segunda-feira, 10 de março de 2014

Contenção

Devo confessar que estou espantado com a "contenção" israelita nos dias que correm. A experiência ensinou-me que, quando a atenção do mundo se encontra focada numa determinada região do mundo, o Estado israelita tem por imparável tropismo proceder a ações militares pontuais no seu "near abroad", assim atenuando os (já de si sempre limitados) custos políticos a pagar por essas aventuras. Verdade seja que a procissão, pela Ucrânia, ainda vai no adro...

9 comentários:

jj.amarante disse...

errata: "custos políticos" no lugar de "cujos políticos"

Anónimo disse...

Mas a China já começou. Ou me engano muito ou o caso do avião malaio vai ser pretexto para muita coisa na região.

Defreitas disse...

Coincidência? Até parece que o Senhor Embaixador tinha ouvido na rádio, antes de escrever este "post", a notícia do assalto da marinha israelita, ontem, a um cargueiro iraniano no mar Vermelho, transportando armas para Gaza.

Não sei se há contenção, mas Israel tem vários problemas muito bicudos à frente dela.
O primeiro, é que, ao fazer durar as negociações com a Palestina, os dirigentes Israelitas pensam que podem convencer toda a gente que procuram efectivamente a paz. Mas como diz o adágio: " pode-se enganar uma parte das pessoas muito tempo e toda a gente uma parte do tempo, mas não se pode enganar toda a gente todo o tempo".

O segundo é o isolamento de Israel no plano internacional . E talvez seja isto o que o Senhor Embaixador considera como uma "contenção". O governo israelita ausente no funeral de Mandela, mais o boicote académico das universidade israelitas pela ASA ( Associação dos Estudos Americanos).
Israel encontra-se portanto em conflito com os seus aliados ocidentais, incluindo os Americanos, de quem dependem "so much"! e com uma grande parte da comunidade internacional.

A distanciação com os Americanos aprofunda-se. Cada americano sabe hoje que Israel lhe custa 30$ em 2014. Nada menos de 380 associações US manifestam contra a ocupação israelita da Palestina. E muitos Americanos sabem fazer a ligação entre o dinheiro que pagam para Israel e o Apartheid.

O terceiro problema é o da Síria. A desintegração da Síria é ameaçadora para Israel. Parece que muitos israelitas começam mesmo a pensar que Bashar al-Assad é a "menos" má opção perante o desenvolvimento dos grupos djihadistas .
Viver com um eixo Rússia, Irão, Síria e Hezbollah deve causar pesadelos aos Israelitas! A "contenção" israelita talvez seja devida à eventualidade deste eixo. Que seria melhor que os loucos djihadistas em Damas.

patricio branco disse...

há outros espectadores silenciosos, ou pelo menos não ouvi nada, a turquia que comparte o mar negro, o irão, a bielorrussia...

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Defreitas. Confesso não ter lido isso. Mas referia-me a atos na vizinhança

Mônica disse...

Senhor embaixador
Muita lereia. Eu nem sei se fosse ler mesmo, tudo, pois a globalizaçao faz com que a gente saiba de tudo em pouco tempo,eu nao saberia pra onde começar a rezar.
Ainda bem que o senhor pelo menos esta consciente de tudo o que anda acontecendo no mundo.
A minha cabeça nao suporta tanto assunto.
Vou ler novamente, mas ...
Vou ficar com os problemas mais urgentes no Brasil.
com carinho sua amiga
que quer ser sabichona mas não dá conta.

Pedro Lemos disse...

Penso que se Israel considerasse os olhos do mundo, ficaria eternamente na defensiva. Os olhares continuam ávidos, descrevendo boicotes atoleimados, acompanhando as reformas internas e a caça aos imigrantes, enfim, aguardando um deslize para retomar o apedrejamento.

Bibi levou um pito do Tio Sam na questão iraniana e, imagino, não perderá oportunidade para tumultuar aquela conversa. O foco de Israel parece ir além de suas fronteiras.

Os palestinos estão conformados com o fato da atenção ter sido sequestrada pela Síria, inclusive no que tange ao apoio de seus parceiros no flanco norte. O negócio é permanecer contidos.

E agora com a Ucrânia, as prioridades aumentaram: como não há USA para todo mundo, há que se entrar na fila.

São disse...

Israel , contido?!

Repito, não me atrevo a argumentar com o senhor na área que é a sua e onde eu sou pura amadora...mas não me parece que seja contenção o que faz os sionistas estarem quedos e mudos.

Há dias houve uma enorme manifestação de ultra-ortodoxos contra a lei de Benjamim N. que deixa de os isentar do serviço militar obrigatório para toda a restante população.

Acho que o que está a pesar no comportamento judeu é aquilo que Defreitas refere e o facto de ter aumentado a consciência da falsidade das pretensas negociações e paz por parte de Israel assim com a sua ausência do funeral de Mandela.

Bom serão

Antonio Cristovao disse...

enquanto as coisas na Siria e Egipto estiverem a correr tão bem para quê mexer quando se está a ganhar?