segunda-feira, janeiro 04, 2010

Espanha europeia

A Espanha assume, desde 1 de Janeiro, a presidência da União Europeia.

Madrid habituou-nos a presidências ambiciosas e bem sucedidas, com sentido estratégico e determinação. Desta vez, a Espanha tem perante si um desafio complexo, porque lhe cabe dar corpo prático ao Tratado de Lisboa. As instituições são também o que vier a ser o seu próprio funcionamento, pelo que os primeiros meses desta transição de modelos terão a maior importância.

Duas áreas são vitais: o papel das presidências rotativas e a fixação do formato do Serviço Europeu de Acção Externa (SEAE).

O Tratado de Lisboa consagra uma opção deliberada em favor das estruturas de continuidade, em detrimento do papel dos Estados a quem compete a presidência semestral. Definir onde termina um terreno e começa o outro é algo que no primeiro semestre de 2010 terá de ficar assente. Porquê no primeiro semestre? Porque o segundo competirá à Bélgica e, com toda a lógica, nele deverá prevalecer a leitura do novo presidente do Conselho Europeu, Van Rompuy.

Já o SEAE, sem Javier Solana e com Catherine Ashton, sofrerá o seu desenho essencial nos próximos meses, sendo interessante perceber o modo como se fará o "merge" das estruturas externas da Comissão e do secretariado-geral do Conselho com os quadros idos dos diversos países. A luta pelo poder está já nos corredores e da sua resultante final dependerá igualmente o modo como os diversos Estados-membros "viverão" a compatibilidade necessária entre o novo Serviço e as suas respectivas redes diplomáticas nacionais.

Madrid vai estar sob o olhar de toda a Europa e o presidente do Governo, Jose Luis Zapatero, vai ter de utilizar toda a sua consabida capacidade negocial para garantir um resultado consensual. Como sempre aconteceu no passado, a Espanha sabe que pode contar plenamente com Portugal para tudo quanto, nesta exigente tarefa, resulte em favor de interesses comuns no plano europeu, que aliem as nossas muitas identidades e compatibilizem algumas das nossas diferenças.

8 comentários:

  1. Como pode o cidadão comum intervir (ou interferir) em matéria de tal ordem complicada onde tudo vai a uma velocidade que nem tempo dá para pensar quanto mais para agir?! E como irão agora os mais “entendidos” da política encontrar os seus “points de repère” com a Presidência rotativa de seis meses e com um Presidente mais estável? É possível que com o tratado de Lisboa se tivesse elaborado um manual de utilização do texto que eu desconheço. Mas se a constelação de instituições se torna numa torre de babel onde não é possível atingir o cume e onde ninguém se compreende virá em seguida o indispensável desmoronamento...
    Aliás, para uma parte importante dos cidadãos franceses o texto de Lisboa entrou um pouco “a martelo”. Eles esperavam poder pronunciar-se sobre a matéria que meses antes tinham rejeitado! E não é porque as vontades para a união da Europa vêm pelo menos desde o Tratado de Roma de 1957 e isto pode parecer um longo percurso que agora é preciso acelerar sem tempo para reflexão...

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  2. Anónimo14:27

    Snr. Embaixador:

    Que susto! Quando, como faço todos os dias, logo pela manhã, abri este blogue e vi o título desta postagem, cheguei a temer que V. Exª, quiçá entusiasmada com a intervenção de D. Miguel Moratinos no tal Seminário Diplomático da pretérita 2ª-feira, vinha verter, neste seu espaço que tanto aprecio, aquela prosa espanholizante que parece estar tanto na moda, aí pelas Necessidades (curiosa metonímia)... Afinal, diz V. Exª o que é importante, sem formulações equívocas e a última frase tem mesmo aquela nota de sábia prudência que, como disse Franco Nogueira (outra vez ele!), "a Geografia impõe e a História recomenda". Faço, desde já e com todo o gosto, acto de contrição do meu receio inicial.
    Falou recentemente em jovens diplomatas: oxalá essa nova geração consiga manter, diplomaticamente, as convenientes distâncias... ibéricas. É este o meu desejo para o Ano Novo.
    Os melhores cumprimentos.
    A. Costa Santos

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  3. "...O presidente do Governo, Jose Luis Zapatero, vai ter de utilizar toda a sua consabida capacidade negocial para garantir um resultado consensual. Como sempre aconteceu no passado, a Espanha sabe que pode contar plenamente com Portugal..."
    Senhor Embaixador, gostaria muito de acreditar na capacidade negocial de Zapatero que, de acordo com as sondagens...já está abaixo de Rajoy. O que me não entusiasma, esclareço.
    E gostaria ainda mais de acreditar que - ao contrário do seu texto - Portugal pudesse contar inteiramente com Espanha na compatibilização das nossas diferenças. Mas não acredito. Talvez porque sendo portuguesa com sangue espanhol sei o quanto isso é difícil.
    Depois, depois o nível de desemprego em Espanha é tão elevado que o Tratado de Lisboa e Portugal vão ser as menores preocupações de Zapata!

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  4. Anónimo22:53

    "Jose Luis Zapatero, vai ter de utilizar toda a sua consabida capacidade negocial para garantir um resultado consensual"

    Bem lá me obrigou a ir traduzir consabida.Tenho de confessar que fiquei defraudada comigo pois tinha-me na consideração, modéstia á parte,de bilíngue e afinal...

    Espanha é na forma de sentir indiscutivelmente a minha terceira pátria... Daí que simplesmente congratulo-me ...
    Isabel Seixas

    PS-Não me revejo, nem consigo,no
    "Em Espanha nem Bom vento nem Bom casamento".

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  5. Herman Van Rompuy, Catherine Ashton, Pierre de Boissieu...
    Quem sao estes desconhecidos para o comum dos europeus que ja seguem com grande dificuldade e por vezes sem nenhum interesse os problemas politico-economicos do seu proprio pais ?

    Certamente que esta primeira presidência de 2010 vai permitir testar muitos dominios mas sera que vai permitir aos europeus de compreender melhor "como funciona a Europa" ?

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  6. Com uma taxa de desemprego a rondar os 20% e com o Tratado de Lisboa a reduzir significamente a importância deste exercício, não sei como é que Zapatero terá condições para liderar o processo de consolidação da política fiscal da União. Quererá ficar para a história como o homem que liderou o velho continente na saída da crise? Importará que o PM espanhol tenha presente que a presidência de Gonzalez da U.E coincidiu com o fim do filipismo.

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  7. A Isabel Seixas deixou-me numa dúvida socrática quanto ao "consabida".
    Vai daí atirei-me ao velho Candido de Figueiredo que apenas referia "consabedor", como aquele que sabe conjuntamente com outrém. Fiquei inquieta. Outrém? Quem?
    Então, fazendo jus à loucura que gastei o Houaiss - meses de economia em vaidades pessoais -, dei com o segredo. Estava afinal certa. Lá vinha: consabido - sabido por muitos ou por todos.
    Por mim, no caso Zapatero, será por muitos. Apenas!

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  8. Anónimo09:33

    Pois Eu peço alvissaras Sra. ...

    E por analogia com Zapatero, de quem até da Mulher gosto...

    Aí vai um espaço de debate que Ele operacionalizou... Mesmo correndo o risco de Ser territorialmente trucidada...

    Claro se o Pai do blogue achar que deve publicar...

    Pairam noções de ridículo
    Ridículas por natural inerência

    Sofro de heterossexualidade
    Sem saber a Etiologia

    Sei que não é hereditária
    Nem congénita
    Adquirida?...

    Agora que me convoquem virtualmente
    Para participar num referendo
    Sobre como autorizar e disciplinar
    A natureza da Sede e Da fome
    Necessidades humanas básicas
    Indivisíveis análogas
    À expressão incontornável
    Da Sexualidade, também nas bases
    Da pirâmide de Maslow

    Por favor...
    Claro que lá irei...

    Ao colo de Maria vai com as outras
    Se for preciso, reconheço
    Os males Menores
    Os disfarces e atentados
    À inteligência
    Consagrar um altruísmo surdo
    Porque mais eficiente
    Nos obriga a calar os gritos
    À luz de uma elegância castradora
    E que nos impede de Ser...

    Não Sei
    Porque nos remetemos á condição
    De fragoas,olhos neurónios e chapéu
    Sem poder caminhar

    Se eu pudesse escolher...

    A minha orientação Sexual

    Escolheria de Bom Grado
    E com justiça...

    Ser Lésbica...

    Claro que gosto:
    Do meu Pai
    Incondicionalmente
    Do meu Filho Apaixonadamente
    Do meu Marido cegamente(Não encontro outra razão)
    Dos meus Primos...
    Dos meus Sobrinhos,Meu Deus
    Como os Amo
    Dos Meus Amigos
    "Trago-os ao Peito"Autor Conhecido


    Mas...
    Como posso privilegiar
    A adesão sistemática
    Ao despotismo esclarecido

    Em detrimento
    Do altruísmo vivido
    Pelas Mães...
    Pelas filhas...
    Pelas mulheres...
    Pelas Amigas...

    Como posso
    Pactuar com o engodo
    Da figura parental Involuntariamente ausente
    Num casamento homossexual

    Quando ela é inexistente
    E sem preparação prévia
    E Sem amor
    E Mais... Sem o Querer
    Em alguns também
    Casamentos heterossexuais...

    Olhe-se
    O exemplo dos Filhos:

    De pais divorciados;
    Que vivem só com os avós;
    Que vivem só com o pai;
    Que vivem só com a Mãe;
    Que vivem só com tios;
    Abandonados
    Órfãos
    Filhos de Deus menor
    De mães adolescentes
    De pais mentalmente doentes

    Enfim...

    Só porque me recuso
    A ostentar méritos que não sei
    Se são Meus...

    Sou Heterossexual sim Senhor...
    Sabem porquê?

    Porque Sim...

    Simplesmente porque não Sou
    Homossexual

    E que sofro de Traição hormonal
    Sofro de ausência de qualquer Química por senhoras...
    Que injustiça
    Mas se um dia puder e conseguir ... Mudo

    Por isso
    Se Houver referendo Vou
    Embora saiba muito Bem
    Que neste...
    Nem sequer tenho O Direito...



    Continuam a...
    Pairar noções de ridículo
    Ridículas por natural inerência
    Isabel Seixas

    PS Tudo isto para dizer que sou Transmontana, com muito orgulho,mas acredito que a obtusidade Não tem aqui lugar cativo e transmite-se de forma globalizada e com a leviandade da culpa formada...

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"A Arte da Guerra"

No podcast "A Arte da Guerra" desta semana, aborda-se o Irão, a Arménia e a Hungria. Pode ver e ouvir aqui .