terça-feira, maio 03, 2011

Depois de Bin Laden

Ontem, durante o noticiário das 19.00 da SIC Notícias, conversei com Teresa Dimas sobre o caso do dia: a morte de Bin Laden. Limitei-me a dizer algumas coisas óbvias, nesta fase em que apenas nos é possível avançar suposições.

Devo dizer, que ao ver as peças que antecederam a entrevista, senti alguma incomodidade com as imagens de celebrações alegres em torno daquela morte. Bin Laden era um criminoso, autor moral de milhares de mortes. Os mesmos valores que me levam a apoiar empenhadamente a luta anti-terrorista obrigam-me a não poder comungar um júbilo público por uma morte. Mas, porque não vi muita gente preocupada com isso, deduzo que devo ser eu quem está equivocado.

A saída de cena de Bin Laden, sendo uma notícia que pode prenunciar tempos de esperança na atenuação das tensões no Médio Oriente e Ásia Central, não pode deixar lida em conjugação com a instabilidade em todo o mundo árabe, tornando a equação geral com um resultado de muito difícil antecipação, em especial para atores que se atribuem responsabilidades à escala global, como é o caso dos Estados Unidos. 

Talvez por esse motivo se compreenda melhor a frase que João Vale de Almeida ontem nos dizia ter ouvido a Brent Scowcroft, o antigo "National Security Advisor" de administrações republicanas, procurando caraterizar o delima americano, em face do estado geral do mundo árabe: "Sentimo-nos como um malabarista que, ao mesmo tempo que procura circular e manter no ar as bolas que manipula, tem a necessidade de ir preparando um "souflé" ". Ou, lido por outros modos: alguma coisa pode falhar.

Em tempo: sobre este tema, publiquei hoje no "Diário de Notícias" um curto artigo.

15 comentários:

  1. Meu Caro Francisco,agradeço-lhe a lucidez com um abraço forte.

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  2. Anónimo14:36

    Sr. Embaixador, saiba que não é só o Senhor 'que deve estar equivado'.
    Aliás chamo a sua atenção para os termos do comunicado do governo português, sobre o assunto.
    A decência. A decência Sr. embaixador, cada vez há menos porção dela.
    Aceite os meus cumprimentos,
    JCM

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  3. Anónimo14:44

    Espero enganar-me mas parece-me que virá aí uma vingança bem mais grave do que o 11 de Setembro

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  4. Prevejo que , em breve, aparecerão os acólitos habituais do "pensamento único" a bradar que quem não se regozijar com a morte do terrorista-mor não passa de um seu partidário encapotado.
    Tão certo como o pilriteiro dar pilritos.
    Compreendo o lançamento do cadáver à agua; sempre é melhor do que atirar à água presos políticos vivos, como fizeram alguns dos que a mesma malta venera ou, pelo menos, não é veemente a criricar.
    E, afinal, também compreendo o assassínio como "ultima ratio" da política.
    É bom evitar que as campas dos grandes criminosos se transformem em lugares de peregrinação.
    Mas os EUA nunca escaparam à suspeita de que o assassínio impediu, convenientemente, um processo que traria alguns incómodos.
    Para que não restem dúvidas, faço a "declaração de interesses": não tenho a mais pequena pena do personagem nem sinto qualquer réstia de simpatia ou compreensão por Bin Laden ou pelos fanáticos religiosos seus discípulos (ou outros).

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  5. Completamente de acordo com o 2° paragrafo deste post, eu diria mesmo como dizem os franceses : "Nous n'avons pas les mêmes valeurs !"

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  6. Anónimo17:19

    A este propósito, já ouvi dizer que o presidente do Perú disse que a morte de Bin Laden foi o segundo milagre do beato João PauloII rumo à sua santificação... Enfim!

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  7. Um terrorista
    sabe o que arrisca.
    Sabe que a sua vida estará sempre a preço e por um fio.
    Digamos que bin laden, tal como os terroristas suicidas que o serviram e colaboraram com ele em atentados, sabia que poderia tambem morrer pela causa que liderava.
    Será um martir segundo as suas crenças e ideologia, tal como os outros que se imolaram.
    Retaliações? É possivel, mas tal como acontece com outros grupos, as brigadas vermelhas, o ira, a eta, as farc, a prisão ou morte de figuras de chefia debilita e desmoraliza sempre a organização.
    Claro que o terrorismo não vai acabar com o que aconteceu, tal como as mafias, a criminalidade não acabam por membros seus serem detidos.
    A operação contra bin laden foi um acto da guerra contra o terrorismo internacional, tal como foram os atentados que al caeda planeou.

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  8. Não há equívocos, há muito mais quem não festeje a morte de ninguém, mesmo discordando em absoluto de quem tenha morrido como fez morrer gratuitamente tantos milhares de vezes, só porque...

    Quando Savimbi foi morto, acabou a guerra em Angola, lembram-se? Mas Savimbi era um líder, era um comandante, era um guerrilheiro, estava lá, e era lá que a guerra se fazia.

    Com despretenciosismo total neste comentário, penso que com Bin Laden tudo é muito diferente. Ele era e será acima de tudo o mito inspirador de ditos mártires para continuarem a praticar chacinas.

    Nem sim nem não, "nim" quanto a preconização de retaliações ou vinganças, só o tempo o dirá, mas quantas das células ou microcélulas ditas da Al-Qaeda não usam o nome apenas para lhes dar status, sem provavelmente terem nunca terem tido um contacto,recebido uma ordem ou instrução de Bin Laden ou da sua "hierarquia"?

    Era bom que a lucidez já aqui referida prevalecesse, e entretanto, como se dizia há meio século... cautela e caldos de galinha...

    Um abraço

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  9. Anónimo22:25

    "senti alguma incomodidade com as imagens de celebrações alegres em torno daquela morte. Bin Laden era um criminoso, autor moral de milhares de mortes. Os mesmos valores que me levam a apoiar empenhadamente a luta anti-terrorista obrigam-me a não poder comungar um júbilo público por uma morte. Mas, porque não vi muita gente preocupada com isso, deduzo que devo ser eu quem está equivocado."

    Não, não está equivocado. O júbilo público por uma morte, mesmo de um personagem sinistro como Bin Laden, responsável directo e indirecto de milhares vidas, constitui, em si mesmo, um sinal de degradação moral da vida política americana. O que é ainda mais lamentável é que o Presidente Obama, Prémio Nobel da Paz, não nos esqueçamos, fez uma referência elogiosa às manifestações populares.

    Paulo Santos

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  10. Anónimo22:39

    um americano anunciou ao mundo

    Querubim Laden morto

    :)

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  11. http://paradadocorgo.blogs.sapo.pt/478508.html

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  12. Sadam... O mundo melhorou?

    Laden... o mundo vai melhorar?

    Laden lutava por DEeus...

    Obama agradeceu a Deus...

    O casamento real foi uma benção de Deus.

    A morte de Bin foi o 1º milagre do recém Beato João Paulo.

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  13. Entre Santos e Pecadores, peço desculpa ao Paulo Abreu e Lima.

    Afinal havia outro milagre.

    Enfim...

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  14. Anónimo07:45

    Pois identifico-me com o Seu post linhas e entrelinhas...

    Na base da impotência equaciono-me sempre da possibilidade de estar tudo nas mãos de um Deus e que será tudo como Ele quiser...
    Isabel Seixas

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  15. E eis que, uma verdadeira semana Walt Disney se termina...o principe casou-se e o mau morreu !

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Os saudosos

Observando a triste reação do governo face ao legítimo exercício do direito à greve, só posso concluir aquilo de que sempre suspeitei: um se...