À expectável ligeireza da memória de Durão Barroso sobre o processo político português que antecedeu a Cimeira das Lajes, numa entrevista ao "Expresso"´(link não disponível, síntese essencial aqui), respondeu Jorge Sampaio com um elucidativo e detalhado artigo no "Público". Convém ler os dois textos para formar uma opinião.
Mas, se se quiser ir um pouco mais longe, importará ler o indispensável trabalho que Bernardo Pires de Lima escreveu sobre o assunto - "A Cimeira das Lajes - Portugal, Espanha e a guerra do Iraque” (ed. Tinta da China, Lisboa, 2013).
Na recensão que fiz a esse livro na revista "Relações Internacionais", assinalei precisamente o episódio Barroso-Sampaio: "No processo interno português, o mais interessante de observar é talvez a relação que Barroso foi mantendo com o presidente Jorge Sampaio sobre a matéria. O presidente, desde o primeiro momento, deixou bem claro que considerava um mandato internacional essencial para poder dar a sua “luz verde” a um engajamento formal de Portugal numa eventual ação militar. Mas Sampaio também sabia que não estava nas suas mãos evitar uma posição política por parte do governo favorável a uma intervenção unilateral americana, se esse fosse, como veio a ser, o caso. O livro acompanha muito bem este processo diacrónico, que se presume tenha momentos algo tensos. Deduz-se que Barroso teve um extremo cuidado formal com vista a não cometer deslizes que pudessem ser lidos como uma quebra de lealdade institucional ou do dever de informação. Fica a ideia de que Sampaio pressentiu, desde muito cedo, como tudo iria acabar. Barroso levou a água ao seu moínho, Sampaio salvaguardou a sua posição institucional. Tudo bem?"
Afinal, como eu intuía, não estava "tudo bem"...
