quarta-feira, 1 de maio de 2013

Consenso

Agora que o "consenso" anda por aí como expressão retórica de uma atitude política que subliminarmente se insinua como diferente, vale a pena recordar, através de uma fotografia, o que foi o ilusório e fátuo consenso que, no 1º de maio de 1974, alguns julgaram possível entre quantos se haviam oposto à ditadura. 

Há 39 anos, o dia do trabalhador passou-se assim. Uma leitura atenta das expressões faciais das duas principais personagens presentes na imagem pode ajudar a explicar, se bem que apenas com a experiência que adquirimos a posteriori, a divergência de projetos que ditou toda a história subsequente da esquerda em Portugal. No ano seguinte, em 1975, Mário Soares seria impedido de entrar no estádio onde se comemorava a data, com Álvaro Cunhal a conseguir ser a figura central da festa, numa vitória pírrica, como iria ficar claro em novembro.

Precisamente porque se afastaram programaticamente dos comunistas, os socialistas passaram a ter vocação de governo, nas décadas seguintes. Para o PCP, nesse mesmo período, as trincheiras iriam ser a Constituição, a área sindical e algum poder autárquico, único setor onde pontualmente se encontrou com um certo PS.

Muita água passou, entretanto, sob as pontes. Bem mais recentemente, há dois anos, o voto comunista voltou a ser determinante para ajudar a derrubar um governo socialista e abrir caminho ao regresso ao poder de uma maioria de sinal bem oposto. Estas coisas pesam para sempre no historial das relações no seio da esquerda portuguesa. 

PCP e PS seguem assim caminhos diversos na vida política portuguesa. Até hoje e, presumo eu, até aos amanhãs que se podem vislumbrar. De algumas vozes, na área socialista, ouve-se às vezes a opinião de que, com um PCP diferente, seria possível um qualquer entendimento. Mas poderia o PCP ser diferente? Podia, mas não era a mesma coisa...

17 comentários:

Anónimo disse...

Só um comentário:

Hoje em Portugal devia ser o dia do desempregado (a) !


Alexandre

margarida disse...

Mais uma das idiossincrasias lusas, ainda haver manifestação comunista por aí.
E no Parlamento, ainda por cima.
É mais um sinal da nossa, digamos, romântica originalidade. E um exemplo das muitas razões porque continuamos como estamos.
Não há dúvida de que o Fado só podia nascer por cá. E permanecer.
O resto há-de sumir-se com o tempo. Como nós.

Anónimo disse...

O problema será dos partidos, será. E também dos homens, e mulheres, que neles militam. E também daqueles que não têm partido, cada vez mais maioritários. O problema é que a culpa, sendo de todos, não é de ninguém. E ninguém a quer, a culpa.
Mas que não se repita mais que a culpa é da troïka, ou da crise! Da crise é que não é, digo eu do alto da minha pequenez. Pela simples razão que produzimos muita riqueza. Produzimos em excesso e nem precisamos de toda a mão de obra disponivel que fica ao quase total abandono da sociedade.
José Barros

Anónimo disse...

E viu Vossa Excelência vir da área da social democracia a que o PS pertence (o PSD tem um nome que e apenas um erro de casting ou uma troca de mascaras) alguma alternativa seria e consistente ao domínio da economia e da política pela área financeira (alguma mafiosa ou branqueada) a que se tem vindo a assistir desde os anos 80 do século passado? Nao foi o vosso amigo Clinton e o vosso amigo Blair que deram gaz a maior desregulamentacao do sector financeiro, que nem a Sra. Thatcher ousou?

a) Jose Fontana

Anónimo disse...

De facto o 1º de Maio de 1974 foi memorável. Até eu, que nunca fui politizado, assisti à manifestação mas... todos pensavamos que um tempo novo iria começar. E assim chegámos a hoje, de desgosto em desgosto e não sei como.

Anónimo disse...

memorias de um ps desconhecido

rui mateus

resistir.info/portugal/contos_proibidos_rui_mateus.pdf









Anónimo disse...

cara margarida

continuamos como estamos em particular por causa da corrupcao, dos arranjinhos e da mentalidade tacanha.

os casos bps e afins nao sao culpa do pc, e estara enganada se pensar que o pc deixaria um relvas entrar no governo ou coisa parecida.

agora, defeitos? seguramente o pc ha de os ter.

permita-me dizer que o fado e a melancolia nao costumam resolver problemas.

bem haja










Anónimo disse...

*COMUNICADO*

Sairam os resultados da repetição da prova de cultura geral.

98% dos candidatos não sabiam quem era autora da frase "Amar, amar perdidamente".

Por esta e outras perguntas é peremptório, claro e inequívoco:

A reputação do MNE hoje CAIU NO LODAÇAL da putrefacção!

Já não é só nas promoções que o vosso "ministério" assemelha-se ao sub-humano. É também no acesso à profissão.

Os tachinhos continuam bem quentinhos. Já se sabe a esta hora quem vai ser promovido e quem nunca vai ser promovido. ESTÁ TUDO COMBINADO! Se têm dúvidas VEJAM OS PROCESSOS EM TRIBUNAL ou continuarão a lavar as mãos como Pilatos? Sujeira é o que é.

A diferença é que agora também passa-se a saber quem "entra" e quem "não entra".

Algum milagre deve ter acontecido para que os "44 felizes contemplados" de 2.000 e tal candidatos passassem.

Faça-se a Revolução!

Anónimo disse...

Independentemente de tudo o que os doutos comentadores já "postaram" fiquem com mais esta: Em Macau no princípio dos anos 80, o Dr. Carlos d'Assunção era o Presidente da Assembleia Legislativa do Território, e, o representante do CDS em Macau. Um dia, num jantar oficial fiquei na mesa ao lado da mesa do Dr. Assunção. O Senhor Ma Man-Kei, comerciante e homem muito rico com relações privilegiadas na comunidade pró-Pequim estava sentado em frente ao Senhor Dr. Assunção. O ambiente era descontraído e muito familiar com os filhos de ambos a se levantarem das mesas aonde estavam para grandes cumprimentos no meio da sala à mesa do Dr. Assunção. Disseram-me que as duas grandes figuras do Território eram "compadres" e muito íntimos. Com os chineses ser íntimo de casa é mais do que ser um "panguiau". Assim, estavam felizes e contentes, numa prosperidade que coabitava entre as duas correntes ideológicas. Como nos enganaram com estas "birras" de "comunistas" e de "socialistas" em Portugal continental... Séria, séria, a divisão entre socialistas e comunistas era nas Regiões Autónomas; Madeira, Açores. O resto ainda hoje é paisagem. O PSD não existe de verdade. O PS vai a caminho de ficar parecido. O PC faz de conta que conta. Do resto nem se fala. E, a democracia como fica?!

Eduardo Saraiva disse...

"Pesquei", estas oportunas palavras para colocar no Facebook.

Anónimo disse...

Caro Anónimo das 16:00,

Notável é também na lista dos 44 seleccionados apenas estarem duas mulheres.

A igualdade saída do 25 de Abril ficou um pouco arredada neste concurso e, como dos 44 apenas ficam 20, se "puxarem" um pouco mais pela pontaria ainda ficam 20 adidos do sexo masculino.

Isabel BP

Anónimo disse...

Ao post e comentários alguém diria:
OLHEM QUE NÃO! OLHEM QUE NÃO!
Mesmo tendo sido SIM...

Anónimo disse...

Consenso?

Nem com incenso do Bota-Fumeiro da Catedral de Santiago de Compostela e de todas as capelas...

Respeitosos cumprimentos.

Guilherme.

EGR disse...

Senhor Embaixador: assisti e participei,no Porto,ao primeiro 1º de Maio; ainda hoje, durante o dia, lembrei a multidão que desfilou na Av. da Liberdade e aquela especie de sonho colectivo que se apoderou de toda a gente.
Dele muito se desvaneceu muito se concretizou.
Evidentemente,que no dia 1 de Maio de 2013,sonhar é quase sinonimo de ser tonto pois o que nos oferecem como futuro é o que diariamente se ouve e lê.
Quanto ao PCP a verdade que, em termos objetivos, o PS sempre foi,e continua a ser, o inimigo principal.
Penso algumas vezes que o PC actua por um instinto de mera sobrevivencia receando que uma mudança de posicionamento o conduzisse ao mesmo destino de outros partidos comunistas europeus.
Que a conduta adoptada abra a porta a soluções politicas como aquela que temos pouco lhes importa.


Anónimo disse...

Isabel BP não comentei esse facto na minha postagem, mas sim não deixou de me surpreender o que disse. Já tinha visto esse facto mas, porque o art. 13º nº 2 CRP não permite (e bem!)qualquer diferenciação com base no sexo, faço o comentário seguinte: a paridade - também - parece que foi excluída do concurso.

A Revolução a que aludi não é necessariamente uma revolução sangrenta, mas uma revolução completa de mentalidades. Não afasto derrubar as estruturas do (Des-)estado actual de coisas, mas sem necessidade de sangue ou barbárie. Afinal a Revolução dos Cravos apesar de feita por militares não significou que tudo começou aos tiros nas ruas... Até lhes atiraram cravos porque perceberam os anseios da população portuguesa. É mais uma coisa deste estilo que defino por Revolução. Quanto aos que acham que Revolução implica sempre sangue, respondo que a ignorância não ilumina trevas...

Anónimo disse...

Alvaro Cunhal e Soares juntos na Praça Francisco Sá Carneiro.

N371111

Manuel Tomaz disse...

Parabéns pela sua postagem! O seu conteúdo dá que pensar. A certa altura fala do efeito do voto comunista, há dois anos. Pois é, e aí nós vimos o efeito. Eu não votei no PC, mas mais uma vez dá que pensar...