sábado, 22 de março de 2014

Metanoia

Hoje e amanhã estarei presente numa reunião da Metanoia - movimento católico de profissionais, convidado para proferir hoje uma conferência sobre o tema "A Europa dos cidadãos: passado, presente e futuro", intervindo amanhã num debate conduzido por Maria Flor Pedroso e Jorge Wemans. 

9 comentários:

Jose Martins disse...

Senhor Embaixador,
É membro do Opus Dei?
Sendo assim não pertence ao "maralhal" de avental.
Cordialmente

Defreitas disse...

Que programa, Senhor Embaixador ! " "A Europa dos cidadãos: passado, presente e futuro". Se o passado e o presente parecem fáceis de analisar, porque são conhecidos, mesmo se não retiramos sempre as lições, o futuro , em contrapartida, é outro par de botas ! Na minha opinião, claro! Que é a opinião dum leigo.

O futuro é visto por muitos como uma equação na qual a guerra parece ser a única solução viável. E é isso que me incomoda. Se fosse jovem daria uma vista de olhos ao passado para ver o que se passou, porque o futuro pode muito bem ser uma copia.

Porque é na natureza mesmo do capitalismo de conduzir à guerra : como uma sangria necessária para "relançar a máquina".... Depois dos milhões de mortos e de todas as infra-estruturas destruídas. Vejamos o Iraque, como antes mesmo da guerra acabar, os homens de negócios se lançaram ao ataque das encomendas!

Depois da conscrição, o estado de alerta ou estado de urgência, a "união sagrada" e depois o relance do emprego através do "esforço de guerra". Que oportunidade para o crescimento !

Acabadas as dividas a reembolsar ! Acabada a democracia que impede os dirigentes de fazer o que eles querem e que autoriza os cidadãos a queixar-se em permanência ... Esta diabólica "democracia" que não facilita os "negócios" e esta internet que autoriza a divulgação dos "pequenos jeitinhos" dos nossos dirigentes devem desaparecer com a guerra, porque só a ditadura permite a relance económica através da "competitividade" oferecida pela escravatura. E as destruições provocadas pela guerra constituem mercados com bom sumo que serão apanhados pelos melhores ( os mais fortes !). Sim, vejamos o Iraque.

A metamorfose do capitalismo ao qual assistimos nestes últimos anos, não deixa alternativa: os países mais ricos não podendo dominar o mundo pela potência financeira ( já não há mais dinheiro), procurarão fazê-lo pela força, pela guerra, para conservar o estatuto internacional. Os ruídos das armas no leste europeu, significam isso.

Podemos ainda evitar o caos, com a condição de por em ordem a finança, suprimindo todas as vantagens concorrenciais que nos oferecemos violentamente no decurso da História, dando a cada um o lugar que devia logicamente ter. O que significa aceitar de mudar de vida baixando drasticamente o nosso conforto .
Mas quem está pronto para isso?

O futuro não se pode construir num mundo no qual as desigualdades escandalosas provocadas pelo sistema ultrapassaram o limite do aceitável. Um mundo no qual 85 pessoas possuem tanta riqueza como 3,5 milhares de milhões! , isto é, mais de metade da população do planeta!

Sabemos todos que enquanto não se puser em causa o sistema que cria estas injustiças, a guerra voltará sempre para redistribuir as cartas do mundo. Mas como ainda não fomos capazes de criar nada melhor para nos governar, preferimos salvar um sistema injusto, ao preço duma guerra , em vez de procurar uma alternativa democrática capaz de se opor à ditadura que a guerra trará com ela. O que custará mais caro!

Mas ainda não lá chegamos! Enquanto que o sistema não derrocará estrondosamente, que as nossas economias amealhadas (os que as têm) subsistirão, que os nossos últimos direitos sociais ou a nossa liberdade de expressão não serão definitivamente postos em causa, iremos assistir a um reforço das medidas de segurança, uma aceleração das legislações duras, um agravamento das politicas de austeridade, uma subida dos medos e das violências... Que o próprio papa Francisco admite na sua ultima declaração pontifical.

Depois sim, quando toda a gente estará pronta, as festividades poderão começar; quando um dos "grandes" nao poderá manter a sua bolsa, ou a sua população, ou as suas forças armadas...

Defreitas disse...

"Hoje, em muitas partes, reclama-se maior segurança. Mas, enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos será impossível erradicar a violência. Acusam-se da violência os pobres e as populações mais pobres, mas, sem igualdade de oportunidades, as várias formas de agressão e de guerra encontrarão um terreno fértil que, mais cedo ou mais tarde, há-de provocar a explosão. Quando a sociedade - local, nacional ou mundial - abandona na periferia uma parte de si mesma, não há programas políticos, nem forças da ordem ou serviços secretos que possam garantir indefinidamente a tranquilidade. Isto não acontece apenas porque a desigualdade social provoca a reação violenta de quantos são excluídos do sistema, mas porque o sistema social e económico é injusto na sua raiz. Assim como o bem tende a difundir-se, assim também o mal consentido, que é a injustiça, tende a expandir a sua força nociva e a minar, silenciosamente, as bases de qualquer sistema político e social, por mais sólido que pareça. Se cada ação tem consequências, um mal embrenhado nas estruturas duma sociedade sempre contém um potencial de dissolução e de morte. (...)
"Mais cedo ou mais tarde, a desigualdade social gera uma violência que as corridas armamentistas não resolvem nem poderão resolver jamais. Servem apenas para tentar enganar aqueles que reclamam maior segurança, como se hoje não se soubesse que as armas e a repressão violenta, mais do que dar solução, criam novos e piores conflitos. Alguns comprazem-se simplesmente em culpar, dos próprios males, os pobres e os países pobres, com generalizações indevidas, e pretendem encontrar a solução numa "educação" que os tranquilize e transforme em seres domesticados e inofensivos. Isto torna-se ainda mais irritante, quando os excluídos veem crescer este cancro social que é a corrupção profundamente radicada em muitos países - nos seus Governos, empresários e instituições - seja qual for a ideologia política dos governantes."
Assinado pelo Papa Francisco, na sua exortação apostólica "Evangelii Gaudium" ("A Alegria do Evangelho").

Anónimo disse...

O comentário de José Martins foi do melhor! Bem vistas as coisas...

Helena Sacadura Cabral disse...

Ó Francisco diga-me lá: ainda lhe sobra tempo para dormir?!
Por sua causa, ontem, entre amigos, ri-me a bom rir, ao lembrar o que lhe disse a propósito da sua futura vida de reformado.
Mal eu sabia o que para si seria a reforma...
Quando for velhinho como eu, há-de haver um Skype para o céu - onde eu estarei -, à espera que me diga o que ainda lhe falta fazer!

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Helena: não me lembre isso! Ainda ontem aceitei outro "emprego", que implica uma boa dúzia de viagens internacionais. Como alguém dia: "é a vida!". Neste caso, a minha.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro José Martins: não sendo eu crente, nem pertencendo a nenhum dos grupos aventalados, fico pouco "a jeito" para catalogação no registo das opções de consciência, não é?

Jose Martins disse...

Senhor Embaixador,
Dou a mão à palmatória.
Excedi-me.
Cordialmente
José Martins

Anónimo disse...

Uma transição exemplar nos antípodas da portuguesa.

Os actores tinham mais sentido de Estado.

Alexandre