O país anda numa maré de copianço.
Há semanas, foram os aspirantes a magistrados a darem mostras dos seus princípios de ética, que lhes prenunciam um futuro profissional de sucesso, a serem apanhados a falsificar as suas provas. O meu amigo Marinho Pinto, bastonário das Ordem dos Advogados, publicitou então a sua legítima indignação. Semanas depois, foram os candidatos a advogados, no seu exame para entrada no estágio, a revelarem especiais "qualificações", ao serem apanhados em fraude idêntica.
Na página 7 do "Diário de Notícias" de ontem, um jornalista insurgia-se, com imensa razão, com o facto de uma televisão ter pirateado, de modo flagrante, uma notícia do seu jornal, a propósito de alegadas nomeações políticas. Entretanto, na sua página 18, o mesmo jornal ilustrava uma notícia sobre uma agressão doméstica com uma imagem retirada de um ecrã de televisão, fotografado durante um telejornal.
Conclusão: estão todos bem uns para os outros. Esta é também uma parte do nosso "outro" défice.
