quarta-feira, maio 25, 2011

Lobo Antunes

Há um notório fascínio, em França, pela escrita de António Lobo Antunes. Com exceção de dois dos seus livros, toda a obra do escritor português está já traduzida em francês. Ontem, no centro cultural da Gulbenkian - que estás prestes a mudar de endereço, aqui em Paris - Lobo Antunes falou, para umas largas dezenas de atentos ouvintes, sobre o modo como um livro nasce.

Na sua exposição solta, de mais de uma hora, deu exemplos curiosos sobre a experiência de alguns autores e, com grande franqueza, não se eximiu a expor a sua (às vezes chocante) hierarquia de preferências literárias, dando também notas sobre o modo como avalia o estado atual da literatura em diversos países. Na resposta a uma pergunta, referiu que talvez nunca viesse a escrever "o" livro, considerando que a consumação de uma obra, para um escritor, seria o "encadernar da vida". E, citando John dos Passos, concluiu que escrever é, no fundo, "passear pela rua".

A contrastar com a cruel ironia que marcou muito da sua palestra, pude observar, horas depois, toda a frágil sensibilidade do escritor exposta na emoção com que evocou, num pequeno grupo, a saudade do seu íntimo amigo Ernesto Melo Antunes.  

16 comentários:

  1. Parece incrível, mas ainda não li nenhuma obra deste senhor...
    Eu ia escrever nada de nada, mas corrigi a tempo, pois costumava ler os seus artigos na revista Visão.

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  2. Curiosamente a minha relação com o escritor e o homem é complicada.
    Umas vezes gosto do primeiro e não gosto do segundo. Outras vezes é o contrário. Mas, raramente têm coincidido. Tenho pena!
    Em algo, porém, sempre estivemos de acordo: na estima e admiração por Melo Antunes!

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  3. Anónimo21:21

    Conheço-o desde as carteiras do Liceu Camões. É um homem muito difícil. Eu lembro-me dele perfeitamente; ele diz que não se lembra de mim. Os génios têm coisas assim...

    ... e concordo com a Helena Sacadura Cabral.

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  4. Tentei ler Os Cus De Judas e não passei da terceira página. Não volto a comprar outro.
    Gostos..

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  5. Ah! mas ando maluco com o manuscrito original do On The Road do Keruak!
    Comprado no mesmo dia.
    Gostos..

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  6. Anónimo01:31

    Li tudo do nosso grande escritor e de quase tudo gosto muito. Opinião de anónimo, eu sei, não conta, mas conta e muito, para mim, o gosto da 'minha' velha, que tem nome (a revelar quando e se lhe aprouver), Pois adora o Lobo Antunes e com seus escritos se regala, até por ser, diz ela, homem bonito e capaz de usar palavrões sem medo. (A velha é ts e lê poesia erótica e satírica, de Martim Soares a Adília Lopes, cada noite. Que fazer-lhe?)

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  7. Anónimo09:22

    Pois eu partilho o fascínio dos Franceses...E não só.

    Ando e andarei a ler os Mal-Entendidos...

    Não faço grande questão de o conhecer por outra via, é médico...
    e eu sou Enfermeira.
    Isabel seixas

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  8. Anónimo09:36

    Ai... sr. Embaixador Que gaffe confundi o "Nuno" com o "António"

    Não que não sinta o mesmo face ao "António"...

    Mas os Mal entendidos são do Pediatra Nuno não do Psiquiatra António... Por favor corrija-me se possível.
    obrigada

    Isabel Seixas

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  9. Cara Isabel Seixas: pode ter confundido, mas o efeito é o praticamente mesmo. António Lobo Antunes também é médico.

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  10. Por falar em Lobo Antunes e Melo Antunes, acabei há horas de reler o seu Manual dos Inquisidores onde o primeiro dedica a obra ao seu capitão de há vinte e cinco anos.
    Ainda tenho aquele "eu" final atravessado na garganta...

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  11. Anónimo10:50

    Cara Isabel Seixas
    Congratulamo-nos, a velha e eu, por conosco comungar da fruição dos Lobo Antunes. Só que a velha insiste que o António é um pão e que gostaria de o conhecer por qualquer via. Diz o mesmo do Nuno, mas tem consciência da diferença de idades e medo da Filipa. (A 'minha' velha é médica - reformada - e adora trabalhar com colegas).

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  12. Assisti, há tempos, a uma sessão de homenagem a Ernesto Melo Antunes, promovida por alguns amigos, na Gulbenkian.
    A genuína emoção que de António Lobo Antunes falando da sua amizade, (quando descreveu, por exemplo, a inutilidade de troca de palavras entre os dois que prolongava os silêncios, por vezes por horas, quando se encontravam) foi contagiante.
    Confesso que tive os olhos cheios de lágrimas e notei que estava longe de ser o único.

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  13. Anónimo12:37

    Oh!!!!!!!!!
    Sr. embaixador e caro anónimo ...
    Que deferência...

    "Consciência"(Mais com António Damásio) da diferença de idades...Que sensatez "sensaborona" e cómoda a da nossa Amiga Velha, assim já acredito ...
    É mesmo por aí que se envelhece
    Medo... Hum Não me vai dar razão?!

    Agora a proximidade real às vezes desvenda a fantasia do encanto...

    Dar conCelhos só o de Chaves...
    Mas diga -Lhe que chega-me auferir da obra escrita e gosto de quase toda dos dois manos.
    (Também são mais que as mães)

    não me permito autoridade moral para ajuizar sobre a obra como profissionais de saúde, simplesmente não sei.

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  14. Caro "zamotanaiv", comigo passou-se o mesmo, com a diferença de que não cheguei com o livro à caixa registadora... :)

    Quanto mais ouço e leio sobre este escritor mais me apercebo de como são ridículas certas comparações e rivalidades que se querem criar entre "artistas da palavra"...

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  15. Ler António Lobo Antunes é encontrar nos seus livros profundos traços dos brilhantissimos e inesquecíveis « O que diz Molero » de Dinis Machado e « Autópsia de um mar de ruínas » de João de Melo. Também foi um imenso prazer ler « Yaka » de Pepetela. A influência desses escritores portugueses é mais que óbvia no estilo dele sobretudo em « As naus » e « A ordem natural das coisas ».

    Em França uma faceta de ALA (para juntar as siglas propostas há pouco) sempre verificada nas suas entrevistas é de nunca mentionar escritores portugueses! Nesses momentos, ouvir a sua conversa deixa a impressão que não temos, nem mais nem menos, nada de relevante para assinalar... antes dele!? Mas quais outros? Um ALA não aparece para falar da obra dos outros portugueses! E depois, não há tempo para tudo: e logo vem uma carregada lista de autores de varios paises que isso sim, que se diga, só pode ser a prova do peso da sua cultura.

    Domingo 3 de abril passado, no quadro do programa da MC93 de Bobigny, a peça "L'état civil"(em Francês numa adaptação de Georges Lavaudant)foi transmitida na emissão "Fictions/Théâtre et Cie" de France Culture. Todo mimado, ALA aproveito o convite para sublinhar duas vezes a seguinte notícia: « de todos, o meu escritor preferido é espanhol! Estou a falar de [ nome incompreensível... terá exagerado a pronúncia ou será ignorência minha? ] do século XVI. E, ainda mais mimado, o luso « caramelo » chamado para o oficio, de declamar ums versos do dito espanhol,claro, na versão original. Enfim, António Lobo Antunes no seu esplendor...

    António Lobo Antunes terá iniciado uma variante daquela patética propaganda a relembrar um Saramago de triste memória? As regalias pagas pelos espanhóis abriram-lhe o apetite?
    mpereiradecastro

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  16. Caro mpereiradecastro, talvez tenha sido Francisco Quevedo que o ALA (pronto...) referiu.

    Quanto ao grande, ao enorme Saramago (assim dita o meu gosto por ele os adjetivos), há que lhe dar o desconto de alguém que, com avançada idade conheceu uma trintona engraçada... Pode acontecer a todos: o resto, é folclore e sopa caseira. :)

    Garanto-lhe que Saramago sentia Portugal como muitos "patriotas" não sentem.

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Os saudosos

Observando a triste reação do governo face ao legítimo exercício do direito à greve, só posso concluir aquilo de que sempre suspeitei: um se...