segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Vila Real

Nasci em Vila Real. Em 1996, na qualidade de independente, aceitei o convite para chefiar a lista do Partido Socialista à Assembleia Municipal de Vila Real. Fui então derrotado por Passos Coelho. Não, não era esse! Era o pai, que titulava a lista social-democrata, uma pessoa muito estimável por quem mantenho um grande respeito.

Essa não foi a primeira vez que me interessei pela política local. Em 1969, no tempo em que andava na universidade, colaborei com gosto na Comissão Democrática Eleitoral (CDE) de Vila Real que, contra ventos e marés, sob a orientação dessa grande figura da democracia que se chamou Otílio de Figueiredo, levou a cabo uma difícil aventura cívica de combate à ditadura, que guardo nas minhas melhores memórias. (Ainda ontem encontrei o meu velho amigo António Leite, que me apalavrou para a primeira reunião clandestina, na sala onde a sua avó Dona Dirceia dava explicações, cuja chave surrupiou para o efeito).

Desde a instauração da democracia, e passadas as "comissões administrativas", o PPD (e depois o PSD) dominou sempre o município vilarealense, primeiro com Armando Moreira, mais recentemente com Manuel Martins. O PSD perdeu ontem essa liderança, com erros partidários locais a serem potenciados por uma das mais profundas derrotas autárquicas da sua história, à escala nacional.

O PS, que nunca conquistara a Câmara, apesar de vários combates corajosos no passado, conseguiu-o agora pela mão de Rui Santos, um candidato jovem que tem uma excelente oportunidade para titular um novo tempo para a cidade. Não será uma tarefa fácil, num concelho complexo, desigual e sem uma estratégia de desenvolvimento regional minimamente consensualizada. Por muitas razões, mas essencialmente para bem de Vila Real, só lhe posso desejar que venha a ter o maior sucesso.

Em tempo: à hora que este post é publicado, ainda há dezenas de autarquias por apurar. Não seria possível fazer melhor? 

8 comentários:

Anónimo disse...

"vilarealense" - não
vilaRRealense - sim

João Avelar disse...

Bem me parecia. Se não foste tu foi o teu pai.

Anónimo disse...

Parabens ás cigarras, em breve voltaremos ao ouro e mel, graças ao seu "trabalho masvioso" com protagonistas ávidos de integrar a Orquestra!

Esperamos ansiosos a chegada do ouro e mel prometido!

Mais uma vitória para Portugal:

Rui Costa (ciclismo)

Alexandre

Anónimo disse...

Li num livro recente algumas citações de Natália Correia e esta sobre a influência dos retornados - "a sua influência na sociedade portuguesa não vai sentir-se apenas agora, embora seja imensa. Vai dar-se sobretudo quando os seus filhos, hoje crianças, crescerem e tomarem o poder".
Nunca acompanhei muito o que Natália Correia dizia. Nem sobre os retornados nem sobre outros temas. Aliás, sobre os retornados acompanhei aquele Movimento com a simpatia de quem via uma força sadia para o desenvolvimento de Portugal e não sob o ângulo de visão da Natália Correia...
Hoje, se ligo esta citação ao nosso atual Primeiro-ministro vou "insultar" a Natália Correia de visionária. Então não é Passos Coelho uma daquelas crianças dos retornados de Angola?
José Barros

opjj disse...

Meu Caro, tudo na vida tem o seu ciclo.
Era uma chatice se tudo fosse imortal.

Interroga acima um seu leitor, vem aí ouro e mel?

Oxalá!

BH

Anónimo disse...


É claro que Passos Coelho é retornado de Angola, assim como alguns dos seus ministros/as.

Confesso que nunca me dei muito bem com os retornados, mesmo antes de o serem, ou seja quando estive e trabalhei em Angola no tempo anterior ao 25 de Abril.

Quando regressei "vi-me grega" para conseguir trabalho em Portugal porque os retornados tinham prioridade.

Já ao tempo a equidade era muito relativa!

Anónimo disse...

Não fora o filho e, dir-se-ia, não era desta vez que o PS lá chegava, pois em Vila Real (de trás os montes) o PSD era Rei. Assim, é caso para dizer: "se não foi o teu pai, és tu" eheheh.

João Pedro disse...

Os meus parabéns. Já era tempo de haver algumas mudanças, depois de 37 anos laranjas (se bem que Manuel Martins acabasse por ser bem melhor do que se pensaria no início), marcados pelo caos urbanístico. Já agora, outro Passos coelho concorreu em tempos â câmara: António P.C. Taveira, primo do actual chefe de governo, pelo CDS, em 1993, creio eu. Cumprimentos de um descendente de Avelino de Sousa Campos, presidente da câmara da "bila" no outro regime.