Desde o início da sua carreira que aquele colega se revelara um deslumbrado com o seu estatuto de diplomata, que espalhava aos quatro ventos, como se isso fosse a coisa mais importante do mundo. O "upgrading" social que a carreira lhe trazia era por ele explorado de forma quase obsessiva, procurando, por essa via, introduzir-se na vida mundana de Lisboa, forçando intimidades, recheando a agenda de novos conhecidos ditos importantes, que tentava tratar pelo nome próprio. Era um espetáculo (triste, diga-se) vê-lo entrar nos restaurantes onde, ao almoço, se juntavam políticos, empresários e figuras da sociedade. De mesa em mesa, saudava, mostrava-se e derretia-se se acaso alguém lhe acenava.
Um dia, um recém-entrado diplomata, manifestamente seduzido pela coreografia social desse colega mais antigo, fez notar isso a um velho embaixador, sublinhando o facto daquele colega conhecer "toda a gente"! O embaixador, homem com mundo que já tinha visto um pouco mais do que tudo, para além de ser um snobão de primeira, respondeu, cruel:
- Pois é! Ele, de facto, pode conhecer toda a gente. Só é pena que ninguém o conheça a ele...

Snobão será...mas eu seria capaz de fazer o mesmo comentário...
ResponderEliminar:-))
Dependia...
ResponderEliminarEmbora assim deslumbramento à primeira vista profissões em riste, só Enfermeiros...
cada um!
Isabel seixas
Eventualmente algum poeta...
(Obediente aos meus critérios de seriação)
Senhor Embaixador,
ResponderEliminar.
Bem nas minhas andanças nos meandros da diplomacia, deparei-me com deslumbramentos e vaidades. Um chefe de missão mandou-me organizar a pasta com a designação “Vaidades”.
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Um número dois que servi (falecido) de tanta vaidade que havia dentro dele obrigou a secretária do chefe de missão de o tratar por doutor em vez de mister.
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Só que a rapariga, licenciada, por uma universidade do país onde Portugal estava acreditado, não esteve pelos ajustes, entrou no gabinete do chefe de missão e despediu-se de imediato. Ao outro dia já não se apresentou ao serviço da embaixada.
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A herança das plumas e vaidades dos Capitães da Índia ficaram, dispersas, por cá.
Saudações de Banguecoque
José Martins
Tanta vaidade para, no fim, andarem a comer croquetes...
ResponderEliminar(piada)
O Post vem a propósito, pois cada vez há mais desses “deslumbrados”pelos corredores das Necessidades, agora a viveram os apertos próprios da Crise.
ResponderEliminarUma outra prática é a dos convites para jantares em casa dos tais “deslumbrados”, com “personalidades” diversas, de áreas variadas, sem esquecer os “relevantes” da Casa, na senda da tal “net-work”.
Uma das características dos “deslumbrados” é o sorriso afivelado para as circunstâncias, qual esgar de pacotilha.
É vê-los hoje em dia, saltitantes, naquela velha e respeitada Casa, cuja História os “deslumbrados” desconhecem, muito possivelmente. Têm outras preocupações. A de chegarem ao topo tão rápido quanto possível, não olhando a meios. Amizades e amigos são, para eles, meras conveniências. Já não mudam. São em parte o espelho da nossa sociedade actual.
“Adido de Embaixada”
Eu tenho ideia que conheço o melro...
ResponderEliminarCSC
Ai tem?
ResponderEliminarA.E
Sobre estas vaidades de pacotilha, só tenho uma coisa a dizer, é não dizer mesmo nada, pois tal gente em mim provoca náusea, asco, faz-me nojo.
ResponderEliminarGente que se coloca em bicos de pés para se fazer notar, francamente, comigo nem um café.
É tão bonito ser o outro, a reconhecer o mérito alheio.