sábado, 13 de agosto de 2011

Brincar com o fogo

Os "jongleurs" com fogo, para efeitos lúdicos, são excelentes fautores de espetáculos. Divertem-nos, correm riscos limitados e têm uma técnica que produz efeitos, como esta bela imagem de José Miguel retrata, numa das noites mágicas do cruzeiro da "Douro Azul" que hoje acabou.

Estes são também momentos que têm a virtualidade de nos ajudar a refletir. Um amigo, habituado a aplicar a inteligência à vida, deixou-me cair, no decurso do "show": "Ora aqui está quem pode e sabe lidar profissionalmente com as chamas. Pena é que outros, que não sabem, brinquem tantas vezes com o fogo". 

Grande verdade! Cada vez mais... e mais não digo.

11 comentários:

Margarida disse...

Começou bem, mas acabou mal.
Porque não acabou, por assim dizer: omitiu. Não se faz...
O que mais sucede na vida é isso: brincarmos com esse perigo e ficarmos, se não um torresmo, chamuscados.
No entanto, antes desses peritos na dança quente se tornarem os exímios artistas que nos deliciam com o bailado do risco, por certo que muito se feriram e falharam uma imensidão de vezes. Mas insistiram e continuaram, até se tornarem os mestres que são.
Às vezes o risco compensa, se existe um objectivo definido e sério, como seja o de distrair os presentes no espectáculo que se torna o ganha-pão de uma vida.
Assim tudo sucedesse, e os perigos se ultrapassassem pela nobreza do fito que levou a corrê-los.
Essa arte é que é realmente invejável, e o seu produto maravilhoso, exemplar e inesquecível .

Um Jeito Manso disse...

Un demi mot suffit.

Cumprimentos.

Anónimo disse...

E também mais palavras para quê?
Isabel Seixas

Anónimo disse...

Senhor Embaixador,

Ai, nem me fale de fogo que o Reino Unido (e Londres onde comecou tudo) esta finalmente calmo q.b. Espero neste domingo calmo a ouvir Keith Jarrett que assim se mantenhaz

Saudacoes de Lodres

F. Crabtree

Anónimo disse...

"Lidar profissionalmente com as chamas..."In FSC

Ai Brincar!
Essa é boa...
Isabel seixas

Francisco Seixas da Costa disse...

Estimável F. Crabtree
Saudades tenho de um concerto do Jarrett no Queen Elisabeth Hall, nos idos de 90, durante o qual uma sua amiga deu quatro-valentes-espirros-quatro que, depois, o lifting de gravação fez desaparecer do CD. E mais me recordo de um outro - o "Different Trains" - do Steve Reich (tinha também o Filipe dos Vidrinhos, como alguém chamava ao Philip Glass, ou não?) que, pela sua minimal/maximal chateza de quatro horas acabou por levar alguns avisados espetadores a sair para uns "steak with lager"" num restaurante sob as arcadas da ponte. Quem se lembra ainda dessas noites calmas em terras de Sua Magestade Sereníssima, que também podiam acabar num grego ali perto de Tottenham (cruzes!) Court Road?

Maria Climénia Rodrigues disse...

no jornal expresso desta semana,pg27 do caderno principal, vem um artigo sobre a aldeia de Wiriamu, muito "soft", em relação ao que de extremamente grave se passou então, e que tanto denegriu o nosso País, na imprensa estrangeira, ao qual tive acesso, ainda muito jovem, e cheia de valores e ideais humanistas (na minha breve passagem pelo MNE).Artigo interessante este, ao fazer uma pausa e vir "vasculhar" este bolgue,descobri esta ínteligente e também "soft" nota sobre.... BRINCAR COM O FOGO.....Estes são também momentos que têm a virtualidade de nos ajudar a refletir. Um amigo, habituado a aplicar a inteligência à vida, deixou-me cair, no decurso do "show": "Ora aqui está quem pode e sabe lidar profissionalmente com as chamas. Pena é que outros, que não sabem, brinquem tantas vezes com o fogo". ...fim de citação....
E, mal comparado este meu pensamento atabalhoado, leva-me a ponderar....nos anos 70, muito os governantes brincaram com o fogo, e apesar dos pesadelos que houve pelo caminho, um dia sairam levemente chamuscados (com dourados exilios é certo)mas com o poder perdido nas ruas por uma tal revolução dos cravos, Não será que, o que vai lentamente , mas em crescendo, acontecendo neste País,este "brincar com o fogo", e com as gentes do meu País, com a desculpa da inevitabilidade do plano da troika, sobrecarregando sempre os "suspeitos do costume", não vai têr um fim? Não vai haver alguém que um destes dias vai dizer....BASTA...?
....Sr. Embaixador, des~culpe o desabafo, e se um artigo tão medíocre, por entre pessoas tão inteligentes que escrevem no seu blogue, não fôr publicado, pelo menos, o Sr. teve oportunidade de o lêr...até porque eu sou das pessoas que teve o privilégio de privar e ser amiga de alguns dos seus Pares...dos que fizeram história pela sua dignidade e honestidade, nesses tão dificeis tempos de então...

Anónimo disse...

É pena que as cinzas não servem de enxerto a cicatrizes de queimaduras e dor...
Isabel Seixas

Alcipe disse...

Perguntaram um dia a Jean Cocteau:
"Se houvesse um fogo em sua casa, o que salvaria?"
"O fogo" respondeu Cocteau.

Andam alguns agora a fazer de Cocteau. Mas há quem ganhe com a madeira ardida ...

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Alcipe estou consigo. Há quem ganhe com a madeira ardida. Sempre.

Anónimo disse...

Senhor Embaixador,

Oh se me lembro, lembro sim dos espirros da minha estimada amiga no concerto do Keith Jarrett. So que pensei terem sido 3 e nao 4 (dado ao estado de embevecimento em que me encontrava. Quanto aos "Comboios" do Steeve Reich continuo a gostar muito passadas que sao estas decadas e tambem do "Filipe dos Vidrinhos". Nao sei se tudo se passou no mesmo concerto ou em dois... Ai os nossos gostos nao coindidem mas nem tudo tem que ser coincidente e ainda bem!

Lembro-me muito bem dos bifes e da cerveja no restaurante debaixo da arcada. Pena e que o dito restaurante, sob nova gerencia, ja nao seja a meszma coisa, mas ainda la vou e continuam a ter bom jazz ao vivo a sexta feira. Lamento dizer-lhe que o "certo grego" de Tottenham (t'arrenego) Court Road fechou ha anos porque o custo da "lease " ter aumentado tremendamente. No local esta um "Cafe Nero" com uma bica aceitavel...

Ouvi no passado mes de Julho, no Royal Festival Hall o trio (Keith Jarrett, John Dejonnette e Gary Peacock). Magnificos, deram 4 "encores" comecando com "God Bless the Child" e terminando com "When I fall in Loved" (se nao me engano). Magnificos e lembrar-me eu que O Gary Peacock nasceu em 35 e Keith Jarrett, 45... Bem conservados e K.J. recuperado dos males que o afligiram ha anos...

Saudacoes de Londres e se algum dia se cruzar com a minha amiga dos espirros diga-lhe que evite constipacoes de Verao que sao piores que as de Inverno!

F. Crabtree