Um dia de 2005, fui de Nova Iorque, onde então trabalhava, a Newark, entre outras coisas para assistir a parte de um jogo de futebol onde intervinham, numa das equipas, velhas glórias (outros nem tanto) do futebol português. Só recordo dois nomes que ali estavam, ambos defesas.
Um deles era Cruz, antigo lateral esquerdo do Benfica. Não tive então coragem de lhe perguntar se era verídica a resposta que teria dado, durante um Portugal-Espanha no Jamor, ao selecionador nacional Manuel da Luz Afonso, quando este o repreendeu por estar a deixar passar, com excessiva facilidade, o "ponta direita" espanhol, o extraordinário Amancio. Cruz, que era mais "sarrafeiro" do que tecnicista, razão porque não veio a evitar que Hilário se eternizasse no lugar, teria respondido: "Amanse-o o senhor ..."
O outro era o Vicente, irmão de Matateu, esteio da defesa dos "magriços" da equipa de 1966, ao lado de José Carlos. Encarregado de marcar Pélé, cumpriu com imensa eficácia e "fair play" essa função, como o próprio "rei" reconheceu. E não foi ele - foi Morais - quem, tristemente, ajudou a dar cabo do joelho de Pélé, nesse jogo em que ganhámos por 3-1.
Nessa tarde, ainda antes do jogo, pedi para tirar uma fotografia com o Vicente — logo eu, que sou pouco dado ao cultivo desse tipo de "instantâneos" com figuras. Anos antes, Vicente tinha perdido uma vista, num acidente de viação. Era uma figura muito simpática, modesta, como constatei quando lhe disse a grande admiração que tinha por ele.
E agora não sei onde anda a fotografia. Ora bolas!
