domingo, 23 de novembro de 2014

O Camilo

Há quase quatro décadas, o Alfredo Magalhães Coelho e eu resolvemos elaborar, para distribuição entre os amigos, uns guias de restaurantes, de um tamanho de bolso, com indicações sobre preços, pratos mais típicos mas, igualmente, com dias de encerramento, telefones, facilidades de parqueamento e até indicações sobre os melhores acessos. Saíram vários números (lembro-me, pelo menos, de termos publicado os do Minho, Trás-os-Montes, Alentejo e Algarve). Os exemplares muito limitados, algumas escassas dezenas, e cada zona tinha a sua cor de papel. Os guias, escritos em 1987/88, no meu primeiro computador, foram um imenso sucesso e muita gente continuou a fotocopiá-los por alguns anos (o que é perigoso, porque este tipo de indicações é rapidamente "perecível" com o tempo).

Ajudava-nos nesta tarefa o Camilo, um funcionário simpatiquísimo da primeira estrutura do MNE para os assuntos europeus, um ás da reprografia, que foi a alma logística da operação. Ele era o nosso "editor"! Voltámos a cruzar-nos várias vezes durante a minha relativamente longa passagem pelo palácio da Cova da Moura, nos anos 90. Entretanto, havia-o perdido de vista, há muito. Acabam de me informar que morreu hoje. Deixo um abraço sentido à Família desse amigo, que comigo também fez parte da equipa pioneira, criada na avenida Visconde Valmor, que "arrancou" com a presença de Portugal nas instituições comunitárias, no dia 1 de janeiro de 1986.

3 comentários:

Ana Cristina Pinhel disse...

Quero aqui agredecer o que foi escrito em relação ao meu marido o meu muito obrigada. Não há palavras para descrever esta enorme perda . O Camilo deixa uma imensa saudade. Foi um óptimo marido um excelente Pai mas acima de tudo um bom colega e amigo. Em meu nome e da filha o nosso muito obrigada.
Cristina e Catarina Pinhel

Anónimo disse...

Do Senhor Camilo todos dirão que era um ás da reprografia, que sem ele não teriam chegado a tempo e em boa ordem muitas pastas às mãos dos Senhores Ministros e Primeiros Ministros.
Muitos falarão do seu sorriso aberto, da sua palavra sempre educada, da sua disponibilidade até ás 10h da noite, se necessário fosse.
Alguns lembrarão ainda que ele foi agraciado pelo Presidente da República com a Medalha da Ordem do Mérito em Maio deste ano.
E eu acrescentaria que, porque reconhecer o mérito com uma ordem honorífica não é o mesmo que dizer "fulano é muito competente, muito bom", não posso senão partilhar aqui o meu pesar pela perda de um colega, de um funcionário exemplar que deu à causa pública o melhor de si, ao contrário de muitos outros que entendem que o estatuto de funcionário público lhes dá direitos, sem nunca se lembrarem de exercer os correspondentes deveres.
À mulher do Senhor Camilo e à sua filha deixo aqui um sentido abraço
e até logo nos Olivais.

Anónimo disse...

Camilo, amigo, bom profissional, caçador, conversador e leão.

Que esteja bem.

Da Siva.