segunda-feira, 2 de junho de 2014

Informando Klow

                       
Como é sabido, entre a Bordúria e a Sildávia mantém-se, de há muito, um tenso conflito, ao pé do qual a luta pela liderança dentro do PS não passa de um mero arrufo. Um comentador deste blogue, muito atento à vida das embaixadas, conseguiu - imaginem! - obter o telegrama que o embaixador da Sildávia (residente em Paris mas acreditado em Lisboa) enviou hoje às suas autoridades em Klow, ainda a propósito da situação política portuguesa. Sem surpresas, o tom é algo diferente do do seu colega da Bordúria. Aqui fica, para as devidas comparações:

"Sendo embora residente em Paris, não deixo de seguir o que se passa em Portugal, país onde estou acreditado, Estado nosso amigo e cada vez mais nosso aliado, graças à minha acção persistente e incansável. A nossa firme atitude contra a Bordúria, após o grave incidente de fronteira na ribeira Tentenokayas, em que invasores expansionistas borduros caçaram e grelharam um cabrito sildavo, em clara violação dos acordos de Nogent-sur-Marne de 1990, tem-nos grangeado vivas simpatias da parte de todos os partidos responsáveis de Portugal e o eco destes incidentes na imprensa local excedeu as minhas melhores expectativas ( ver meu 111).

A recente crise no PS português insere-se no drama geral das sociais-democracias na Europa que, apanhadas nos laços de uma malha normativa europeia que apenas permite aos Estados a execução de uma política ordo-liberalista (ver meu 222) , se debatem como peixes fora de água acabados de pescar, à procura de uma palavra a dizer. De um lado, o radicalismo idealista, filho da ética da convicção e sem necessidade de atender à responsabilidade, que alguns traduzem num simples "rasgar o memorando", que eles sabem impossível de rasgar; do outro, os que estão prontos a alinhar na Grande Missa Europeia, que à alternância veio substituir a mera dança de cadeiras e que aparecem a público, com grandes promessas de mudança, para depois virem simplesmente fazer o que lhes mandam - a França está muito perto daqui para se poder esquecer o resultado dessas políticas.

Os que os "rebeldes" do PS podem representar é a possibilidade de um outro jogo: de, através de uma plataforma com forças políticas diferentes, para além da clivagem tradicional esquerda-direita, se construir uma política "patriótica" (sem medo da palavra) de defesa dos interesses da economia portuguesa contra os telecomandados pela nova "ideologia alemã". Será possível? Talvez não, mas é a única saída. Renzi não hesitou em apunhalar Letta e o capital de entusiasmo ali está. Servirá para alguma coisa? Tentemos. Navegar é preciso.

Longa vida a Sua Majestade Muskar XV e que o espectro da abdicação de um rei de um país aqui vizinho nunca possa assombrar a nossa amada Sildávia!

a) Klopstock"

7 comentários:

Anónimo disse...

Do blog "Insurgente", com adevida vénia:

"António Costa não merecia isto
Posted on Junho 2, 2014 by Maria João Marques
3
É certo que depois da figura a que António José Seguro se prestou com a moção de censura do PCP ao governo, a única saída com um mínimo de dignidade que lhe restava era demitir-se de secretário-geral do PS e, a seguir, emigrar durante pelo menos 6 meses. Mas também é verdade que António Costa, coitado, não merecia os apoios que tem vindo a receber. Depois dos socráticos – que já estão exibindo em full speed tudo o que melhor caracterizou a época socrática: rancor, raiva, ressentimento, desrespeito pelos adversários (ou, para esta gente, inimigos, que quem não é por eles está contra eles), insultos, sentenças morais sobre os que se lhes opõe (como se tivessem eles próprios alguma moral a que se agarrar), uma relação fugaz com a verdade e a realidade – só faltava mesmo a Costa o apoio do mestre sócrates. É azar.

Sócrates, claro, é sócrates. Como sucede com muita gente que faz de hábito de vida enrolar os outros, sócrates está convencido que os portugueses – que já lhe aturaram tanta porcaria (até a falência do país) – são parvos e vão continuar a aturar indefinidamente os mimos psicopatados da criatura. Sem perceber que a tolerância para o disparate e a falta de respeito alheia são bens finitos e que, a certa altura, ups, já estão esgotados. Como a criatura julga que está acima das regras que se aplicam aos comuns mortais, e que mal nos mostra o seu raciocínio pouco sofisticado todos nos rendemos à sua dúbia argumentação, lá nos fez o favor de mostrar pela 1598ª vez a sua coerência: na noite das europeias considerou que não fazia sentido pôr em causa a liderança de Seguro; menos de uma semana depois já estava a pedir a realização de um congresso do PS e nova liderança para o seu amigo Costa. O mundo já muda para sócrates em menos de 15 dias.

Evidentemente sócrates vira-se para quem lhe propiciar a oportunidade de uma candidatura à presidência (Deus nos livre e guarde). Esperemos que Costa faça parte daqueles políticos socialistas que António Barreto dizia que, em privado, percebiam o que o partido tinha feito ao país. O mesmo é dizer: que perceba o quão tóxico sócrates e os seus indefetíveis são e os ponha na linha e, preferencialmente, à distância das decisões sobre o país."

Alexandre

Anónimo disse...

Junto se remete, a coberto TLC 82, convite para assistir ao duelo pela liderança do PS, a decorrer algures num futuro próximo.

a) NEstrangeiros


(Os telegramas da Secretaria de Estado não se assinam, mas como não gosto de ser anónimo vou quebrar a regra. Henrique Souza de Azevedo)

Anónimo disse...

"Reúno em mim a teoria e a prática".

Machado de Assis

J.Tavares de Moura disse...

Percebo esta veneração que os diplomatas de carreira tem pelas monarquias. Lá no fundo eles também se julgam uma casta superior cujo brilho e inteligência a plebe é incapaz de entender.

P.S.: Tem que avisar o embaixador da Borundia para ter mais cuidado com as cópias do telegramas que envia para o Largo do Rato. É que se arrisca a que isto termine como o Wikileaks.

Anónimo disse...

Caro J.Tavares de Moura,

Não percebe, não!

Os diplomatas de carreira não sentem qq veneração "pelas monarquias".

Anónimo disse...

Infelizmente, Sr Tavares de Moura, nem todos os diplomatas são monárquicos! Quem me dera, quem me dera…

a) Henrique de Menezes Vasconcellos (Vinhais), obviamente membro de uma casta superior

patricio branco disse...

em resposta o embaixador da sildavia recebeu um telegrama onde se dizia algo assim como pedimos nos informe sobre eleição dos 2 deputados mpt em especial sobre sr marinho pinto a respeito do qual imprensa e tv daqui não diz praticamente nada e sobre significado votação nesse partido desconhecido e relação isso com abstenção portugal que sabemos foi alta embora não tanto como aqui onde chegou aos 91%