sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sem comentários

Extrato de artigo de hoje no "Libération", que vivamente recomendo:

"Já ninguém o contesta: a situação das finanças públicas da zona euro, incluindo a da Grécia, não justifica um pânico como o que se criou nos mercados financeiros, os quais, a partir de agora, apostam claramente na fragmentação da zona euro. De acordo com as nossas informações, que nos chegaram simultaneamente das autoridades do mercado e de estabelecimentos financeiros, um grande banco de investimentos americano e dois muito importantes "hedge funds" estariam claramente por detrás dos ataques contra a Grécia, Portugal e Espanha. Com que finalidade? Ganhar o máximo de dinheiro, criando um pânico que lhes permita exigir da Grécia taxas de juro cada vez mais elevadas, continuando a especular. Por que não citamos nomes? Porque se trata de um conjunto de perspectivas que um tribunal poderia julgar insuficientemente fundadas no caso de um processo. E como diz um operador de mercado: "Com essa gente não se brinca!"

Mais adiante, o artigo responde à pergunta: "Como atuam as agências de 'rating'?:

"Ei-las de novo a trabalhar. São três - Standard & Poor's, Moody's, as duas anglo-saxónicas, e Fitch, a francesa - e distribuem classificações pela terra inteira. O seu trabalho é avaliar a capacidade de quem pede empréstimos para reembolsar as suas dívidas. Nenhum produto financeiro escapa ao seu zelo: quer as obrigações emitidas pela Danone, quer os "produtos" criados pelo bancos, mas igualmente os fundos estatais - como será amanhã o caso do 'grande empréstimo' a instituir pela França. Uma boa nota, o AAA, e eis o investidor descansado. Uma má nota, B ou menos - cada agência tem o seu sistema - e logo as taxas de juro sobem e, com isso, a fatura final. E é com os seus alertas sobre as dívidas públicas que elas fazem tremer os Estados... Têm, no entanto, uma grande 'lata', comenta um operador, porque foram elas quem construiu a bomba dos 'subprime'".

6 comentários:

Anónimo disse...

Só novamente Pessoa para me fazer sair da perplexidade...

Tudo o que vemos
É outra cousa
A maré Negra
A maré vasta
É o eco de outra Maré
Onde é Real
O mundo
Que há.
Fernando Pessoa

Citado por
Isabel Seixas

Helena Sacadura Cabral disse...

Só pergunto se o discurso do senhor Almunia não terá sido encomendado. Sem comentários!

Helena Oneto disse...

O "Libération" denuncia muito bem a (i)responsabilidade das Agências de Rating citadas como origem da crise provocada pelas sub-primes, CDO(Collateralised Debt Obligation)e outros "structured debt derivatives" e de outras falências monumentais dos ultimos anos... E de lamentar que estes "monstros sagrados" continuem a dictar "la pluie et le bon temps" comandados por alguns "hedged funds" e outros investment banks. Isto quer dizer que o sistema não mudou no essencial nem na forma. B. Obama e N. Sarkozy (!!!) têm denunciado vigorosamente -incluindo no ultimo G 20- estes "desvios" e reclamam uma reforma profunda do sistema bancario. Aparentemente, não são ouvidos. Deste vez, o bode espiatorio da crise do € são os paises do sul da Europa (a Irlanda escapou por pouco...).

Nuno Sotto Mayor Ferrao disse...

É bem pertinente esta denúncia do "Libération" porque são repudiáveis estes esquemas de manipulação financeira dos mercados internacionais! Tanto mais sabendo que estas instituições financeiras estiveram por detrás da grande crise de 2008/2009 que abalou o mundo.

Importa regressar à ética pública e libertar a política da dependência das instituições financeiras, como o Dr. Mário Soares, e outros pensadores, nos têm vindo a recordar nos últimos anos. Como fazê-lo ? Não sei... Mas sem isso, a crise de valores morais que perpassa a comunidade internacional será cada vez mais profunda!

Temos de assumir a condição de verdadeiros cidadãos do mundo, face aos graves problemas ambientais e éticos do mundo em que vivemos, construindo verdadeiras forças supranacionais que não se deixem manietar pelas estratégias especulativas dos poderes financeiros, dando renovado poder à ONU, às ONG's e à opinião pública mundial!

Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

Anónimo disse...

Estes franceses sao romanticos e anti-americanos.O problema da Islandia tambem foi provocado pela Banca Americana.O autor do blog quer insinuar que nao ha crise de ma administracao e irresponsabili-dade socialista destes gover-nos.Quanto a UE,depois da festanca junto da Torre de Belem para glori-ficar o Tratado deLisboa ,era de esperar outra coisa?O Liberation tambem devia ler o NYT.Mas a crise portuguesa ainda foi protelada pelo Governador do BdP gracas ao ouro que Salazar acumulou e de que a CGD,este sorvedor de tachos,tem beneficiado.Meu caro Embaixador,o problema nao e dos bancos america-nos nem das agencias de nota-cao,sejamos honestos.O problema sao os governos:a ma moeda devera ser substituida por boa moeda!

Anónimo disse...

Na sequência do comentário do anônimo que me precedeu, da minha parte diria que pelo interesse que tinha aquela informação transmitida no Liberation e aqui divulgada neste Blogue, entendi reencaminha-la para um determinado número de amigos. Que, tanto quanto me disseram, alguns, foi bastante apreciada. Um Post que nos dá que pensar. Bastante. Nisto das crises há responsabilidades variadas e distribuídas por diversos “agentes”, dos governos ás circunstâncias (essas provocadas, muitas das vezes, por “pessoas colectivas” que, a médio e longo prazo, têm particular interesse numa determinada crise, para dela tirarem partido. E aqui, como não sou ingénio, não me repugna incluir duas “instituições” que dão pelo nome de “Banca Internacional” e “Especuladores Internacionais”, o que, aliás, não é novidade. Alguns anos atrás, sucedeu na Ásia. E fico-me por aqui).
P.Rufino