terça-feira, 30 de junho de 2015

Lembrar algumas coisas muito simples

Vamos a ver se nos entendemos. Tal como todos os países fizeram, Portugal aproveitou a "bonança" criada pelo efeito positivo das políticas intervencionistas do BCE para adquirir no mercado de capitais nova dívida, a juros mais baixos. São esses os "cofres cheios" de que falava a ministra das Finanças. Esse dinheiro (essa nova dívida, volto a sublinhar) servirá para liquidar as próximas responsabilidades de Portugal, no termo das maturidades de dívida anterior. Foi um bambúrrio conjuntural, infelizmente irrepetível, no curto prazo: como se viu, para Portugal, os custos de nova dívida dispararam já com o caso grego e, a menos que uma nova (e por ora não expectável) política financeira europeia viesse a gerar um outro "milagre", num futuro não muito longínquo Portugal ver-se-á de novo em apertos. Porquê? Porque o seu serviço de dívida (os juros a pagar) é elevado e porque os mercados não acreditam na sustentabilidade de uma dívida que ultrapassa em 30% a riqueza total que o nosso país pode produzir num ano (quando pedimos ajuda à "troika" a dívida era 90% do PIB, hoje é de 130%). Como se pode ter essa certeza? Basta olhar para o modo como as agência de rating olham Portugal, avaliando o nosso crescimento potencial, à luz da nossa continuada escassa produtividade. É por essas agências que os investidores se orientam e elas, que se regem por índices técnicos, continuam a colocar-nos no nível "lixo". As coisas são, na sua complexidade, bastante simples. Para além da propaganda, claro.

18 comentários:

Marcos Correia disse...

Boa Tarde,

Esqueceu-se de mencionar que a dívida pública subiu de 90% para 130% devido sobretudo ao adiar de pagamentos feito por todos os anteriores governos, especialmente pelo último governo socialista.

Cumprimentos

Marcos Correia

Francisco Seixas da Costa disse...

Não sabia que tinha havido adiamento dos pagamentos. Mas, pensando melhor, não sabia por uma boa razão: porque é mentira! Tão depressa se apanha um mentiroso...

Anónimo disse...

A propaganda anda ao rubro Sr. Embaixador.
Caso a Grécia saia do Euro a história de que salvaram o País fica colocada em causa. Bem sei que faltam 3 meses para as eleições e que a principio estavam convencidos de que esta crise lhes era benéfica, mas esse tempo seria mais que suficiente para se dar conta das fragilizades estruturais do País, que hoje, são ainda maiores que em 2011.

- Dívida superior;
- Maior desemprego;
- Diminuição demográfica catastrófica;
- Venda de empresas estratégicas;
- Brain Drain
- Sociedade completamente fracturada;
- etc...

Supostamente andámos a viver acima das nossas possibilidades. Com outra crise das dívidas soberanas como é que uma determinada ideologia explicaria a situação se nunca se cortou tanto sem critério como nos últimos 4 anos?!

Anónimo disse...

Já agora "clarifique-se" lendo o artigo "Grécia, acabou-se o caviar :(", no blog "O Antonio Maria" ! a informação é gratuita.

Anónimo disse...

20 anos de maçons & sanguessugas, o que esperava ???

Anónimo disse...

Aliás 90% (mais ou menos o mesmo que a Alemanha) era a dívida quando ose pediu o resgate por causa do PSD e do CDS. Por isso é como dizes, Frnacisco.
Fernando Neves

Portugalredecouvertes disse...


Sr. Embaixador também acho que é bastante simples e compreendo que
chamamos os médicos da dívida, é diagnosticado um problema de dívida, então injeta-se mais dívida para tratar o problema; os sintomas de asfixia típicos da dívida persistem,
também li por aí que é necessário comprar dívida de vez em quando, acrescentando a isso os juros da dívida que sobem; as análises de dívida mostram que a dívida aumenta, e que é preciso mais asfixia para tratar os sintomas, sendo que o tratamento continua a ser de injetar mais dívida,
sendo que existem efeitos de contágio da doença da dívida, parece difícil alguém ficar a salvo...

Abraham Studebaker disse...

Não temais! Sócrates está preso! Os sábios governam a cidade!Tudo correrá bem!

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Caro Chico

Estamos realmente no reino da mentira. Dizem os "sábios" que não sabiam que o caso era um belo berbicacho; nunca sabem, nunca cometem erros, nunca têm dívidas,ops, dúvidas...

Esta gentalha de Belém, de São Bento e dos arredores costuma ter a memória mesmo muito curta.

Aplaudo o Abraham Studebaker com estes safamo-nos!

Abç

... e convém não esquecer que ficam 18...

Anónimo disse...

Que chatice : o custo da dívida voltou a descer hoje!
João Vieira

Guerra disse...

Bom dia sr. Embaixador,
Como o senhor sabe e muito melhor que eu, neste pais, que eu me lembre (tenho quase tantos anos como o senhor) nunca foi eleito ou nomeado para lugar de decisão ninguém que não reivindicasse ser honesto e competente. Ora o resultado dessas qualidades estão á vista é sentido pela maior parte das pessoas. O senhor tem razões para "bater" nos actuais protagonistas. Razões não lhe faltam, mas não esqueça que quem os antecedeu se portou tão mal que seria da mais elementar justiça dar-lhes "porrada" também. Os seus correligionários do PS são muito responsáveis pelo que se está a passar.
Cumprimentos cá da Bila

Anónimo disse...

Que chatice, "João Vieira": a dívida continua por pagar!

Anónimo disse...

Está preso por engano.

É inimputável, cérebro (?) está já dissolvido.....

Anónimo disse...

Senhor Embaixador,

Penso que a bem do rigor porque é conhecido os dados que apresenta devam ser corrigidos.

Assim, a divida pública em 2010 era de 96% e em 2011 (ano do pedido de ajuda) de 111%, dados pordata http://www.pordata.pt/, e não os 90% de que fala.

Mas isso de dados cada qual lê como os quer ... eu confesso leio que em 2005 (1º Governo Sócrates) a dívida era de 67% e em 2011 (ano do pedido de ajuda) de 111%, essa responsabilidade politica não morreu solteira só espero que não morra esquecida, na espuma dos dias de pré-disputas eleitorais.

Anónimo disse...

E agora face aos dados da Pordata o que dizem os embaixadores Seixas da Costa e Fernando Neves?

Francisco Seixas da Costa disse...

Leiam isto: https://ruadaconstituicao.wordpress.com/2012/09/21/a-evolucao-da-divida-publica-portuguesa-ou-de-quem-e-a-culpa-afinal/

Anónimo disse...

Senhor Embaixador,

Reparo que afinal também lê blogues que professam ideias próximas das suas. Mas sobre o último governo socialista, e aumento da dívida pública, que tal a opinião fundamentada e socialista do Eng. João Proença, ao invés de procurar branquear o que não é possível ser esquecido?

http://www.ionline.pt/310444

[O Governo Sócrates] "não antecipou a gravidade da crise financeira suficientemente para evitar alguns sobreinvestimentos, nomeadamente em PPP e outros".

De qualquer forma aqui fica uma análise simplista de números, mas relevadora do consulado do último governo socialista.

Governo PSD (91-95) + 3,4%
Governo PS (95-02) - 1,9%
Governo PSD/PP (02-05) + 11,2%
Governo PS (05-11) + 43,4%
Governo PSD/PP (11-14) + 19,1%

disse...

O Senhor Embaixador pode por favor informar-se quando fala da dívida pública do nosso país? O seu blog é lido por muita gente e portanto convinha não propagar inverdades. O chamado programa da troika é criticável sob muitos pontos de vista. Não é necessário inventar argumentos. O aumento brutal da dívida pública deveu-se essencialmente às novas regras de contabilização da dívida. A dívida não correspondia a 90% do PIB antes do programa de ajustamento. O que se passou foi que as novas regras da UE alteraram o perímetro da dívida pública, que passou, por exemplo, a incluir a dívida do sector empresarial do Estado. Mas mais, o governo anterior usou e abusou de instrumentos financeiros que lhe permitiram criar dívida sem que esta se manifestasse directamente nas contas públicas. Basta lembrar o pesadelo das PPPs (muitas das quais só começaram a ser pagas na legislatura actual). Por mais que isto custe ao PS e à esquerda, quem criou a dívida que hoje temos não foi este governo nem a troika.