segunda-feira, 1 de junho de 2015

O café do senhor José

Não muito longe de minha casa, existe o café do senhor José. Não se chama assim, mas é assim que é conhecido na família, que lhe dá preferência, que lhe gaba a simpatia, a atenção do serviço e os doces variados. Passei por lá algumas vezes (para o meu gosto, é exagerada a "walking distance" em relação a minha casa, mas esse é um problema meu) e confirmei amplamente a avaliação feita. Constatei também que, pela exiguidade do espaço onde se aloja a clientela, anda-se lá dentro um pouco aos encontrões, mas que isso não provoca a menor reação negativa nos fiéis fregueses do bairro. O ambiente no café do senhor José é magnífico e familiar.

Mas se a circulação da pequena multidão no café do senhor José não constitui um problema e se consegue resolver sempre sem o menor incómodo de ninguém, já o é, a certas horas, o insuportável estacionamento dos automóveis dos dois lados da rua, nas suas cercanias, sem respeito pelos transportes públicos e privados que tentam circular, não raramente provocando confusões e episódicos engarrafamentos, sem atenção pela pressa dos outros. É que alguns comodistas frequentadores do café do senhor José - ou da lavandaria do chinês ou da padaria ou da farmácia ou mesmo da ourivesaria - decidem levar até à porta o seu carro. Pena é que não saibam que não lhes basta morar por ali para poderem exibir um atestado de civilidade. Esta demonstra-se por essa coisa tão simples que é a educação, que reside menos no beija-mão e mais nos gestos comuns de urbanidade do dia-a-dia.

Lisboa é uma cidade muito agradável para viver e o espírito de bairro ajuda muito a isso. Mas mais ajudaria se os lisboetas fossem mais cuidadosos com os direitos dos outros, fossem mais civilizados e menos egoístas, cuidassem em pôr o lixo convenientemente nos devidos recipientes, não deixassem os carros nos passeios sem espaço para os peões passarem, não parqueassem viaturas no meio da rua a impedir os elétricos enquanto entregam as crianças nos infantários ou colégios, se mostrassem previdentemente solidários com quem se suja com o lixo dos seus cães.

Também eu gostaria muito de poder ir de carro tomar um café matinal ao sr. José, ao Chef ou às Cristal lá do bairro, agora que a Valquíria se tornou num local "inível", como dizia um velho amigo. Mas não vou, porque teimo em ter pelos outros o respeito que muitos outros não têm.

5 comentários:

Anónimo disse...

No fundo, a França seria fantástica sem os franceses e Portugal sem os nativos...

Anónimo disse...

Porque terão as pessoas de pensar nos outros se os políticos só pensam neles próprios?

Anónimo disse...

Sr. Embaixador,

A Almirante Reis tem duas vias mas a da direita tem sempre carros mal estacionados. Assim, só se consegue fazer a dita Av. andando sempre à esquerda.

Anónimo disse...

O comentário do anónimo das 10:26 é tão estúpido que, num mundo ideal, devia de valer pena de trabalhos forçados! Como pode a inteligência (?) descer tão baixo?

Anónimo disse...

O sentido do trânsito devia ser sempre rosa, sendo proibido, voltar á direita !

Isso é que dava boas ejaculações verbais !