesmo mau. Por que continuei a teimar? Não porque seja masoquista, mas porque esses amigos e conhecidos me iam dizendo, de cada vez que referia essa nova má experiência, que devia ter sido um “azar”. E assim fui dando o benefício da dúvida ao restaurante. Agora, acabou! Eu e quantos me acompanhavam numa refeição muito recente comemos francamente mal. Portanto, ponto final. Qual é o restaurante? Sei lá! Já o esqueci, de vez...

O remédio


Quando, como frequentemente me acontece, me “passo” com a nossa televisão, tenho um remédio quase infalível: mudar para a RTP 2. Obrigado, Teresa Paixão!

Há noites assim!


À escolha

A propósito de um artigo que ontem publiquei no “Jornal de Negócios”, onde critiquei a política de Israel, já houve quem me acusasse de anti-semitismo. Confesso que já estava à espera...

Quem não sabe distinguir a diferença entre anti-sionismo e anti-semitismo só tem três hipóteses: ou é parvo ou é ignorante ou está de má fé. Esses, façam o favor de escolher!

Casa de Sezim


É uma das mais deslumbrantes casas de Turismo de Habitação do país, situada perto de Guimarães. 

Passei ontem por lá para recordar aquele espaço magnífico e para degustar o excelente verde branco que ali se adquire.

A quem tiver uns minutos livres, aconselho vivamente que vejam o “Visita Guiada” que Paula Moura Pinheiro lhe dedicou: ver aqui.

Alibi

O argumento de que o deputado mais notório da extrema-direita parlamentar não pode ser deixado a falar “à solta”, sem escrutínio nem contraditório, está a ser um excelente alibi para, cada vez mais, alguns lhe darem um generoso tempo de antena. Os amigos são para as ocasiões...

Sem coronovirus

Numa certa altura de 2019, a Sky News criou uma serviço noticioso “Brexit free”, em que poupava os seus utentes à constante avalanche de notícias sobre o Brexit. Esse noticiário foi um êxito. 

Por estes dias, e porque não tenho uma curiosidade sobre toda a especulação em torno da doença, apetecia-me imenso ver telejornais “coronovirus free”.

Política senior

Tenho idade suficiente para poder dizer isto sem suscitar suspeitas de ”jeunisme”: é um pouco estranho que, num tempo em que as carreiras se fazem cada vez mais cedo na vida, em que pessoas na casa dos 30 e 40 anos assumem imensas responsabilidades, o cenário político americano esteja “nas mãos” de gente bem acima dos 70 anos.

sexta-feira, março 06, 2020

Gestão de crises


Acaba de ser publicada uma obra coletiva, que envolve os (então) 28 países da União Europeia, sobre o modo como a Europa se organiza, no tocante à sua intervenção na gestão de crises internacionais, focando, em especial, as mais notórias insuficiências que é possível detetar nessa ação.

A convite da Fundação Bertelsmann e do Center for European Policy Studies, tive o gosto de ser o representante português no grupo de trabalho, que, durante o ano de 2019, em Bruxelas, organizou reuniões sobre o tema, das quais resultaram os trabalhos agora publicados.

A contribuição portuguesa para este volume muito deve à Dra. Patrícia Magalhães Ferreira, uma reputada especialista que convidei para esta tarefa e que comigo figura como co-autora deste trabalho.

Essa gente


Há muitos anos, em Israel, visitei um “kibutz”. Na ocasião, a primeira impressão que tive foi a de devia haver poucas coisas mais parecidas com o “ideal” da sociedade comunista do que essas comunidades onde os bens materiais tinham uma importância muito limitada, em que o dinheiro físico era de um valor quase instrumental, onde a partilha de tudo, até a educação coletiva dos filhos, era a regra. Tratava-se de uma economia de mera subsistência, suportada por uma forte cultura religiosa, com as técnicas requintadas de preservação da água a dar o toque de contemporaneidade àquele vida de recorte quase primário.

A visita era “política” e tinha muito a ver com a propaganda israelita ao seu modelo de sociedade, de que os “kibutz” eram símbolos exemplares. O grupo de portugueses envolvido na visita, onde não havia nenhum crente no judaísmo, achou graça ao exercício mas, ao que pressenti, permaneceu sempre um pouco descrente na capacidade de sustentacão futura daquele tipo de “engenharia” social. Consta-me, aliás, que o mundo dos “kibutz”, nos dias de hoje, é já muito diferente, sendo pouco apelativo para as novas gerações, mobilizadas por agendas de interesses bem diversas.

Mas voltemos à nossa visita. Para chegar ao “kibutz”, verdejante e erigido como um bem guardado oásis em terra inóspita, tínhamos atravessado zonas que, vim a saber, em resposta à minha curiosidade, eram pequenos aldeamentos árabes, com um grau de visível pobreza. Fixei a cara dessas pessoas, que olhavam, com um ar tenso, as viaturas israelitas que nos transportavam.

No “kibutz”, para nossa surpresa, também se falava português. Eram alguns judeus que tinham migrado do Brasil para a “terra prometida”, ali misturados com outras nacionalidades. O nosso principal interlocutor, simpático e falador, fez-nos uma descrição verdadeiramente entusiástica das virtualidades do modelo: da troca de produtos que faziam com outros “kibutz”, da venda dos frutos da exploração nos mercados de Tel-Aviv, utilizando depois o resultado coletivo dessas vendas para compra de outros bens essenciais, nas raras saídas para fora do “kibutz”. “Se não fosse uma heresia dizê-lo, eu afirmaria que vivemos no paraíso, onde nada nos falta”, disse-nos, com um largo sorriso.

Acho que nenhum dos visitantes ficou seduzido pela hipótese de algum dia vir a viver num “falanstério” similar, mas por todos perpassou uma imensa admiração por quem o fazia, desprendido dos bens materiais. A similitude com um convento terá surgido de imediato na nossa cabeça.

Confesso que, sem o menor sentido provocatório, fiz então uma pergunta, num tom neutro, mais para encher conversa do que por real interesse: “Também trocam produtos com as aldeias árabes por que passámos, que vimos no caminho para cá?”

Num segundo, o ambiente mudou por completo. Os acompanhantes israelitas olharam para mim como se eu tivesse dito um insulto. O judeu brasileiro “fechou” a cara e nunca mais esqueci a frase simples, mas bem sintomática, com que me respondeu: “Essa gente, para nós, não existe!” E mudou de conversa.

As pessoas com quem eu ia creio que ficaram tão chocadas como eu. Acho que os próprios funcionários israelitas se surpreenderam com a crueldade do comentário do habitante do “kibutz”. E, naquele instante, grande parte da simpatia genuína que, nos minutos anteriores, se tinha gerado, desvaneceu-se. A visita terminou com alguma rapidez.

Quando, há dias, vi que o mandato de Benjamin Netanyahu foi renovado, que o seu projeto de um “grande Israel” tem hoje o apoio claro da maior potência internacional, à revelia de resoluções do Conselho de Segurança da ONU que os próprios EUA aprovaram, que o caminho do Estado israelita vai no sentido evidente de um sistema de “apartheid”, dei comigo a pensar que o judeu brasileiro com quem me cruzei, há umas décadas, nesse “kibutz” perdido no “West Bank”, se acaso ainda for vivo, deve estar hoje feliz. Mas lembrei-me muito “dessa gente”.

quarta-feira, março 04, 2020

Quem é?


Uma confiança essencial


“Bolas! Até na justiça! Isto vai bonito, vai!” Não foi necessário olhar para a televisão daquele café de estrada, na Beira interior, na tarde de segunda-feira, para perceber que o tema dos comentários era a notícia da demissão de um magistrado de um tribunal superior, num escândalo a que só o cronovirus ajuda a disfarçar a amplitude. “Aquilo é como na política, pá! São todos iguais!”, ouvi logo ao meu lado, no balcão. As vozes que emanavam daquelas samarras ressoavam uma desencantada unanimidade. “É como os árbitros! Cada um é pior que o outro!”, sentenciava um terceiro.

Mais do que em qualquer época recente de que me consigo lembrar, parece instalada, no sentimento comum, uma distância, quando não uma acrimónia, muito pouco saudável entre os cidadãos e as estruturas institucionais do Estado e dos corpos socialmente relevantes.

Se não acreditam no que escrevi, façam o teste: ao ouvirem comentários negativos sobre figuras políticas, sobre os partidos ou o parlamento, sobre grandes empresas ou outras entidades coletivas, experimentem tentar um discurso abertamente contraditório. Logo verão a reação! Logo “verão”, não, logo veriam, porque tenho o pressentimento de que a maioria das pessoas que me lê já não estará disponível, com sinceridade, para ensaiar esse discurso. Constato que muito rara é hoje a personalidade pública ou instituição que preserva um prestígio que, face a qualquer súbita acusação ou desconfiança, suscite um automático e maioritário benefício de defesa.

A estabilidade das democracias pressupõe a existência de um grau mínimo de confiança entre a generalidade dos cidadãos e as instituições representativas do poder dos Estados, para além de, pelo menos, alguma neutralidade no tocante à aceitabilidade de outras forças relevantes no respetivo tecido social.

A minha percepção, que concedo possa ser impressionista, é de que, com todos os seus defeitos, eventuais manipulações e desvios corporativos, a máquina da justiça se mantinha, até há bem pouco tempo, imune a suspeitas genéricas de corrupção ou tráfico de influências – salvo casos pontuais bem identificados. O que, nos últimos meses, tem vindo a passar-se num dos nossos tribunais superiores é, assim, muito grave. Todos esperamos que se trate de episódios bem isolados, a que possa ser posto cobro, com rapidez e transparência. É que se os cidadãos se sentirem tentados a duvidar da ética dos órgãos da sua justiça estaremos perante a perda de uma confiança essencial que sustenta o sistema democrático.

Constança Cunha e Sá


Cruzei-me algumas vezes com Constança Cunha e Sá em programas por ela moderados na TVI. Em várias algumas outras ocasiões, com pena minha, não pude aceitar convites que me formulou.

Sempre considerei que o seu jornalismo era feito com um imenso equilíbrio, assente numa experiência muito rica sobre a realidade política portuguesa. Com a sua saída, a TVI perde uma voz com grande credibilidade jornalística.

terça-feira, março 03, 2020

11 de março e outras histórias


Há meses, a RTP pediu-me um depoimento sobre os acontecimentos do dia 11 de março de 1975. Na conversa, vieram à baila outros temas desse tempo. Aqui ficam extratos desse dialogo.

Verde

Mesmo ficando em casa, continuo equipado de verde.