O cenário foi o Forum da FNAC no
Norte-Shopping, ao final da tarde de ontem. Fazia-se o lançamento do livro de
Alexandra Marques, "Os segredos da descolonização de Angola".
Coube-me apresentar a obra a quantos se deslocaram ao evento.
O livro é o resultado de um minucioso
trabalho de investigação, nomeadamente em arquivos documentais, alguns dos
quais revelados pela primeira vez, que permite lançar uma luz nova sobre o
processo decisório - hesitante, contraditório, por vezes irresponsável, por
vezes inevitável - que foi assumido pelas estruturas político-militares
portuguesas em Portugal e Angola, desde o 25 de abril até à declaração de
independência da colónia. Trata-se de um relato trágico, quase impotente, de um
poder político-militar sem capacidade, às vezes também sem vontade, de se
exercer em defesa da posição de quantos, como era o caso dos colonos
portugueses, eram os evidentes perdedores da História. Podia ter sido feito
mais? Houve descaso? Ao leitor cabe decidir.
O relato de Alexandra Marques, escrito
num registo que poderíamos qualificar de bom jornalismo, lê-se com o ritmo de
um filme, tanto mais que alguns dos extratos documentais que transcreve são
relatos vivos e factuais. A autora não deixa de mostrar uma empatia com
quantos, nesse complexo processo, assumiram atitudes, por vezes quixotescas,
para tentar evitar o curso que os acontecimentos acabaram por ter.
Na apresentação que fiz, procurei,
essencialmente, contextualizar os acontecimentos ocorridos em Angola na situação
política e militar que Portugal então atravessava. É que uma coisa não pode ser
compreendida sem a outra.