O tempo da comunicação social mudou muito. É meu hábito antigo guardar os jornais da manhã até ao final do dia, pela "angustiante" sensação de que neles ficou muito por ler e pela ilusória ideia de que acabarei por fazê-lo mais tarde. Só que, a essas horas, dou-me conta da quase total irrelevância daquilo que eram as "notícias" que esses jornais traziam, praticamente todas já ultrapassadas pela avalanche de noticiários televisivos e dos "sites", que entretanto ocorreu. Salvo para aquele universo de leitores que se contentam (e estão no seu direito) com as "pílulas" informativas a cuja fabricação alguma imprensa "apressada" hoje se dedica (pequenas notícias, com escassas centenas de carateres, que caricaturam os factos, como hoje são certos diários portugueses), tudo parece encaminhar-se para que os jornais, para terem algum sentido, se tornem, cada vez mais, veículos de análise e opinião e, cada vez menos, portadores de notícias "requentadas". Lembro-me que, quando o "Público" foi criado, se dizia que a sua ambição era ser uma espécie de "Expresso" diário, o que corresponderia um pouco a esse conceito de uma imprensa que queria "ir um pouco mais longe", como à época já fazia o "Le Monde" ou o "El País". Na realidade, o "Público", que começou assim, acaba hoje por já não ser isso, embora, em Portugal, seja o jornal que mais próximo fica do modelo. Mas, num futuro próximo, será que as pessoas terão tempo para ler jornais diários meramente analíticos, com artigos cuja extensão e profundidade obrigam a uma disponibilidade pouco consentânea com o ritmo de vida de hoje? Por isso, com a proliferação dos Ipads, com os "alertas" nos telemóveis, os écrans dos computadores à nossa frente todo o dia, os "flashs" da rádio no carro e a omnipresença das televisões (com noticiários ou rodapés informativos) será que vai haver espaço para uma imprensa diária em papel? Começo a duvidar.
Em tempo: excluo a imprensa desportiva, cuja sobrevivência está garantida, "porque sim". Quando digo aos meus amigos estrangeiros que existem, em Portugal, três diários desportivos de dimensão nacional, eles começam a perceber melhor a questão do nosso défice...
Em tempo: excluo a imprensa desportiva, cuja sobrevivência está garantida, "porque sim". Quando digo aos meus amigos estrangeiros que existem, em Portugal, três diários desportivos de dimensão nacional, eles começam a perceber melhor a questão do nosso défice...
