sábado, 12 de agosto de 2017

Conversa onomástica

Ele tinha ido visitar o meu embaixador. Era um homem da cultura desse país, uma figura relativamente conhecida, que eu já tinha encontrado noutras ocasiões. Ia a sair da embaixada, cruzámo-nos na escada, cumprimentei-o e convidei-o a entrar para o meu gabinete. Estávamos a falar da pessoa em casa de quem nos tínhamos visto pela última vez quando, subitamente, ele me surpreendeu com a pergunta:

"Tem visto o Seixas da Costa?"

"Tenho...", saiu-me, com um sorriso.

"Estou bastante ofendido com ele. Não responde às cartas que lhe tenho mandado". E prosseguiu com outras queixas, manifestamente dirigidas a um colega que, antes de mim, trabalhara na embaixada e já estava em outro posto.

Porque aquilo tinha o seu quê de divertido, e (vá lá!) por uma pateta omissão lúdica, deixei continuar a conversa, por vários minutos, com ele a referir-se sempre ao "outro" pelo meu nome. Apercebi-me então que começava a ser já tarde para travá-lo. Ficaria seguramente ofendido, perguntando-me por que o não tinha corrigido antes. O meu embaraço crescia: "Você sabe, é que eu era mesmo amigo do Seixas da Costa!". Eu fazia "que sim" com a cabeça, morto para que ele me "desamparasse a loja". E, ao fim de um imenso quarto de hora, lá se foi! Ufh! 

Voltei a vê-lo, tempos mais tarde. Foi como se nada se tivesse passado...

1 comentário:

Helena Sacadura Cabral disse...

História deliciosa.
Mas era engano do seu colega, ou há mesmo dois Seixas da Costa na carreira?
É que se há, convém estar informado...