segunda-feira, janeiro 11, 2010

Rohmer


É, com toda a certeza, uma questão geracional, mas marca-me cada vez mais a desaparição de personalidades cujas obras funcionaram como "tijolos" da própria construção daquilo que sou. Há pouco, pela televisão, chegou-me a notícia da morte de Eric Rohmer.

Por instantes, veio-me à memória um ciclo de cinema francês, numa sala perto da avenida de Roma, em Lisboa, no início dos anos 70. E recordei-me dos seus "Contes Moraux". Dos embaraços à beira-lago da figura de Brialy, no sempiterno "Genou de Claire". Das angústias existenciais da personagem de Trintignant, no "Ma nuit chez Maud" (na imagem), filme que me levou a ler Pascal e que me criou uma ideia mítica de Clermont-Ferrand. E do inesquecível "L'amour l'après-midi", de onde um amigo meu retirou o dito magnífico de que "mais vale à tarde do que nunca"...

Ao rever agora a filmografia de Rohmer, dou-me conta dos vários filmes dele que ainda não conheço. Fica-nos essa sua magnífica herança.

Porém, que deste post não nasçam confusões: tal como Philippe Séguin, desenhado ontem à tarde no belo discurso de despedida do presidente Sarkozy, sinto-me por vezes melancólico, nunca nostálgico.

8 comentários:

  1. Anónimo02:20

    Senhor Embaixador,
    Interessante.
    Gostei

    Inserido com o endereço em baixo:

    http://maquiavelencias.blogspot.com/2010/01/destaque-historico.html

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  2. Anónimo02:46

    Acha mesmo que é uma questão geracional? Ou será uma questão ideológica?

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  3. Fiz link, Senhor Embaixador... e aproveito para o felicitar não só pela publicação de "Apontamentos" com a chancela do Instituto Diplomático mas, muito em particular, pela excelente entrevista que concedeu à RTP2.
    Votos de um 2010 cheio de sucessos e alegrias.
    Ana Paula Fitas

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  4. Anónimo17:32

    Caro Embaixador, nostalgia não será defeito. Por mim, sinto por vezes noltalgia de tempos de infância, da minha juventude, de momentos que já não voltam, de lugares onde estive e vivi, etc. De pessoas. E tal não quer dizer que prefira o passado ao presente. São coisas distintas. Vivi esse passado como bem entendi, ou pude na altura, vivo o presente como me é possível e encaro o futuro sem problemas. Mas consigo ser também, por vezes, ambos: nostálgico e melancólico, se e quando for o caso.
    Quanto a Rohmer, também sou também de uma geração que viu filmes dele. Pena que o cinema europeu e neste caso o francês, tenha perdido alguma influência por cá. Gostei e ainda gosto do cinema francês.
    Abraço,
    P.Rufino

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  5. De novo boa noite de Londres no meio da neve.

    Antes de ir para a cama ontem a noite comecaram as noticias sobre Haiti. Em choque, acabei por dormir tarde e de manha ao abrir o "Independent" da pagina de obituarios Rommer olhava para mim. O ultimo filme que vi foi o "Raio Verde". Tenho que continuar a ver e rever. Sai agora do BFI onde vi a ante estreia de "A Prophet" que me tinha falhado no Festival.

    J.W.Crabtree continua a iluminar-me... Tenho a certeza que faz o mesmo por ti.

    Saudades

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  6. Anónimo15:06

    Ah, Rohmer e os anos 70... perdemos um pouco da nossa juventude... Clo

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  7. Anónimo09:18

    "Mais vale à tarde do que nunca" - vou guardar esta...

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  8. Cara Ana Paula Fitas
    Só hoje li o seu comentário e, não tendo endereço de mail para lhe responder, aqui fica a minha gratidão pela amabilidade das suas palavras. Quanto à ida à RTP, para além de ter sido um convite muito simpático para apresentar o meu livro, acabou por me transformar em comentador da entrevista do meu ministro. Ri-me bem com ele por isso...

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Estava assim