Não conheço Rocha Andrade, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Mas conheço gente muito diversa e fiável que me diz que se trata de uma figura de muito elevada competência técnica na sua área e de um homem de uma probidade a toda prova. E, no entanto, o lapso da viagem ao euro e o embaraço de agora ser responsável por uma medida legislativa que favorece uma empresa de que é (ainda que ínfimo) acionista fragiliza-o claramente.
Não sei se Rocha Andrade deve ou não permanecer no governo, mas o seu caso demonstra bem que, nos dias que correm, ser governante impõe regras tão draconianas, obriga a cuidados tais, para não se correr o menor risco de poder vir a ser acusado de qualquer coisa, que deve haver muita gente que deixa de ter paciência para se sujeitar a este escrutínio. Vive-se um tempo triste em que estar em lugares de Estado é, de imediato, fonte de suspeição, de presunção de potencial culpabilidade.