Há uns anos, perguntei a uma conhecida personalidade política, que havia sido pessoalmente responsável por determinado tipo de ações que tinham vindo a revelar-se deletérias para o interesse público, se não se arrependia das decisões que tomara. Fiquei, confesso!, siderado com a sua resposta: "Não sinto a menor culpabilidade. Eu agi exclusivamente na base das informações que à época tinha, dadas e colhidas por quem me rodeava e em quem eu confiava, na profunda convição de que o que fazia era o melhor para o interesse coletivo. A circunstância dos factos terem vindo a demonstrar que a ação que empreendi não correspondia àquilo que eventualmente teria sido mais adequado fazer é algo que me ultrapassa e pelo qual não sinto hoje, à distância, a menor responsabilidade. Por isso, não me arrependo de nada do que fiz. Aliás, alguém arrepender-se é errar duas vezes."
Na altura, não fiquei muito convencido com a lógica subjacente a este raciocínio. E dei comigo a pensar que havia algo que "respondia" a essa lógica, mas de que eu me não lembrava. Só hoje, ao ler no "The Economist" um texto sobre a "ética de convicção" e a "ética de responsabilidade", suscitadas por Max Weber há quase um século, é que realizei verdadeiramente a razão das minhas dúvidas. Leia-se o texto aqui.
