Aquele meu amigo português estava a ter dificuldade em descobrir, nas campaínhas do prédio, o andar da pessoa a casa de quem ia jantar, naquela noite, em Bruxelas.
Na indecisão, ligou para a porteira. Esta acabou por assomar à porta. Era uma mulher nova que, rapidamente, percebeu ser portuguesa. O sotaque da senhora era, iniludivelmente, alentejano. Por curiosidade, o meu amigo perguntou:
- De onde é que é, no Alentejo?
- Eu não sou do Alentejo.
Um pouco surpreendido, ele voltou à carga:
- Não é do Alentejo. Então onde é que nasceu?
- Eu nasci aqui, em Bruxelas. Nunca vivi no Alentejo, mas já lá fui de férias, duas vezes. É uma terra muito bonita. É a terra dos meus pais, que trabalham aqui na Bélgica, há mais de 30 anos.
E disse tudo isto com um forte e belo sotaque alentejano.
São estas as malhas que a nossa diáspora tece.

Ao contrário a minha porteira em Paris, que é portuguesa, quando lhe falo na nossa língua responde-me em francês. O marido e os filhos vêm a Potugal e ela não, porque diz que o país que a fez sair não merece ser visitado. Um filho é hematologista e dos bons e a filha é arquitecta bem sucedoida.
ResponderEliminarMágoas!
O meu amigo Jorge também nasceu em Paris.
ResponderEliminarOs pais são portugueses, mas ele não sabe falar português.
Mas o Jorge é perfeitamente bilingue: fala francês, claro, e... Mirandez.
É que os pais do Jorge continuam a falar Mirandez em casa – a língua que falavam na aldeia, antes de emigrarem para Paris.
O Jorge ainda tentou falar-me em Mirandez, mas depressa optámos pelo francês...
Carlos Pereira
Sem sairmos do Alentejo...
ResponderEliminarContava o meu avô que um individuo da minha terra (Moura) foi para Beja assentar praça e quando de la voltou e até ao final da vida falou "à Lisboa" : )))))
Ja uma das minhas filhas, nascida em Paris de pai girondino e mae alentejana, fala português com sotaque alentejano...e Caleiro (alcunha dos habitantes de Moura) !
No que me diz respeito, o Alentejo estara comigo SEMPRE nao so no meu sotaque mas na mina forma de viver : continuarei até ao fim dos meus dias a assomar-me, a aventar, a abalar e a fazer...a marrafa aos meus filhos : ))
Nao sei porquê mas gostei do post de hoje ! ; )
De matiz à sombra, divinal...
ResponderEliminarIsabel seixas
A imagem, claro.
fotografia tirada na primavera, abril, primeiros dias de maio.
ResponderEliminarAs cores são devidas às coberturas de diferentes flores em cada uma das zonas.
Outra possibilidade é que esteja retocada.
O alentejano emigra pouco, mas sempre se encontram alguns.
Caríssimo Embaixador Francisco Seixas da Costa,
ResponderEliminarO Alentejo pela sua indizível beleza marca os portugueses, os seus descendentes e os estrangeiros que o conhecem. Só a poesia e o canto alentejano o pode retratar na perfeição.
A paz e a beleza das suas paisagens, a hospitalidade dos seus habitantes no trato e no sotaque encantador e na gastronomia que regala os apetites dos turistas que o visitam são, verdadeiramente, inexprimíveis para quem o desconhece. Quem é marcado pelo espírito alentejano fica com uma forte identidade cultural que, apesar das formatações Globalizadoras, permanece fiel ao seu legado tradicional.
Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt