Biblioteca Municipal de Tavira
Há mais de meio século, ouvi um sociólogo comentar que a sua ciência tivera dificuldade em se impor pelo facto de lidar com temáticas que tinham a ver com vida corrente, assuntos sobre os quais toda a gente emitia opiniões. Na sua perspetiva, foi essencial criar algum hermetismo no vocabulário utilizado, com vista a conseguir dignificar o discurso científico da Sociologia.
Achei muito estranha essa abordagem, algo snobe e elitista, e dei comigo a pensar que se um qualquer ramo do conhecimento necessita desse tipo de artificialismo para se impor é mau sinal para a sua verdadeira dignidade.
Porque refiro agora isto? Porque as questões internacionais, com a eclosão das recentes guerras, e as muitas horas a elas dedicadas nas televisões, levaram esses temas, de forma quase obsessiva, para as conversas do dia-a-dia. Qualquer pessoa tem opinião (quase sempre bem adjetivada) sobre Trump, sobre a situação no Golfo Pérsico ou a ocupação russa da Crimeia.
Ora isso exige a quem é chamado a falar, em público ou nas televisões, sobre questões desta natureza que, naquilo que diz, tente aportar um valor acrescentado ao discurso impressionista do cidadão comum. Na minha opinião, deve sempre fazê-lo de forma simples, sem chavões e palavreado especializado. As ideias têm de valer por si, não pela roupagem de vocabulário "difícil" utilizado.
Tenho-me lembrado disto ao olhar as dezenas de pessoas que fizeram o favor de me ouvir em três fóruns em que, em menos de uma semana, fui chamado a intervir sobre o estado do mundo e as suas perspetivas de evolução. Procurei falar de modo simples, com vocabulário comum, embora as mensagens fossem diferentes, porque diferentes eram os lemas das palestras, bem como a natureza dos auditórios. Não sei se tive êxito.
Quando falo em público, não ambiciono nunca suscitar de quem me ouve uma expressão idêntica à daquela senhora "do povo" que, inquirida um dia pela Emissora Nacional, no Terreiro do Paço, depois de um discurso de Salazar a um comício nacionalista, comentou assim a alocução do Presidente do Conselho: "Não percebi o que ele disse, mas falou muito bem..."
Achei muito estranha essa abordagem, algo snobe e elitista, e dei comigo a pensar que se um qualquer ramo do conhecimento necessita desse tipo de artificialismo para se impor é mau sinal para a sua verdadeira dignidade.
Porque refiro agora isto? Porque as questões internacionais, com a eclosão das recentes guerras, e as muitas horas a elas dedicadas nas televisões, levaram esses temas, de forma quase obsessiva, para as conversas do dia-a-dia. Qualquer pessoa tem opinião (quase sempre bem adjetivada) sobre Trump, sobre a situação no Golfo Pérsico ou a ocupação russa da Crimeia.
Ora isso exige a quem é chamado a falar, em público ou nas televisões, sobre questões desta natureza que, naquilo que diz, tente aportar um valor acrescentado ao discurso impressionista do cidadão comum. Na minha opinião, deve sempre fazê-lo de forma simples, sem chavões e palavreado especializado. As ideias têm de valer por si, não pela roupagem de vocabulário "difícil" utilizado.
Tenho-me lembrado disto ao olhar as dezenas de pessoas que fizeram o favor de me ouvir em três fóruns em que, em menos de uma semana, fui chamado a intervir sobre o estado do mundo e as suas perspetivas de evolução. Procurei falar de modo simples, com vocabulário comum, embora as mensagens fossem diferentes, porque diferentes eram os lemas das palestras, bem como a natureza dos auditórios. Não sei se tive êxito.
Quando falo em público, não ambiciono nunca suscitar de quem me ouve uma expressão idêntica à daquela senhora "do povo" que, inquirida um dia pela Emissora Nacional, no Terreiro do Paço, depois de um discurso de Salazar a um comício nacionalista, comentou assim a alocução do Presidente do Conselho: "Não percebi o que ele disse, mas falou muito bem..."
Universidade Fernando Pessoa
Ordem dos Economistas / Casa da Música


