quarta-feira, 1 de março de 2017

François Fillon

Vai ser penoso assistir à campanha eleitoral da direita democrática francesa, a partir de agora. Não obstante a Justiça ter decidido avançar no processo que envolve os alegados empregos fictícios da sua família, pagos pelo erário público, François Fillon optou por manter a sua candidatura. Fillon joga o "tudo ou nada", numa obstinada ambição de quem desenhou, de há muito, um futuro que pensava acabar no Eliseu. E que pode, afinal, acabar muito mal.

Veremos como reagirão agora os seus apoios políticos e, em especial, se Fillon conseguirá continuar no terreno sem sobressaltos humilhantes. É que nada indica que o "affaire Fillon" deixe de continuar no centro da campanha. 

Será isto uma boa notícia para Marine le Pen, não obstante ela também estar a braços com "trapalhadas" financeiras no Parlamento Europeu? E Emmanuel Macron terá a vida facilitada, agora que os socialistas franceses parecem fortemente divididos quanto a Benoît Hamon?

Não fosse a circunstância de passar pelo desfecho presidencial francês parte importante do futuro coletivo europeu, observar esta eleição podia ser um exercício divertido.

10 comentários:

Luís Lavoura disse...

Paece que Fillon está em segundo lugar nas sondagens, pelo que seria algo incompreensível que ele fosse abandonar a corrida. Ele tem reais e bem concretas possibilidades de ser eleito presidente.

Joaquim de Freitas disse...

O Senhor Luís Lavoura, parece querer justificar que um politico que vigarizou o Estado, isto é os contribuintes Franceses, antigo “colaborador” de Sarkozy, possa ser eleito Presidente da Republica Francesa. Seria terrivelmente prejudicial para a Democracia.

Anónimo disse...

Negativo! Uma sondagem da Ifop-Fiducial hoje divulgada indica as seguintes intenções de voto:

Le Pen: 25,5%
Macron: 24%
Fillon: 21%

Anónimo disse...

o Fillon beneficiou na sua carteita (na economia familiar ) com o esquema mas a Le Pen nada meteu ao bolso para si... Há uma diferença, independentemente do que pensarmos da senhora

Luís Lavoura disse...

Joaquim de Freitas, eu não quero justificar nada. Apenas constato que muitos franceses dizem querer votar em Fillon. Tantos franceses, de facto, que ele tem sérias possibilidades de ser eleito presidente. Numa tal situação, seria estúpido que ele desistisse. Ele não pode desistir quando está tão bem colocado para vencer. E isto nada tem a ver com as minhas opiniões pessoais.

Luís Lavoura disse...

Uma sondagem da Ifop-Fiducial hoje divulgada indica as seguintes intenções de voto:

Le Pen: 25,5%
Macron: 24%
Fillon: 21%


Parece-me razoável que, se o processo continuar no mesmo pé, as intenções de voto em Fillon venham a descer, e que, nesse caso, ele até acabe por desistir. Mas nada nos garante que isso venha a acontecer. Uma só sondagem é inconclusiva.

Luís Lavoura disse...

Fillon beneficiou na sua carteita (na economia familiar ) com o esquema mas a Le Pen nada meteu ao bolso para si...

Le Pen não beneficiou nada para si, pessoalmente, mas terá beneficiado o seu partido, ao arranjar emprego a alguns correligionários. Desviar dinheiro público para beneficiar um partido é tão ilegal como desviá-lo para nós mesmos.

Joaquim de Freitas disse...

Luís Lavoura tem razão: Talvez seja um pouco arrojado de passar um certificado de honestidade a Marine Le Pen , só porque as falcatruas dos assistentes pagos pelos dinheiros comunitários ou do Estado não a beneficiaram pessoalmente.

O que é certo é que estas falcatruas e os vinte e três processos pendentes por outras tantas transgressões, não a impedem de continuar de “pedra e cal” na sua base dos 27% de intenções de voto. E o que é lamentável é que 43% sejam gente da classe desfavorecida, e da classe média, todos aqueles fartos das práticas do microcosmo político tradicional, que os enganaram, roubaram e atraiçoaram.

Claro que também é o resultado do quinquenário que se acaba, no qual o presidente nem correu o risco de se representar, visto o seu balanço deficitário, sobretudo social.
Nunca vi uma derrocada tão significativa dos tenores da classe politica francesa, como esta, na qual os Sarkozy, Juppé, Hollande, e tantos outros foram varridos, e os que emergem não representando mais que a sua sombra, cortados das bases dos partidos à deriva, de esquerda como da direita.

Mas o campeão é Fillon, este senhor LIMPO autoproclamado, bom cristão, demasiado para ser honesto, pai de família modelo, Senhor dum castelo, alugando as suas terras como os antigos senhores medievais, camuflado na máquina estatal há dezenas de anos, e que se revela como outros um delinquente de colarinho branco.
Talvez duma maneira diferente, mais aristocrática, mas não melhor que Sarkozy e Balkany, o maire podre de Levallois.

E que, vítima do seu ego sobredimensionado, da avidez do poder e das suas vantagens, ousa dizer-se vitima dum “assassinato” político! Que desplante! Que leia a história de Allende, Lumumba, Kadafi e outros, para saber o que isso significa…

Esta gente não está ao serviço do Estado, como dizem, mas servem-se dele para o seu conforto pessoal, por não importa qual meio, incluindo o de se autoproclamar Bonaparte para a conquista do poder.

Convocar o Povo de França domingo ao Trocadero, como se fosse De Gaulle, e como se Madame de Gaulle tivesse sido paga centenas de milhares de euros como Penélope…para fazer tricô!

carlos cardoso disse...

"Uma só sondagem é inconclusiva" mas não se trata de uma só: enquanto que Fillon estava à frente de Macron em todas as sondagens até 30 de Janeiro, Macron estava à frente de Fillon em 20 das 23 sondagens publicadas em fevereiro, o que é muito menos inconclusivo.

Joaquim de Freitas disse...

Como sou Português, podia e devia ter acrescentado o nome de Humberto Delgado, assassinado pela PIDE. Isso sim, foi um assassinato politico. Mas Fillon nem sabe quem ele foi...