sexta-feira, julho 29, 2011

Despedidas

Estão na moda as despedidas da escrita antiga, agora que o Acordo Ortográfico vai, contra ventos, marés e Graças Mouras, entrar definitivamente em vigor.

Ontem, chegou-me este delicioso texto:

"Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa. 

Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. 

São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! 

Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo? Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos. 

Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto, para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. 

Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem. Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.

As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos.

Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar."

34 comentários:

  1. muito bom, mas temos que saber quem é o autor...

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  2. Anónimo13:59

    ...que coisa bonita que é a minha lingua e quem a trata bem.

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  3. bonito texto de amor pelas palavras e sua grafia. Resignação com o que vem, melancolia pelo que termina.
    uma coisa é certa, das linguas neolatinas, o português será o que agora mais se afastará da sua paternidade. Até o lexico de origem latina do inglês (ao que parece quase 30% dessa lingua) se mantem mais fiel às origens, ao adn

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  4. Anónimo14:24

    sr embaixador

    como vai?

    entao agora deu-lhe para massacrar os simpaticos leitores do seu blog com esta coisa do acordo ortografico?...

    é dia sim, dia nao.

    nao pode ser!...

    eu compreendo-o, é diplomata, esteve no brasil, e tal e tal...

    mas homem, eu, para lhe dizer a verdade, ate consigo ter um sentimento de maior piedade para com o seu sporting
    do que para com essa garatuja de acordo que o sr embaixador tao diplomaticamente nos vai tentando enfiar pelas goelas...abaixo


    escreva aqueles posts poeticos, que tao bem sabe, sobre o silencio, a noite, os ribeiros do minho,o geres, conte aquelas historias sobre o embaixador que coleccionava carteiras...
    essas coisas

    agora acordo ortografico?
    outra vez?
    nao, sr embaixador nao

    tenha compaixao dos seus leitores!



    bem haja


    PS
    com tanta queixa
    qualquer dia pode fazer um pay per view, ou read...

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  5. Sabe que um texto bem escrito é como uma obra de pintura, precisamos reler...rsrsrr

    Muito bom.

    Abraço

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  6. Anónimo15:57

    digo mais, como diria dupont: texto delicioso.
    FG

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  7. Caro Anónimo das 15.24: mas eu até pensava que textos como este, ou o do trema, era concessões simpáticas a quem quer ter o passado no seu futuro.

    Quanto às "histórias", o que é isso do embaixador que colecionava carteiras?

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  8. Caro FG: que disse isso foi Dupond, desculpe lá!

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  9. Anónimo17:36

    caro sr embaixador

    perguntou sobre a historia do embaixador que colecionava carteiras?

    pois eu nao sei!

    o sr conta sempre umas historias daquelas que se nao existissem tinham de ser inventadas...

    ... e a mim, parecia-me deliciosa a historia de um que 'coleccionasse' carteiras!

    nada disse com intuito de rebaixar a sua classe, descansado!

    era mais pelo gosto na existencia de tal personagem!


    bem haja



    PS nem a proposito

    acabei de recordar a historia de um presidente europeu que durante uma visita a america do sul, diplomaticamente desviou un boligrafo.

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  10. a proposito de embaixadores colecionadores, ouvi falar de um que colecionava bengalas, de outro vasos de noite (ie. bacios ou penicos antigos ou mais recentes)e de outro, grande amador de teatro e concertos, que guardava todos os bilhetes das funções a que tinha ido durante pelo menos 30 anos

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  11. Anónimo18:18

    Meu caro Francisco,
    O tal A.O bem pode entrar em vigor, como diz, “contra todas os ventos, marés e Graças Mouras (tenho, também, grande apreço por VGM)”.
    “Definitivamente”, como fez questão de sublinhar.
    Agora, a não ser em escrita oficial – e aí sim, faz sentido, já que foi o Estado que o fez aprovar (contra ventos, marés, Graças Mouras e muitíssimos outros cidadãos entre os quais me incluo - orgulhosamente), não vejo a quem esse “definitivamente” se aplica.
    O A.O não obriga o cidadão livre. Obriga os funcionários do Estado, que o fez aprovar e às escolas e respectivos alunos. A mim – enquanto cidadão, sublinho, “enquanto cidadão” – não obrigará, certamente.
    Registo com curiosidade o facto de começar a ser recorrente esta sua referência ao dito A.O aqui no seu Blogue. Não considere tal observação como uma crítica. Respeito o seu “entusiasmo” relativamente ao dito, como espero que respeitem quem é – assumidamente – contra. Como eu – e muitos outros.
    Como dizem no Havai:
    Ahoa!
    P.Rufino

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  12. e um matrimónio de diplomatas que possuia, desconheço como será actualmente, cerca de 670 canetas, a maioria de tinta permanente, das quais 285 montblanc.
    As carteiras referidas noutro comentário podem ser várias coisas, pois a palavra usa se para designar varios objectos ou para situações financeiras e até se pode prestar a equivocos divertidos.
    Tambem não me lembro de haver lido essa historia no blogue

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  13. Ai Senhor Embaixador
    No passado, de certo foi cruzado. Como admiro a sua persistência. Mas, a menos que não deixe entrar nesta sua casa os que escrevem sem Acordo, eu continuareia a grafar como sempre.
    E só de pensar que lerei Eça, Camilo ou Pessoa na nova versão, até me dá um calafrio!

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  14. Caro P. Rufino: deve haver um equívoco. Eu não gosto deste Acordo Ortográfico, da mesma forma que não gosto, mesmo nada, de ter de mudar de maneira de escrever nesta fase da vida. Acho, além disso, que o Acordo está cheio de incongruências, tem soluções menos boas e induz, por vezes, à confusão.

    A reação contra este Acordo é idêntica às que houve contra as reformas anteriores, que aí estão hoje a ser aplicadas e... a ser mudadas.

    Depois de ouvir e ler muita gente, acho - e isso para mim é o mais importante - que este Acordo, com todos os seus defeitos, contribui, ainda que minimamente, para que as diferentes formas de escrever em português pelo mundo se não afastem ainda mais.

    E, como cidadão, sendo o Acordo uma lei da República, acho que devo cumpri-la, goste dela ou não.

    Quanto à escrita do quotidiano, claro que você ou qualquer outra pessoa pode manter a escrita antiga.

    Tenho uma tia, muito velhinha que, há meses, escreveu "hontem", num recado para os netos. Você vai acabar a vida a escrever "actual", "recepção", "activo" e coisas assim, para gáudio dos seus. Mas como eu não tenho netos...

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  15. Cara Dra. Helena Sacadura Cabral: já pensou o que diriam Camilo, Eça ou mesmo Pessoa se hoje lessem os seus próprios livros, aqueles em que nós aprendemos a gostar da sua escrita, não obstante as duas reformas por que a língua portuguesa já passou? Deixaram de ter graça porque a "pharmacia" ou o "hontem" já não são o que eram?

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  16. Anónimo21:04

    Meu caro Francisco,
    O seu parágrafo “uma lei da República” que, como refere, deve ser para cumprir, tanto quanto sei, sublinho, não obriga o cidadão livre a escrever como tal. A dita lei é, valha-nos isso, bastante benevolente, só obriga - quem tem de a cumprir. Como os funcionários e agentes do Estado. Bem como, no Ensino.
    De resto, sendo nós uma Democracia, a dita dá-nos a liberdade de não a respeitar na nossa vida quotidiana privada. Como aliás muito bem reconhece logo a seguir.
    Meus filhos e sobrinhos, gente na casa dos 20, felizmente rejeitam e recusam, frontalmente, o tal A.O. Escrevem como eu. E como os seus pais.
    Talvez os netos um dia venham a seguir o A.O. Mas, creia-me, terão sempre neste, então, velho avô e sobretudo nos pais, meus filhos, alguém que os ensinará a escrever “como deve ser”, ou seja, sem ser por Decreto. Assim tencionamos fazer cá na nossa muito alargada família!
    Despeço-me com um “não” ao A.O, embora respeitando em absoluto as decisões do Estado!
    Boas Férias!
    P.Rufino

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  17. Anónimo21:55

    n sei prq s procpam tnto com
    acordos ortograficos, n gente cota q smpre deu erros e vai cntinuar a dar e a malta jovem fala bue e ja nem precisamos d portugues para comunicar. esta linguag e mto + evoluida e + curtida...
    agora digam la que n entendem o q aki ta scrito. acordo? bah!

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  18. Senhor Embaixador
    Quem me dera escrever "pharmacia" et... aller à la pharmacie, juste au coin de la rue tout près de chez moi, como costumo dizer...
    Mas eu não sou obediente. Nunca fui.
    E não acredito nas vantagens deste Acordo. Por isso faço o meu 25 de Abril da língua portuguesa. Revolto-me, não cumpro e um dia serei presa por isso.
    Já tive os filhos presos. Agora será a vez deles terem a mãe dentro.
    Todos temos direito às nossas pequenas revoluções... e eu a ser como a Passionária!
    :))

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  19. Anónimo22:35

    Interessante de conciliador.
    Isabel Seixas

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  20. Cara Dra. Helena Sacadura Cabral: ninguém vai preso por uma consoante muda ou por um hífen fora do sítio. Os que "se metem com o" acordo não "hádem" que temer nada...

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  21. Acho graça aesta discussão bizantina, particularmente ao "anónimo das 15:24" que nos brinda no seu texto com as seguintes pérolas:
    - simpaticos em vez de simpáticos;
    - ortografico em vez de ortográfico;
    - brasil em vez de Brasil;
    - ate em vez de até;
    - nao em vez de não;
    - poeticos em vez de poéticos;
    - compaixao em vez de compaixão.
    O homem/mulher não tem acentos no teclado ou não os sabe usar para além de empregar mal as reticências.
    De qualquer modo não se cuibe de perorar sobre o A.O.
    Por amor de Deus.

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  22. Anónimo23:54

    O post está o máximo, mas o conjunto de comentários está genial.

    Senhor Embaixador, escreveu uma das duas "palavras" que me irritam solenemente - "hádem"... e a outra é o "prontos".

    Por falar em "hádem", lembrei-me da célebre frase do Jorge Coelho proferida em plena Assembleia da República - "Hádem", senhor ministro? "Hádem"?

    E por falar em Jorge Coelho, lembrei-me de um excelente slogan a favor do A.O.:

    "Quem se mete com o Acordo Ortográfico leva!"

    Isabel BP

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  23. Anónimo00:53

    Eu sou pelo Acordo, ora Eça! Mas ninguém obriga ninguém a sê-lo. Porque lá diz o Povo, com um selo e com um conselo, digo, consolo.

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  24. Anónimo02:06

    Caro P.Rufino
    (e outros caros/as e nobres cavaleiros/as anti-A.O.)

    Mas é por decreto que hoje escreve 'como deve ser', valha-nos a santa! Cumpre dois decretos ditatoriais:
    - Decreto N.º 35 228, de 8 de Dezembro de 1945 (assinado por Carmona, Salazar e Caeiro da Mata), que aprovou o Acordo Ortográfico de 10 de Agosto de 1945
    - Decreto-Lei n.º 32/73, de 6 de Fevereiro (de Marcello Caetano e Veiga Simão), que eliminou os acentos circunflexos e os acentos graves nas sílabas subtónicas dos vocábulos com o sufixo mente e dos iniciados por z.
    Só que não eram decretos de democracia nenhuma, pelo que ninguém se pôde negar a cumpri-los.
    FG

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  25. Anónimo02:36

    em primero lugar
    da gozo esta pequena maravilha democratica que a net permite.

    em segundo
    estara no meu direito perorar o acordo?

    por fim
    existira uma versao correcta de se expressar numa lingua?

    qual é a versao mais 'hadem' ou 'hao de'? 'queda' ou 'caida'?
    porque?

    ha quanto tempo se utiliza 'hadem'? (forma falada)

    se um determinado grupo social utilizar uma determinada expressao com um determinado sentido, existe legitimidade em dizer que essa forma é incorrecta?
    porque?

    qual é a forma do portugues em que o estado se deve expressar ao seus cidadaos por via falada/ via escrita?
    porque?

    diz o nosso embaixador
    'para que as diferentes formas de escrever em português pelo mundo se não afastem ainda mais.'
    qual é o problema?
    nao é essa a ordem natural das coisas?


    bem haja

    dvel

    PS

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  26. Anónimo03:21

    Caro FSC
    Dupont et Dupond, no original, ou Dupond e Dupont na versão portuguesa?
    A questão é séria e controversa, apesar de marginal em relação ao Acordo Ortográfico...
    Adotei, consciente e patrioticamente, a nossa língua, uma vez que estou em Portugal e comento em português - e vem querer corrigir-me!
    Ó céus! Já não há patrioteirismo! Diria mesmo mais: patrioteirismo já não há!
    FG

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  27. Anónimo10:30

    PRECISAMOS

    De uma ancoragem
    De perdidos
    Batizada da voragem
    de sombra aos caidos
    de razões iludidos
    e lá vamos

    Juntos separados e unidos
    Isabel seixas

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  28. Caro Fernando Frazão,

    Não se COÍBA de criticar quando achar necessário, mas pelo menos passe o seu texto pelo corrector (ou corretor) ortográfico.

    Bom fim de semana

    JMC

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  29. Senhor Embaixador
    "Prontos, não hadem os rebentos ir ver-me á prisa - a nossa, não a espanola -, mas será porque já não tenho idade para isso. Todavia, coitados, hadem ser sempre vistos como os filhos da do contra".

    Cara Isabel BP
    Aos prontos, aos hadem, junte: ca mão, co carro, tás numa boa, memo giro, bora ir, numa naice, que agora se me chegaram ao espírito!

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  30. Caríssimo Embaixador Francisco Seixas da Costa,

    É, com efeito, um texto magnífico que recria com muita habilidade e um assertivo bom humor as novas regras ortográficas. Por mim, estou na dúvida se devo adoptar/adotar a antiga forma ou a nova ortografia enquanto não as tiver assimilado todas ou, pelo menos, a maioria das novas regras.

    Penso que o texto aqui apresentado mostra bem o sentimento que está entranhado nos portugueses que aprenderam a escrever na velha grafia. Hoje já me deparei com uma sensação contrária à habitual: senti estranheza com uma parangona escrita num jornal na forma antiga.

    Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
    www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

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  31. Anónimo00:33

    A velha senhora, ts sempre, propôs-se rimalhar 'Despedidas' de que muito gostou. O post já mereceu muitos e bons comentários e a rimalhice é grande demais, pelo que nem eu nem ela estranharemos que o Autor do blogue decida não publicar (a literatura nacional - mundial? - é que ficará a perder, mas enfim…):

    no teclado escrevo acção
    e por pirraça ou magia
    cai um c sem proteção
    seleta a nova grafia
    interceta as consoantes
    que a mais estavam lá antes

    em espetáculo espetadores
    e espetadores no frango
    na redacão redatores
    que eretos 'stão não me zango
    atue ator no quarto ato
    que eu discreta ato o sapato

    em antirroubo e autorretrato
    cai o hífen e entra o erre
    correta união de facto
    que a atualidade prefere
    divórcio há-o é no 'há de'
    fracionaram de verdade

    para a coletividade
    manos es veem-se gémeos
    e um deles perde o chapéu
    o mês perdeu dignidade
    sem razão pra privilégios
    as maiúsculas perdeu

    atual eu e atuante
    o c sim me dececiona
    já me foi ótimo amante
    agora em nada me aciona
    o meu digamos afeto
    c que abjeto ex-arquiteto 


    outros virão jovens vivos
    suscetíveis proativos
    que me farão sentr bem
    co'a lingua que a gente tem.

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  32. Anónimo23:37

    Caro Senhor Embaixador,

    Leitor assíduo do seu blogue, há muito que me revejo nas convicções que subjazem aos seus textos.

    No entanto, muito sinceramente não percebo como pode fundamentar a sua adesão ao Acordo Ortográfico...

    Por falta de espaço e de tempo, não posso dar-me ao luxo de fazer um inventário dos argumentos contra o Acordo, por isso humildemente lhe peço que me explique quais são, a seu ver, as vantagens da sua aplicação.

    Cordialmente,

    Pedro Afonso Lages dos Santos

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  33. Anónimo18:37

    Afinal, quem foi o autor desse texto? É possível saber-se?

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