quarta-feira, outubro 19, 2016

Saudades do Esperanto

Tinham-me avisado: o condutor é sérvio, fala muito pouco alemão (eu não falo nada) e não entende uma palavra de inglês. No aeroporto, tinha um letreiro com o meu nome e percebi que sabia o endereço onde me devia conduzir. Eu até sou um conduzido geralmente prolixo mas, desta vez, fui num silêncio sepulcral (dado o meu cansaço, não me desagradou, confesso) toda a viagem. Ao chegar ao destino, vi-o passar olimpicamente em frente à porta onde eu devia ser depositado e começar a meter-se por ruas cada vez mais distantes. Tentei explicar-lhe o erro, ele respondia numa língua mistura da de Milosevic com a de Merkel, mas era difícil conseguir passar a mensagem. Entre uns "go back!", "right", "left", cheios de gestos imperativos, lá consegui levar o homem ao porto pretendido, ao fim de alguns minutos. Valeu-me conhecer bem esta cidade. Sorrimos no final da confusão.

É nestes dias que tenho pena que o esperanto, essa língua universal que anularia todas as fronteiras culturais, não tivesse afinal vingado. 

Reflexão

No sistema político português, há uma tragédia que, por anunciada que seja, não deixa de se repetir: a vontade incontida de um presidente de...