quarta-feira, 12 de março de 2014

Álvaro Salema

Se fosse vivo, Álvaro Salema faria 100 anos na data de hoje. Já dele falei aqui um dia, tendo também anotado o que Jorge Amado escreveu, aquando da sua morte, em 1991.

António Valdemar fez hoje sair no "Público" um excelente artigo sobre Álvaro Salema, que faz justiça a essa figura maior da cultura portuguesa, insuficientemente conhecida das novas gerações. Aqui deixo o link.

Haverá alguma universidade que se disponha a comemorar este centenário?

4 comentários:

António Pedro Pereira disse...

Caro Senhor Embaixador:
Há muita gente de valor injustamente esquecida.
Mas vivemos um «tempo detergente», no dizer de António Sampaio da Nóvoa, ou um «tempo instantâneo», pouco compatível com a análise ponderada e profunda das coisas.
Agora é mais o «sound bite» que está na moda, Álvaro Salema escreveu muita letrinha miudinha que dá trabalho a ler, e ainda por cima coisas reflexivas e/ou de alguma densidade cultural.
E depois não era vaidoso, até recusou uma sinecura no DN, sacrilégio hoje onde tanto arrivista as procura.
Salgueiro Maia teve semelhante atitude e vê-se a sorte que tem tido na memória colectiva e no reconhecimento oficial: abaixo de um PIDE.

Anónimo disse...

Um crítico literário de altíssimo nível, um homem com posições de esquerda muito definidas, cujas posições políticas nunca interferirem no julgamento dos autores e das obras que lhe foi dado apreciar.

Manuel Augusto Araújo disse...

Meu caro Francisco Seixas da Costa
Fez muito bem em lembrar Álvaro Salema, um intelectual dos mais importantes, pelo seu trabalho como crítico e como editor. Muito jovem convivi com ele e com um amigo dele escritor que também está quase completamente esquecido, o Manuel Mendes. Mundo estranho este que vai diluindo nomes centrais da cultura portuguesa num limbo. Quem se recorda hoje de, por exemplo, Rodrigues Miguéis? Nos escaparates das livrarias não existe, tal como Manuel Mendes. Claro que está muitíssimo bem acompanhado! Ainda no outro dia,a falar com um amigo referimos que o mesmo destino teria Mário Dionísio, nosso professor no Liceu Camões,não fora a bela iniciativa da Eduarda ao fundar a Casa da Achada, que tem uma notável e diversificada actividade cultural. Não fora a Eduarda Dionísio ser uma mulher de iniciativa e uma intelectual de gabarito e o Mário Dionísio, um dos grandes intelectuais do séc. XX em Portugal, também estaria à beira do abismo do esquecimento. O que me indigna é que a RTP e a RDP não cumpram o serviço público que deveriam cumprir e consumam tempos de antena desmesurados com programas de baixíssimo calibre. Vergonha para todos nós que deveríamos exigir essa função que, teoricamente, lhes está cometida.

patricio branco disse...

um grande intelectual, ensaista e critico, no modelo de antónio sergio, moniz barreto, a j saraiva, fidelino de figueiredo e outros, alguns mesmo conservadores e de direita
esquecido como várias outras figuras que nos damos ao luxo de abandonar
boa evocação e sugestão...