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quarta-feira, outubro 12, 2016

Não vale tudo!


Zeid Ha'ad Al Hussein, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos do Homem*, é um diplomata (e príncipe) que foi representante permanente da Jordânia junto das Nações Unidas durante vários anos. 

O seu escritório era por cima do nosso e, também por essa razão, foi o primeiro colega que visitei quando, em 2001, cheguei a Nova Iorque, como embaixador junto da ONU. Mas não só por essa razão: foi também porque me foi dito que era um grande amigo de Portugal. E era. Pouco tempo depois ajudou-me imenso a promover a candidatura de Paula Escarameia na eleição para a Comissão  de Direito Internacional - a primeira mulher que viria a integrar esse órgão, infelizmente já desaparecida.

Hoje, vi que Zeid, nas suas novas funções, fez o que não podia fazer: avisou, em conferência de imprensa, que uma eventual eleição de Donald Trump nos EUA configuria um risco sério para os Direitos humanos no mundo. Mesmo sendo Trump o que é, um funcionário das Nações Unidas não tem o direito de se referir assim, por mais razões de fundo que tenha, a um participante legítimo num ato eleitoral livre num país democrático. 

Não tudo vale, na vida internacional.

(*Escrevo "Direitos do Homem" porque é essa a expressão que figura na Convenção de 1948. Compreendo, contudo, que alguns sigam o mais "faishionable" "Direitos humanos", na condição de que me deem a mim o direito de poder usar a fórmula original).

É a vida!

Pode ser que seja apenas "wishful thinking", mas fiquei ontem com a sensação de que André Ventura já se está a ver, daqui a semana...