sábado, 15 de março de 2014

Novo Rumo

A conferência "Um Novo Rumo para a Europa", que hoje me coube organizar em Lisboa, não foi o momento unanimista que alguns poderiam esperar. Era essa precisamente a ideia. Ao escolher alguns dos seus intervenientes, tínhamos a clara consciência de que, dentre as pessoas convidadas, unidas pelo desconforto perante a prática política da atual maioria, não existia uma total consonância de pontos de vista.

Isso foi patente, em especial, na questão do "manifesto" sobre a dívida pública. Diria que, sobre o tema, por ali ficaram claras três posições: os que defendem e subscrevem a iniciativa, os que estando de acordo no essencial com o diagonóstico contestam a sua oportunidade e os que abertamente discordam do texto. No termo das várias horas de debate, testemunhado por várias centenas de pessoas, perguntei-me a mim mesmo quantas forças políticas portuguesas teriam a abertura suficiente para acolher um exercício com esta diversidade opinativa sobre um tema tão central da nossa vida política. E, também por isso, dei-me por satisfeito pelo facto de ter tido oportunidade de coordená-lo.

3 comentários:

Anónimo disse...

Novo Rumo para a Europa,
Novo Rumo para Portugal,
A dívida Pública...
Uma vez fui fiador de um individuo que, para alugar uma assoalhada, precisava daquela garantia. O sujeito comoveu-me, e prometeu-me, jurando quase de joelhos, que nunca trairia a minha confiança.
Pois bem: Logo a seguir à tomada de posse dos aposentos deixou de assumir os seus compromissos e nem lhes digo quanto aquela "brincadeira" me custou...
Nunca mais assinei tal.
Agora com o voto parece-me estar a viver o mesmo pesadelo! Quem assina paga. E neste caso, a assinatura é como quem assinou um cheque em Branco e o beneficiário depois compra o que bem lhe passa na gana: empreende obras faraónicas, compra ferro velho que fica em qualquer cais a enferrujar, constroi Estádios de futebol, SCUTS que pagam e repagam e continuamos a pagar, eu sei lá...
Já estou a ficar como no primeiro caso, farto de pagar e farto de assinar cheques em branco! Ah, doravante cheques em Branco também nunca mais!
Agora para sairmos desta em que estamos a ficar depenados é preciso ver com um qualquer tribunal, internacional e independente, se em caso de dolo somos obrigados a pagar... Porque em causa está a nossa sobrevivencia...
José Barros.

Mônica disse...

Francisco o senhor me deixa com uma ideia de que sempre serei uma formiguinha. O senhor tem meus parabéns porque suas idéias e atuações mao são só comoventes mas são acima de tudo favoráveis para podermos entender um tiquinho do que o mundo necessita
Eu queria poder estar presente. Ser mais uma.com carinho Mônica aprendi

Defreitas disse...

Senhor Embaixador : Por vezes, é preciso saber quais são os temas sobre os quais não nos podemos entender. Esta é a importância do debate e do dialogo. E Portugal viveu muito tempo sem debate por ausência de liberdade.

De certeza que leu Maquiavel. Este homem politico e filosofo italiano do XV° século, explica que o conflito constante na Republica romana, entre Patrícios e Plebeus ( entre ricos e pobres), longe de ter sido a causa do declínio de Roma permitiu-lhe de continuar muito tempo uma Republica. Dito doutra maneira, o conflito é favorável à liberdade. Dois séculos mais tarde, esta ideia foi seguida por Montesquieu. O filosofo francês vai mesmo mais longe e afirma que os países onde não aparecem distúrbios são países sem liberdade. O conflito não é por conseguinte uma patologia do social; é preciso aceita-la como uma garantia de liberdade.

O Senhor Embaixador teve razão de organizar este debate. Quanto mais não fosse, para educar os profanos . Sim, porque nem todos são políticos e muito menos espertos. Mas todos são cidadãos. E numa democracia representativa, onde o governo pode saltar se os cidadãos julgam que governou mal, quanto menos profanos acederem ao voto sanção melhor é para a democracia.