O que ontem se passou em Itália configura um dos tradicionais desvios que afeta os processos referendários. No sim-ou-não simplificado proposto aos eleitores, esconde-se sempre muito mais.
O voto negativo de ontem, para além de poder ser uma resposta à questão concreta colocada, corporiza igualmente a insatisfação do eleitorado face à generalidade da situação que atualmente vive - com estagnação na economia, desemprego elevado e uma visível degradação social no país.
A isso se soma um voto de censura a Renzi, um primeiro-ministro desgastado por não corresponder à esperança nele investida e que, para muitos, assumiu um gesto de chantagem e de alguma arrogância ao ter ligado a sua permanência em funções a uma mudança constitucional que, mal ou bem, por razões talvez diversas e contraditórias, muitos italianos não entendiam como positiva na forma apresentada.
A Europa pode vir a sofrer bastante com a instabilidade induzida pelo sentido deste voto e do modo como alguns dele se possam apropriar em eleições legislativas futuras, mas, com a modéstia que sempre devemos ter quando apreciamos uma situação desta complexidade, não creio que dele seja legítimo extrair uma atitude anti-europeia maioritária por parte da Itália.
O voto negativo de ontem, para além de poder ser uma resposta à questão concreta colocada, corporiza igualmente a insatisfação do eleitorado face à generalidade da situação que atualmente vive - com estagnação na economia, desemprego elevado e uma visível degradação social no país.
A isso se soma um voto de censura a Renzi, um primeiro-ministro desgastado por não corresponder à esperança nele investida e que, para muitos, assumiu um gesto de chantagem e de alguma arrogância ao ter ligado a sua permanência em funções a uma mudança constitucional que, mal ou bem, por razões talvez diversas e contraditórias, muitos italianos não entendiam como positiva na forma apresentada.
A Europa pode vir a sofrer bastante com a instabilidade induzida pelo sentido deste voto e do modo como alguns dele se possam apropriar em eleições legislativas futuras, mas, com a modéstia que sempre devemos ter quando apreciamos uma situação desta complexidade, não creio que dele seja legítimo extrair uma atitude anti-europeia maioritária por parte da Itália.