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terça-feira, maio 17, 2011

Justiça

Todos vivemos, desde há décadas, com o mundo judicial americano perante os nossos olhos, pelas centenas de filmes e séries que fomos consumindo, pelas cenas das audiências e de interrogatórios cruzados que fazem parte do nosso imaginário.

Um dia, na minha adolescência, fui assistir, presencialmente, a um julgamento num tribunal português. Lembro-me de ter ficado surpreendido, porque a realidade que observava, em toda a sua liturgia e coreografia, era substancialmente diferente daquilo que eu considerava normal. É que a "normalidade", para mim, eram Perry Mason e outras personagens desse universo judicial onde se jura sobre a Bíblia.

Lembrei-me disto ao ver, há minutos, já não em ficção mas em crua realidade, Dominique Strauss-Kahn, com algemas nos pulsos, a comparecer, sob a curiosidade das câmaras de todo o mundo, a um tribunal novaiorquino. Chocou-me o tratamento humilhante a que um suspeito é sujeito nos Estados Unidos, numa exposição cruel e prematura da sua imagem, sem direito à uma proteção salvaguardadora da presunção legal de inocência, nesta fase primária do seu processo.

Dir-me-ão que cada sistema judicial tem as suas regras, que a justiça americana é eficaz e deve ser respeitada nos métodos que utiliza, pelos vistos aceites pelos seus cidadãos. Concedo que assim possa ser. Contudo, ninguém me pode negar o direito de pensar que, tal como considero bárbara e inaceitável a pena de morte, tal como lamento que os EUA eximam os seus cidadãos ao Tribunal Penal Internacional, há aspetos do sistema americano de justiça que ficam muito àquem dos valores de civilização a que devo obediência. Mesmo sem Bíblia.

Gosto demasiado da América para me privar do dever de dizer aquilo que nela não gosto.   

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