Espero bem estar enganado, mas a pírrica vitória de Hamid Karzai nas eleições presidenciais afegãs, depois da desistência do seu rival Abdullah Abdullah, afigura-se mais um alerta para a tormenta que aí vem do que um sinal de acalmia ou o prenúncio de uma sedimentação da situação, formalmente democrática, que as urnas recentemente desenharam.
As forças internacionais que, com toda a legitimidade, intervieram no Afeganistão, para tentar repor uma ordem que ameaçava a sua própria segurança, terão sofrido a conjugação de duas debilidades difíceis de superar e encontram-se agora numa situação que, por maior que seja a euforia alardeada pelos seus dirigentes, traduz a extrema dificuldade em que se encontram.
A primeira debilidade teve a ver com o facto da liderança da operação no Afeganistão ter cabido aos Estados Unidos, sob uma administração em Washington que foi incapaz de transformar a indiscutível razão que lhe advinha do 11 de Setembro numa autoridade com valor moral, com real capacidade congregadora de um mundo que, com razão, temia e teme a política desestabilizadora dos talibãs, a começar pelos seus próprios vizinhos do Golfo. Assuma-se ou não isto abertamente, a legitimidade da coligação internacional ficou desde logo fragilizada por este "pecado original", que lhe era alheio.
A segunda debilidade decorre directamente da primeira. Ao terem conseguido o prodígio de conseguir desequilibrar toda a região, pela continuidade da política "neutralidade colaborante" assumida ao lado de Tel-Aviv no conflito israelo-palestiniano, pela imponderada invasão ilegal do Iraque (para a qual arrastaram outros complacentes parceiros) e por uma política errática de alianças regionais, sem uma estratégia devidamente consensualizada, os americanos acabaram por abrir uma imensa "caixa de Pandora". Foi assim no Paquistão, como o foi no modo irresponsável como provocaram o vazio de poder em Bagdad, onde não cuidaram em gizar fórmulas mínimas de transição. Neste cenário subitamente desequilibrado, o Irão passou a ter, pela primeira vez desde há muito, uma formidável capacidade para se afirmar autonomamente na região, situação agravada agora pelo novo "leverage" que lhe é dado pelo seu potencial nuclear.
Agora, tudo isto está a sobrar para o "Ocidente", para uma NATO obrigada a viver, já quase com naturalidade, o seu posicionamento "out of area", isto é, para todos nós, cada um de acordo com as suas possibilidades. Qual é a solução? Verdadeiramente, ninguém sabe. "Deitar" mais tropas sobre a guerra, num terreno como o Afeganistão, lembra inapelavelmente o tempo em que os soviéticos por lá andaram e, do mesmo modo, o período do Vietnam. Só que, neste último caso, não havia petróleo na região, nem ameaça nuclear, nem vizinhanças imponderáveis para gerir. Restará, um dia, negociar. Com quem? Com os talibãs? Esperemos apenas que Karzai não venha a ser condenado a, mais cedo ou mais tarde, vir a fazer o papel de clone de Nguyen Van Thieu.
Aqui há uns anos, numa praia balcânica, uma amiga sérvia contava-me, com um triste sorriso, que, em 1999, ao tempo em que Belgrado sofria noites de pesados bombardeamentos aéreos americanos, logo que o dia raiava os operários regressavam ao trabalho para a construção da primeira loja do McDonald's na cidade. Era o retrato de uma trágica ironia, que dizia bem do mundo em que vivíamos.
Recordei isto ao ler, ontem, que a McDonald's fechou em Reykjavik, na Islândia, pelo facto da desvalorização da moeda local ter tornado caros e não competitivos os produtos que vendia.
Longe vai o tempo em que, para um país, ter uma loja de McDonald's era uma espécie de cartão de identidade de moderna sociedade de consumo. Por todo o mundo, deu-se cabo de edifícios lindíssimos para alojar essas fábricas de colesterol. Alguma patetice liberal, cuja autoria me escapa mas que deve estar próxima dos "neocons", chegou mesmo ao ponto de afirmar que, no plano dos conflitos armados, era muito improvável que países onde existissem McDonald's gerassem guerras entre si.
Tudo mudou. O capitalismo, de facto, já não é o que era. Até o McDonald's já fecha por força do mercado. Confesso que não verto uma lágrima.
As polémicas com conotações políticas não são o forte deste blogue, como é sabido. Mas confesso que não resisto a dizer algo breve sobre o conflito que tem sido suscitado em torno de Saramago, a propósito da sua nova obra - "Caín".
Para afirmar três coisas.
A primeira, para deixar claro que não li o livro e que, pela temática que aborda, não me parece que ele venha a ingressar nas minhas prioridades de leitura, nos tempos (anos) mais próximos.
A segunda, para dizer que acho que José Saramago escreve muito bem, que já li coisas dele que me deram um grande prazer e que, como português, tenho um grande orgulho que a ele tenha sido atribuído o prémio Nobel da literatura. Como o poderiam ter tido Torga, Jorge de Sena, Sophia, Lobo Antunes ou Lídia Jorge.
A terceira, para expressar, alto e bom som, que continuo a achar de uma inqualificável infelicidade, num mundo como o de hoje, atitudes e comentários obscurantistas de certas pessoas, como Sousa Lara no passado ou Mário David há dias, diabolizando o escritor, num triste sectarismo político e numa manifestação de reaccionarismo religioso primário. Acontece que ambos são meus amigos pessoais, mas tais tomadas de posição, embora as possa compreender, não consigo respeitá-las - e não desconheço que seria bem mais consensual construir o final desta frase ao contrário. Mas é isto que eu penso.
(Alerta aos leitores: este post foi posteriormente rectificado. Leiam aqui)
De há muito que tenho o maior respeito pelo grupo hoteleiro Pestana, dirigido por Dionísio Pestana, um empreendedor de grande visão que soube transformar um núcleo de operação na Madeira numa das maiores - senão a maior - redes nacionais de hotéis, com expressão internacional. Fê-lo com capitais próprios, com imenso profissionalismo, com visão estratégica.
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No Brasil, durante vários anos, pude constatar e constantemente apoiar o alargamento da actividade do grupo, que se transformou numa imagem de marca da hotelaria portuguesa de qualidade - de que o magnífico Hotel Convento do Carmo, em Salvador da Bahia, é o seu melhor cartão de visita.
Já há uns anos, o Grupo Pestana obteve a concessão da Enatur, que dirige as Pousadas de Portugal, empresa onde o Estado português mantém, contudo, uma importante participação.
A rede Pousadas de Portugal é uma estrutura histórica. Criada em 1940, numa iniciativa de António Ferro, tinha subjacente uma lógica de promoção turística voltada para o mercado estrangeiro, com preços baixos (não admitia estadas de mais do que três noites consecutivas) e uma qualidade de serviço muito interessante, apoiada na exploração de valores gastronómicos nacionais. Era constituída por edifícios construídos de raiz, por outros adaptados e, com maior incidência nas últimas décadas, por edifícios históricos, os quais foram recuperados da ruína e do esquecimento, com fundos do orçamento público.
Sei bem do que falo porque, há muito que frequento com regularidade as Pousadas de Portugal, sendo que, pelas minhas contas, dormi até hoje em, precisamente, 41 dessas unidades, algumas delas entretanto já desaparecidas. Por isso, julgo ter algum "direito de utente" para me pronunciar sobre o que vi e sobre o que actualmente vejo.
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E hoje vejo, com grande desagrado, o grupo Pestana numa clara deriva no sentido de "ver-se livre" de algumas unidades cujo lucro não será aquilo com que contava, a alienar parte de um património que ninguém parece lembrar ter dimensões que estão muito para além das questões económicas, dimensões que, se o não foram, deveriam ter sido acauteladas no contrato de concessão, em eventual articulação de sustentação com as regiões turísticas e com as autarquias da região.
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As Pousadas de Portugal, para além do natural negócio que devem ser, são factores de equilíbrio regional, de polarização de circuitos turísticos, de conservação de valores de gastronomia local. Tais unidades hoteleiras constituíram sempre um orgulho para as populações locais e são também, goste-se ou não, um elemento de serviço público.
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Da mesma maneira que os Correios de Portugal ou a EDP são obrigados, por contrato, a levar as cartas ou a electricidade a zonas remotas do país, onde uma simples lógica económica recomendaria o imediato fechamento da operação, também as Pousadas devem ser vistas nessa perspectiva de utilidade pública, pelo facto de serem, em algumas áreas, o único suporte para alojamento turístico de alguma qualidade. Aliás será para isso, ao que julgo, que o Instituto de Turismo de Portugal permanece no Conselho de Administração da ENATUR. Caso contrário, o que estará lá a fazer? A servir de mero e silencioso "rubberstamp" legitimador das decisões do Grupo Pestana?
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O Estado português não deu a concessão ao grupo Pestana para assistir, impávido e cúmplice, a um arbitrário "downsizing" desse património, marcado por uma lógica exclusivamente economicista. Esta não é uma concessão qualquer. Há dimensões históricas a ela associadas, as quais, a meu ver, e por exemplo, são em absoluto incompatíveis com a simples e fria alienação de edifícios de valor arquitectónico insubstituível. Da mesma forma, escandaliza-me que a Enatur possa arrogar-se o direito, com prejuízo da dignidade da imagem das Pousadas de Portugal (que é uma marca nacional, de que não é proprietária, note-se), de subconcessionar certas unidades, em "franchising", a qualquer "pato bravo" hoteleiro, sem história nem credenciais na profissão, lavando depois as mãos para o modo como a exploração vier a decorrer. O que observei, recentemente, em unidades que continuam a manter a “imagem” da Enatur, constitui uma verdadeira vergonha, com espaços decorados à luz da saloíce dos novos proprietários, à moda da "pensão da Tia Anica"...
Vem isto a propósito do anúncio que acaba de ser feito do próximo encerramento da Pousada Barão de Forrester, em Alijó. Há poucos anos, a Enatur - sob proposta do Grupo Pestana e a complacência incompreensível do Instituto de Turismo - já tinha vendido (!!!) o edifício da Pousada de São Gonçalo, no Marão, uma jóia arquitectónica que remonta às origens do projecto das Pousadas. Nem uma folha de protesto então buliu, que se desse conta, por parte das Câmaras Municipais de Amarante e Vila Real. Antes, tinha já "ardido" Miranda do Douro. Agora, para os transmontanos, para que o "deserto" se torne completo, só resta que a Enatur "terceirize" (como dizem os nossos amigos brasileiros) a Pousada de Bragança.
Onde iremos chegar? O Instituto do Turismo de Portugal ou a Secretaria de Estado do Turismo não terão nada a dizer sobre isto? Uma palavra “lá em baixo” do meu querido amigo, Dr. Alexandre Chaves, operativo Governador Civil do Distrito de Vila Real, seria muito bem vinda.
Você acaba de entrar numa nova vida, e logo num tempo bastante difícil, em que muito se exigirá de si, dos seus conhecimentos e do seu bom-senso, da sua integridade e da sua força de vontade. Conhecendo-o bem, julgo ser "the right man in the right place" e, diria mesmo, "at the right time"- e você sabe de mim o suficiente para ter a certeza de que só digo isto porque sinceramente o penso. Atrevo-me mesmo a afirmar, não sem algum orgulho, que, até agora, você teve sempre uma boa escola.
Porém, como em tudo na vida, só na água se aprende a nadar. Ver os outros no jogo é muito instrutivo, até para evitar cometer alguns dos erros observados. Mas as coisas são diferentes quando se "está lá", quando se é o responsável, quando todos olham para si, para o bem e para o mal. Principalmente para o mal, como sabe.
Você começa agora. Numa bela frase que fez escola, Jaime Gama dizia que "não há uma segunda oportunidade para se criar uma primeira impressão". Tendo a concordar, embora não em absoluto, porque as imagens fixam-se diacronicamente no juízo das pessoas e o tempo ajuda a sedimentar a solidez de quem é realmente consistente. Você dir-me-á, com a sua proverbial modéstia, que isso o preocupa pouco e que, no essencial, quer apenas conseguir fazer bem aquilo que lhe propuseram. Mas, como já terá visto de forma muito crua, "em política, o que parece é", como dizia o manhoso de Santa Comba. É triste, mas é assim.
Para um observador desprevenido, a sua tarefa até pode parecer fácil. Mas você sabe bem melhor que muitos que, para além do que a opinião publicada ou comum intui, há aí desafios externos muito sérios pela frente, face à vontade de alguns de mudar o paradigma do processo colectivo, interessados que estão em assegurar a continuidade do respectivo poder, através da garantia lampedusiana de que "alguma coisa tem de mudar para que tudo continue na mesma".
Não quero parecer "patronizing", mas não resisto a deixar-lhe algumas notas: conselhos ou frutos da experiência, tome-os como quiser. Faço-o agora porque não terei nem necessidade nem ocasião de lhe dar quaisquer opiniões futuras, porque, como você e muitos outros bem sabem, é meu arreigado e inabalável hábito deixar deliberadamente de procurar ou frequentar quem assume funções elevadas.
Desde logo, tente rodear-se de gente que tenha a certeza de ser, simultaneamente, competente, fiel e crítica. E, se possível, que escreva um bom português, uma língua antiga em rápida extinção na nossa administração pública. Junte pessoas que tenham a liberdade e a coragem para lhe dizer aquilo que até pode não lhe apetecer ouvir, mas que é essencial que você ouça; embora se reserve sempre o seu direito de não concordar e decida fazer exactamente o contrário. Não hesite em mudar de opinião, quando os argumentos forem inteligentes e convincentes, mesmo se oriundos de colaboradores muito mais jovens. Sabe do que falo, claro...
Não se deixe nunca tentar por tiques de auto-suficiência ou de autoridade (que seriam estranhos em si, em qualquer caso), por reflexos de sobranceiro "déjà vu" ou por formalismos compensatórios da sua idade - como, ridiculamente, já vi emergir em (então) jovens figuras políticas, pouco à vontade com as suas novas responsabilidades. Em política, a idade que se tem é a da autoridade que soubermos transmitir, sendo a juventude, aliás, o único "defeito" que passa sempre com o tempo.
Atente bem nas lições do passado, porque nada começa hoje, embora a História nunca se repita, salvo para os que a lêem de forma preguiçosa ou dogmática. Procure decifrar bem a "agenda" de quem cruzar pelo mundo, perceba as suas motivações profundas, sem se deixar enredar em teorias conspirativas, mas igualmente sem cair em perigosas ingenuidades. Não se acomode a supostas inevitabilidades, não receie dizer "não" quando entender que isso é importante, não use "langue de bois", chame as coisas pelo nomes e não se importe de ficar isolado, nem tenha a tentação de ser simpático em matérias de Estado. O interesse do país está sempre acima dos nossos humores.
Claro que você também sabe que, à sua volta, há adulações que vêm por aí, com os "yes men" e as "yes women" que lhe darão a "música" agradável aos seus ouvidos, que acharão "genial" a entrevista que você percebeu que saiu menos boa, que dirão "o máximo" do discurso que fizer, por mais banal que lhe tenha saído. Relativize sempre tudo isso.
Seja muito firme, não dando, logo desde o início, o mínimo espaço para a sobrevivência funcional de distâncias derivadas dos tempos da carreira de onde você é oriundo (e onde agora não está inserido, lembre-se sempre!). Corrigir o erro, depois, será muito mais difícil e penoso. Exerça em pleno a sua autoridade, porque, como escreveu Balladur num recente livro, "le pouvoir ne se partage pas".
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Alguns, de forma mais ou menos explícita, tentarão preservar fatias de decisão que se habituaram a gerir, quase a seu bel-prazer. Corte-lhes as "vazas" e, estabeleça, desde o primeiro segundo, sem tibiezas e ambiguidades, as suas novas regras. É que se o "pacote" de responsabilidades passa a ser seu, toda a decisão também lhe cabe a si, na gestão como na definição das políticas. E esteja também atento aos curto-circuitos hierárquicos, essa insidiosa forma de se sustentarem influências "por cima" de si, com "shortcuts" de oportunidade. Sei bem do que falo e você também sabe como, no passado, foram tratadas, com êxito e algum gozo, algumas derivas dessa índole.
Mantenha e frequente os amigos de sempre, comporte-se com eles com a naturalidade habitual. Eles podem ser-lhe muito úteis na "leitura" da realidade exterior de que, forçosamente, ficará um pouco mais distante. E aí estarão, ao virar da esquina, quando se esgotar a transitoriedade das funções que agora vai ocupar. Eles serão a sua eterna e insubstituível "almofada" afectiva.
Agora, um assumido conselho: não projecte a ideia de ser "o homem" de ninguém, o "remote controle" de outras instâncias, uma figura tutelada, actor secundário à espera das deixas de outros. Sem incorrer na mínima quebra de lealdade ou de disciplina face à orientação de quem tem legitimidade para lha dar, perceba que há um palco que agora é apenas seu: dirija a peça, oriente sem tibiezas os artistas - e alguns são mesmo uns "verdadeiros artistas".... É que, das palmas ou dos apupos que se vierem a ouvir, você está condenado a só poder partilhar as primeiras.
De igual modo, seja totalmente livre: evite a tentação de caminhar para a construção de um qualquer proselitismo, para a criação de "equipas" de fiéis em seu redor, esse viciado mundo, tão típico da profissão que vai co-tutelar, cuja cultura dominante se apoia em esferas de influência, em mini-nepotismos conjunturais, feitos de atribuição arbitrária de cargos e funções, a troco de lealdades com preço certo - nas promoções ou nas colocações seguintes. Ouça amigos próximos, mas decida sempre sozinho. Trate bem toda gente, mesmo os mais "sinistros", mas apenas enquanto assim o merecerem. Quanto tal não acontecer, passe então a tratá-los como realmente merecem, sem contemplações ou moratórias. O tempo das indecisões só joga contra si.
Ah! e não se esqueça: ria-se, divirta-se, mantenha um bom ambiente no trabalho e trate as coisas com a leveza que se justifica, sem perder o humor e a capacidade de exercer ironia. Até sobre si próprio. E, nunca por nunca, caia na tentação de dizer que está a fazer um sacrifício, um serviço pelo qual o Estado e o país lhe devem ficar reconhecidos. Você é que deve estar grato a Portugal por lhe ter dado a honrosa possibilidade de o servir.
Meu caro, como diria o Sérgio Godinho, "este é o primeiro dia do resto da sua vida". E só há uma, lembre-se! E porque esta vida são dois dias, aproveite bem as noites! Não esqueça a família, não lhe atafulhe os sofás com papéis cor-de-rosa, pela noite dentro: saia, jante fora, divirta-se, beba um copo, fale com amigos de outras coisas que não política, viaje e leia muito. Pode crer que o mundo não vai parar, só porque você insiste em ser uma pessoa normal.
Não lhe vou desejar felicidades profissionais e políticas, porque isso seria redundante com o que você sabe que eu penso. Desejo-lhe saúde, alegria, vontade e sorte. O resto - inteligência, honestidade, sabedoria, rigor e dedicação - você já tem.
E mando-lhe um forte abraço de amizade, esperando agora só o voltar rever, com calma e sem agenda, daqui a quatro anos, para então lhe dar conta dos meus ócios na reforma. Aproveite o tempo bem! O seu sucesso será o nosso.
Francisco
PS - Vou oferecer-lhe um clássico do Gerald Kaufman, com mais de duas décadas, intitulado "How to be a Minister". Esclareço, para leitores menos atentos, que, sendo um livro inglês, "minister" significa, entre nós, "secretário de Estado". "Bien entendu"...
O país ficou a saber que o lince regressa à Malcata. Quando já se pensava que o animal tinha desaparecido por completo, até porque se não ouvia falar dele há muito, o esforçado empenho dos protectores da espécie vai recolocá-lo de novo no único habitat onde foi gerado e ficou conhecido, dando-lhe uma nova oportunidade para reproduzir homólogos e espalhá-los no seu ambiente comunitário próprio. Fugidio, habituou quem escrutinava os seus passos com atenção à imagem de um animal palmilhador de montes e vales, só se dando bem entre os seus, que protege e ajuda a alimentar, num sentido gregário muito comum à espécie, reagindo quase sempre com grande desconfiança à aproximação de estranhos. De porte pequeno e ladino, mas sem as defesas de inteligência que caracterizam os animais de qualidade superior, fragilidade que quase levou à sua extinção entre nós, o nosso lince vai agora tentar reocupar os espaços da sua geografia tradicional, na luta eterna pela sobrevivência, a qual, no essencial, passa pela satisfação quotidiana das necessidades que lhe são próprias. O tempo já provou que o lince apenas consegue assegurar tal sobrevida dentro da área onde tradicionalmente se move, por lhe faltarem certas qualidades de agilidade e adaptação, em absoluto indispensáveis para vingar noutros terrenos. Mas porque, como o passado provou, o animal acarreta consigo algumas derivas predatórias, a que quem anda pelas suas zonas se verá forçado a estar atento, corre sempre o risco de vir a ser alvo de actos isolados de reacção cinegética, susceptíveis de porem em causa todo o esforço feito na sua recuperação. O regresso do lince à Malcata é, indiscutivelmente, uma significativa notícia do nosso mundo animal neste Outono.
As horas que a vida me deixa livres são muito poucas para a leitura de blogues. Quando, durante um certo tempo, tive o meu período de "osceosidade" (estado de espírito só para iniciados, que não vem nos dicionários), passei muitas noites a saltitar pela blogosfera. Quem sabe se não é ainda a escondida memória desses tempos que hoje me afasta dos blogues? Apenas de quando em vez, passo, sem o menor critério, por um ou outro blogue, para o qual alguém me chama a atenção, sem rotina de consulta a "favoritos", que teimo em não registar, quase sempre levado por uma espécie de pesquisa arbórea, remetido de um sítio para outro e daí para outro ainda, até que me canso e recolho a penates.
Hoje calhou-me passar por um blogue de que já aqui falei, escrito "a sério", por quem sabe escrever - não este escrevinhar despretencioso e ligeiro, mas a solidez profunda de um texto literário.
Ler "As cidades em que vivo", escrito no seu "Tim Tim no Tibete" pelo embaixador e escritor (ou será o contrário?) Luis Filipe Castro Mendes, foi um bálsamo nesta tarde de sábado parisiense. E serviu, do mesmo modo, como recordação dos dias que ambos passámos juntos em Delhi e em Budapeste, das muitas horas em livrarias ou em charlas soltas à volta do copo de velha amizade, como também algumas vezes aconteceu, já há muito tempo, aqui por Paris e mais tarde por Viena. Nesse texto fala também do Rio, como podia falar de Luanda, cidades que partilhamos sentimentalmente, cada um à sua maneira, sem nunca por lá nos termos cruzado.
Leia-no e, garanto, ficarão eternos clientes. Como imagem, deixo o Ganesh, o deus dos escritores, como ele.
A apresentação da política portuguesa de ajuda ao desenvolvimento estava a correr bastante bem, naquela reunião com homólogos, no final dos anos 80, numa capital europeia. O grupo técnico que eu integrava fazia, sector a sector, uma descrição, devidamente quantificada, da nossa política de cooperação. O "número" já tinha sido ensaiado em duas ocasiões, em língua inglesa, e estávamos agora a experimentá-lo, pela primeira vez, em francês.
Uma boa parte da reunião já tinha decorrido quando nos começamos a dar conta de alguma agitação do lado dos nossos interlocutores. Todos trocavam impressões entre si e, aparentemente, alguma coisa naquilo que estava a ser dito pelo nosso colega os impressionara. Mas, ouvindo-o, nada nos soava a estranho. Até um certo momento.
Com efeito, sou eu próprio que detecto que, num determinado ponto da sua apresentação, o meu colega se referia a um montante em "ecus" - na altura a moeda escritural que estava em voga na União Europeia e que equivalia, se bem me lembro, a cerca de 150 escudos portugueses, a nossa moeda da época. Confesso que estranhei: não era vulgar apresentar valores em "ecu", até porque a moeda quase "oficial" da ajuda ao desenvolvimento era o dólar americano.
Foi então que, num instante, realizei o que se estava a passar. O nosso colega estava a referir-se aos nossos escudos e, em lugar de referir o nome da nossa moeda em português, decidira "traduzi-la". Ora em francês, "escudo" é, de facto, "écu", mas apenas com o significado daquela arma de defesa antiga, redonda, para evitar golpes de espada.
A perturbação e a incredulidade da delegação interlocutora eram plenamente justificadas. Nas suas contas, a nossa ajuda pública ao desenvolvimento estava a ser multiplicada por ... 150 vezes! Somos um país generoso na nossa ajuda externa, mas há limites!
Saltei da cadeira e, com a delicadeza possível, interrompi a reunião e expliquei ao nosso colega o lapso que estava a cometer. Qual quê?! Desagradado, ficou furioso comigo e teimou que estava a traduzir bem o nome da nossa moeda. Só com a ajuda de um terceiro elemento da nossa delegação foi possível convencê-lo.
Hoje, as coisas seriam diferentes: as novas gerações de diplomatas raramente optam por falar francês e, com o euro, acaba por ser tudo muito mais fácil. Embora, talvez, com menos graça.
Há dias, num jantar aqui em Paris, veio à baila a origem da nossa expressão "sair à francesa", que também é usada noutros países europeus. Desde há muito que a liguei à ideia de alguém que, numa festa ou numa outra ocasião social, se escapule "sem dizer água-vai" (e aqui está outra expressão interessante, desta vez muito lisboeta) aos donos da casa. Por que razão isso aparece ligado aos franceses, sempre tidos por seguidores estritos de protocolo, não se sabe.
Isto leva alguns, mais simpáticos ou mais imaginativos, a irem para a justificação de que se trata de uma corruptela de "saída franca", isto é, saída livre de mercadorias, sem pagar impostos. A verdade é que a expressão é antiga entre nós. Nicolau Tolentino, o poeta satírico que morreu em 1811, escreveu: "Sairemos de improviso/despedidos à francesa". O que inviabiliza as versões que a ligam ao tempo das invasões napoleónicas.
Pelo sim pelo não, os franceses "passaram a bola" através da Mancha e criaram a expressão "filer à l'anglaise" (ver nota no fim), fórmula que já tenho visto utilizada num sentido não físico, por exemplo, designando uma escapatória numa conversa que se torna menos conveniente. Quem souber mais sobre isto que se levante por escrito.
Para que este post não pareça agressivo para o país que tão generosamente me acolhe no seu seio, para utilizar a fórmula do saudoso A.B. Kotter, aqui fica uma diplomática nota de tom auto-flagelatório: em Itália, "entrare alla portoghese" significa ter acesso a algo sem ser convidado ou sem pagar.
Só que, neste caso, e repercutindo outro clássico, parece que a História nos absolverá. Com efeito, a ideia terá ficado na memória italiana pelo facto de, aquando da famosa embaixada do rei dom Manuel I ao papa Leão X, os cidadãos portugueses que a integravam terem sido, por um gesto de hospitalidade local, isentos de pagamento para a frequência de locais públicos. Daí decorre, talvez, a generalização que passou a fazer-se. Mas, porque não tenho vocação para ser um "historiador à Saraiva", também não garanto, em absoluto, a consistência desta versão. A qual, como por lá também se diz, "se no e vera e bene trovata".
Em tempo: eu tinha escrito erradamente "sortir à l'anglaise". Um leitor atento esclareceu-me (leiam-no nos comentários)
É um livro magnífico, este "livre d'artiste", como tive oportunidade de constatar na exposição que Cristina Isabel de Melo ontem promoveu ao final da tarde, no Atelier Florence Berger, para a sua apresentação em Paris. Existem apenas 20 exemplares deste livro - é verdade! -, numerados e assinados, cada um deles ilustrado com 16 fotografias em papel "Hahnemuhle Fine Art", para cuja consulta são indispensáveis luvas! As imagens são acompanhadas por poemas de Nuno Júdice, traduzidos por Cristina, que também é a "autora" da edição.
Cristina Isabel de Melo - artista plástica, poeta, tradutora e editora - vive em Pont-Aven, na Finisterra, e para se saber mais dela basta consultar aqui e aqui.
O poeta Nuno Júdice não necessita de apresentação, mas já há meses falei dele aqui e, não tendo podido estar presente neste lançamento, recebe um abraço meu por este meio.
Faz hoje precisamente 44 anos que Ben Barka, líder democrático marroquino, foi raptado à porta da Brasserie Lipp, no boulevard St. Germain. Seria depois assassinado, num "affaire" sórdido, de contornos nunca totalmente bem definidos, que tem uma versão que é sintetizada aqui.
Almocei lá hoje com dois amigos, em jeito de memória.
Há semanas, passei pela casa onde Mário de Sá Carneiro se suicidou, em 1916, no nº 29 de rue Victor-Massé, aqui em Paris. O poeta de "A confissão de Lúcio" foi, porventura, um dos escritores portugueses que deixou mais referências sobre a sua estada em Paris, como recordaremos em breve neste blogue.
Hoje de manhã, na Sorbonne, na abertura do colóquio internacional "Le Futurisme et les Avant-Gardes au Portugal et au Brésil", Fernando Cabral Martins destacou a figura de Mário de Sá-Carneiro que, com Fernando Pessoa, criou, em 1915, a revista cultural "Orfeu".
É muito interessante esta iniciativa coordenada por Maria Graciete Besse, agregando diversas entidades dedicadas aos estudos portugueses e brasileiros que operam no ensino universitário parisiense. Ela "responde", de forma muito digna, ao esquecimento a que Portugal e o Brasil foram votados nas referências internacionais assinaladas na exposição internacional que foi organizada no ano passado pelo Centre Pompidou, ligada ao centenário do "manifesto" futurista de Marinetti, de 1909.
Foi numa sala do Altis, em Março de 1976. Frente-a-frente, delegações de Portugal e de S. Tomé e Príncipe, país recém-independente. O tema era o chamado "contencioso financeiro" e, no caso específico, os arranjos necessários para garantir a transferência dos descontos para a segurança social feitos pelos funcionários públicos portugueses, durante os últimos meses do regime colonial, que se encontravam depositados no Banco central de S. Tomé.
As conversas estavam a decorrer bem, até que um zeloso membro da nossa delegação, que estava no uso da palavra, decide suscitar, sem conhecimento do secretário de Estado que a chefiava, o seguinte tema: haveria cerca de 800 contos de descontos feitos pelos agentes da Direcção Geral de Segurança (novo nome dado à PIDE), a polícia política do regime derrubado no 25 de Abril. Portugal pretendia que o Governo santomense entregasse esse dinheiro.
No cômputo geral do que estava em jogo, o montante era perfeitamente irrelevante e só um espírito "picuínhas" e burocrático, sem o menor sentido diplomático, teria tido a peregrina ideia de solicitar a respectiva restituição. Tecnicamente, o problema poderia ter algum sentido, mas, politicamente, era uma atitude completamente desastrada. E aquela era uma discussão política.
Antes que o chefe da delegação portuguesa pudesse aperceber-se da dimensão da patetice que acabara de ser dita pelo burocrata, o seu homólogo santomense levanta-se e afirma que, perante uma atitude deste teor, que considerava como ofensiva, o seu país abandona as conversações.
Ficámos todos em sobressalto. As relações com o novo governo santomense eram excelentes e um incidente destes era mais que escusado. A delegação de S. Tomé e Príncipe seguiu, naturalmente, o seu chefe, e levantou-se da mesa. Do lado português, ainda um pouco aturdidos, fizémos o mesmo.
Todos? Não! O governante português que dirigia a nossa delegação não só não se levantou como, para grande surpresa de quem o olhava como o salvador da situação, esperando que ele alcançasse rapidamente o seu homólogo santomense, que já abandonava a sala, e o convencesse a retomar o diálogo, foi-se "enterrando" na respectiva cadeira, com metade do corpo a deslizar mesmo sob a mesa das negociações.
O espectáculo era surreal e ninguém percebia o comportamento do nosso político - um homem de bem, que mais tarde iria ter uma carreira destacada no Portugal democrático. A sua cara denotava embaraço e, pouco a pouco, fomo-nos dando conta de que, afinal, procurava algo debaixo da mesa.
A explicação foi dada em segundos: o nosso governante havia tirado os sapatos durante a reunião de trabalho. Com os momentos precipitados que tinham acabado de suceder, e ao procurar calçá-los, terá acabado por lhes dar um pontapé e enviado ainda para mais longe, pelo que toda a sua estranha coreografia não representava senão o seu denodado esforço para se calçar, antes de ir tentar uma "démarche" diplomática. De facto, em peúgas, seria um pouco estranho estar a promover um diálogo político...
Tudo acabou em bem, os sapatos apareceram, os santomenses regressaram à mesa negocial e lá descalçámos mais essa bota...
Um leitor atento queixou-se do "lapso imperdoável" de não ter referido ainda neste blogue a comemoração dos 50 anos da divertida série de banda desenhada Astérix, criada por Uderzo e Goscinny. E lembrou-me o facto de por aqui já ter falado de Corto Maltese, Lucky Luck, Tintin, Mafalda e Blake & Mortimer.
De facto, Astérix merece ser citado, embora a comemoração seja só amanhã. Fica feita a rectificação e, se me permitem, ilustro-a com a figura de Obelix, essa generosa personagem cuja dimensão física melhor passei a entender desde que por aqui vivo, em especial depois de conhecer a excepcional gastronomia destas terras da Gália - já não feita apenas de "sangliers".
A foto tem a qualidade própria de um telemóvel, mas achei que, apesar de tudo, valia a pena inseri-la como demonstrativa da "subversão" por que passou ontem a Embaixada de Portugal em Paris, com a invasão pacífica de dezenas de jovens portugueses e luso-descendentes - do ensino primário ao superior.
Mais de duzentas pessoas, que incluíram familiares e professores, estiveram presentes numa sessão de distribuição de bolsas a estudantes com dificuldades económicas e de prémios de estímulo à aprendizagem do português. Esta é uma iniciativa da Embaixada, com a preciosa ajuda de empresas nacionais que operam em França - Banco BCP, Banco Espírito Santo et de la Venétie, Caixa Geral de Depósitos, Fidelidade e Inapa.
Esta foi uma excelente demonstração do sentido de responsabilidade social de empresas que sabem interpretar a palavra solidariedade.
Lisboa é uma das mais belas cidades da Europa e o seu prestígio como destino turístico tem vindo a afirmar-se. Mas nem todos "dizem bem" de Lisboa: a diabolização de Tratado que tem o seu nome - na Irlanda como na República Checa, bem como em diversos outros meios eurocépticos europeus - trouxe Lisboa por paredes e por cartazes, e não por boas razões.
Depois de ter dado o nome à famosa "Estratégia de Lisboa", um prestigiante projecto para lançar a competitividade europeia à escala global, a capital portuguesa ficará agora associada ao destino do novo tratado europeu - dada a previsível dificuldade de gerar, por muitos e bons anos, um diferente consenso institucional entre os Estados membros.
Esperemos que um bom funcionamento da União Europeia, à luz do novo tratado, possa ajudar a garantir que Lisboa permanece com "bom nome" na memória colectiva da Europa.
Chama-se Quarteto Sofia Ribeiro & Gui Divignau. Sofia canta e compõe, Gui toca contrabaixo, compõe e dirige musicalmente o grupo, de que também fazem parte Leonardo Montana, ao piano, e Mathieu Gramoli, na bateria. O português é uma língua que lhes é comum, porque se cruzaram por terras e músicas por onde passa a sonoridade bem diversa que elegeram como sua forma de expressão.
Mais de uma centena de pessoas esteve a ouvi-los, com manifesto agrado, na noite de ontem, na Embaixada. Do jazz ao fado, da bossa nova a Zeca Afonso, eles deram vida a mais um programa "Entre-pautas/Entre-partitions", organizado pela delegação do Instituto Camões em Paris.
Uma nota: se quiser ouvir Sofia Ribeiro, procure os seus discos "Dança da Solidão" (2006) e "Orik" (2008). É o que eu vou fazer.
Mais de 155 mortos e largas centenas de feridos, na sequência de atentados em Bagdad, no Iraque, no domingo, dão bem a medida da tragédia que continua a marcar o quotidiano deste país.
Desde a invasão, em 2003, o número de mortos por causas violentas é muito discutido, mas em nenhuma das estimativas é inferior a 100 mil mortos. Vários estudos chegam a multiplicar este número por quatro ou mais.
Estas são as verdadeiras "armas de destruição maciça". Afinal, encontraram-nas.
Numa sessão da Sociedade de Geografia francesa, durante a qual hoje falei dos "desafios" do Portugal contemporâneo, foi-me muito interessante verificar o generalizado fascínio dos respectivos membros pelo belíssimo (e muito pouco conhecido) edifício da nossa própria Sociedade de Geografia (na foto), em Lisboa. E soube bem notar o respeito e prestígio que mantém em França essa grande figura da ciência portuguesa que foi Orlando Ribeiro.
Há um Portugal, talvez ainda não suficientemente conhecido dos portugueses, que muitos estrangeiros já descobriram.