Fora simpática a iniciativa daquele embaixador português, numa certa capital europeia, de oferecer um cocktail de despedida ao colega que estava acreditado junto de uma organização internacional, na mesma cidade, e que ia regressar a Lisboa. Algumas dezenas de amigos tinham sido convidados para a ocasião, que tinha muito de genuína, porque os dois diplomatas tinham, de facto, uma saudável e boa relação entre si.
Chegada a hora dos discursos, o dono da casa foi pródigo em elogios ao colega que partia, sublinhando, com ênfase, a ligação de amizade e grande simpatia que mantinham. O que ninguém estava à espera é que, no entusiasmo das palavras, lhe tivesse saído, a certo passo, a afirmação: "Nós os dois temos uma proximidade pélvica!".
A sala estacou de surpresa. Que diabo?! "Uma proximidade pélvica"? O homenageado cofiou a barba e manteve o sorriso, nesse momento já um pouco mais amarelo, evitando olhar para os circunstantes, muitos dos quais abafavam risadas e trocavam divertidos e surpreendidos olhares. Com o prosseguimento do discurso, o efeito da expressão foi-se diluindo e, fixada que fora a estranheza pela frase, a maioria dos presentes como que esqueceu o episódio.
No dia seguinte, porém, um dos diplomatas da casa, mais ousado e próximo do embaixador, não resistiu a perguntar-lhe: "O senhor embaixador desculpará, mas ontem, na receção, não percebi bem o que quis significar, ao dizer que tinha uma "proximidade pélvica" com o seu homenageado".
O embaixador olhou-o do alto dos seus óculos grossos, com a cara grave habitual, que não significava zanga mas era apenas um estilo, e esclareceu: "Não percebeste? Essa agora?! Quis dizer que nós tínhamos uma grande ligação, que sentíamos as coisas na pele da mesma forma, uma proximidade "pélvica", de pele...
Realmente, a língua portuguesa é muito traiçoeira.
«"Pélvica", de pele», tenhamos que convir ser, pelo menos, original...
ResponderEliminarVá lá podia ser pior, se tivesse utilizado "púbica", que também não anda longe!
São os actos falhados, Senhor Embaixador. Acontece a todos...
Será que a lingua é traiçoira?
ResponderEliminarAtualmente tudo é possivel, vai saber.
Abraço
Por outro lado, há de facto quem rompa protocolos espontaneamente não só nas cadências do léxico como nas variantes de proximidade...
ResponderEliminarMas permita-me senhor Embaixador, eu gostei imenso da perspetiva anatmofisiológica do Senhor(...)Aliás a primeira impressão foi de dar à luz...
IsabelSeixas
Pensando bem, dizer que se tratava de uma proximidade epidérmica seria um tanto superficial...
ResponderEliminarNão há outra casa como esta. Absolutamente deliciosa!
ResponderEliminarCara Helena,
ResponderEliminarRi-me com o seu primeiro comentário e subscrevo o segundo.
Isabel BP