sábado, junho 27, 2009

Migrações

Numa excelente edição, a Afrontamento acaba de publicar "Migrações - Permanências e Diversidades", um volume coordenado por Beatriz Rocha-Trindade. Trata-se da recolha de intervenções feitas num seminário, onde, nomeadamente, podemos encontrar a caracterização das comunidades portuguesas no exterior e a presença estrangeira em Portugal.

Uma nota muito particular para o grande interesse que merece o capítulo "Portugueses em França (1980-2000). Uma comunidade integrada?", da autoria de Jorge Portugal Branco, um sociológo ao serviço da Embaixada portuguesa em França.

Gratidão

Contrariamente ao que se possa pensar, e por mera falta de tempo, não sou um frequentador assíduo da blogosfera, razão por que me escapam muitas coisas, mesmo algumas que se referem a este próprio blogue.

Assim, não me havia chegado a simpática inclusão do "Duas ou Três Coisas" nas listas de preferências avançadas pelo confrades "Criativemo-nos" e "Verde Côr de Alface". Muito obrigado a ambos pela distinção.

E, estando em maré de sinceros agradecimentos, aproveito para deixar aqui expressa uma idêntica palavra de gratidão, embora tardia, aos destaques feitos, já no passado, por Pedro Rolo Duarte, aqui, e por Jorge Ferreira, aqui. É bom ler o que escreveram.

Estas foram apenas algumas das notas amáveis que este blogue tem recebido e que alimentam a vontade de ir andando. Devo ter falhado outras, mas espero absolvição.

sexta-feira, junho 26, 2009

Circuitos

Num fim-de-semana, durante a reunião da UNCTAD, que teve lugar em Genebra no Verão de 1987, um grupo de delegados alugou um carro para um passeio fora da cidade. Íamos no caminho entre Genebra e Nyon, à borda do lago, quando a conversa derivou para o trajecto sinuoso da estrada em que rodávamos, através de localidades. Alguém referiu que certas partes do percurso eram mesmo bastante perigosas. Aí, um dos membros do grupo comentou: "E pensarmos nós que se faz aqui uma prova automobilística de tão grande importância...".

Nenhum dos outros comparsas de viagem fazia a menor ideia de que havia uma prova automobilística que passava por ali, pelo que pensámos que o nosso interlocutor se estaria a referir a algum rally. E, claro, pretendemos ser esclarecidos sobre o evento a que se referia.

O nosso homem - porque era um homem... - assumiu então um tom de connoisseur e, com ar de quem nos ia esmagar com a humilhante exposição do nosso tão óbvio desconhecimento, avançou: "Então vocês não sabem que passam por aqui as '24 horas de Le Mans'"?

Um ou dois segundos, para "digestão" mental da revelação, mediaram entre a frase e o coro de gargalhadas dos restantes viajantes. O lago à volta do qual passeávamos era o lago Léman, e o nosso interlocutor estava plenamente convencido que era nas estradas à volta desse lago que se disputavam as "24 horas de Le Mans". Ora Le Mans é uma localidade francesa a sudoeste de Paris...

Até ao final da viagem o nosso homem embatucou...

Há dias, ao passar por Le Mans, lembrei-me da história e também do facto de a Dra. Helena Sacadura Cabral, comentadora activa deste blogue, ter participado, pelo Banco de Portugal, nas reuniões preparatórias da delegação portuguesa àquela reunião da UNCTAD. Lembra-se?

Karzai

Só a peculiaridade da vida política do Afeganistão poderia dar origem ao título que o "International Herald Tribune" de hoje consagra ao artigo sobre as perspectivas em matéria de eleições naquele país: "Deeply unpopular, Karzai is likely to win".

Números

Esta bela imagem de números não ilude os que ontem a OCDE apresentou, relativos à (não) saída da crise, e que o sempre atento blogue Fio de Prumo nos refere aqui.

quinta-feira, junho 25, 2009

Música

Mais de uma centena de pessoas - algumas tiveram mesmo de ficar em pé - assistiram, na noite de ontem, ao terceiro espectáculo da série "Entre-pautas/entre-partitions", realizado no salão da Embaixada de Portugal em Paris.

Desta fez foi o som da guitarra de Paulo Vaz de Carvalho, que, durante uma hora, se passeou com arte por compositores do século XVII ao século XXI, com portugueses como Carlos Seixas, as gerações Paredes (Gonçalo, Artur e Carlos), Lopes-Graça e Jorge Peixinho, para além de Gaspar Sanz, Villa-Lobos e Leo Brouwer. Obrigado, Paulo, por esta excelente noite.

Vamos tentar que mais espectáculos regressem na "rentrée", sempre com intérpretes ou compositores portugueses.

Escolas


"O especialista canadiano em tecnologia Don Tapscott aponta Portugal como um exemplo a seguir na educação, elogiando o investimento em computadores individuais nas salas de aulas.

Num artigo de opinião publicado no blogue Huffington Post - onde já escreveu Barack Obama -, Tapscott dirige-se directamente ao presidente dos Estados Unidos da América: 'Quer resolver os problemas das escolas? Olhe para Portugal!'".

(Jornal "Público", 25.7.09)

quarta-feira, junho 24, 2009

Mollat

Confesso a minha perdição por livrarias, para quem ainda não tivesse desconfiado. Ontem, de manhã, regressei por breves minutos à livraria Mollat, no centro de Bordéus, uma das mais bem organizadas e profissionais que conheço. Onde me falaram de Mário Soares por lá ter passado, por mais de uma vez.

Como habitualmente faço, fui ver a estante de literatura portuguesa, traduzida em francês. Alguma óbvia: Eça, Saramago, Lobo Antunes, Pessoa e Agustina. Mas também Cardoso Pires, Torga, Ferreira de Castro, Carlos de Oliveira, Graça Moura e José Luís Peixoto, para além de antologias. Nada mais, o que é escasso, embora bem melhor do que em muitas livrarias em Paris.

Má surpresa na zona da nossa literatura publicada em português. Muito pouca coisa e a fantástica revelação de que tiveram de importar os nossos livros via Brasil (!), dada a falta de resposta e a excessiva demora (além de imprecisão nas encomendas) dos seus fornecedores possíveis em Portugal. E foi-me dito que existe uma real procura, a que não conseguem dar resposta, por virtude dessas limitações. Apenas incrível! A ver vamos se é possível à Embaixada intervir.

terça-feira, junho 23, 2009

Remodelação

A cena teve qualquer coisa de queirosiano. O último convidado a chegar, num jantar na noite de ontem em casa de amigos franceses, trouxe a lista, acabada de divulgar, da remodelação ministerial. O ambiente era algo diverso, com empresários, figuras da administração e alguns diplomatas. Todos se inclinaram com avidez sobre as notas do recém-chegado, com comentários sonoros apreciativos por parte dos franceses presentes. As senhoras, muito curiosamente, eram as mais "soltas", com os maridos, por dever institucional, a revelarem-se mais prudentes.

As deixas foram as imagináveis: "Então fulano subiu? Não era de esperar...". "Espanta-me que sicrano tenha sido reconduzido". "O que significará a mudança de beltrano?". "X acabou por ter o lugar que queria". Ou, mais honestos: "Não gosto nada de Y" ou "preferia que Z tivesse entrado".

À saída do jantar, já num ambiente de cumplicidade corporativa, sem franceses à escuta, os diplomatas abriam-se um pouco mais opinativamente entre si e avaliavam as escolhas, mentalmente preparando os telegramas com que, amanhã, irão dar a sua opinião às respectivas capitais sobre o como e o porquê do que aconteceu. Como o autor deste texto, claro.

VinExpo 2009

É de grande qualidade a presença portuguesa na VinExpo 2009, que esta semana decorre em Bordéus. Bastante mais de uma centena de produtores portugueses, de todo o tipo de vinhos, naquele que é o mais importante certame mundial da especialidade.

A crise terá afectado apenas marginalmente o número de presenças na feira, embora seja opinião unânime que está a provocar uma pressão global para a redução de preços, que apenas favorece os produtores de vinhos de menor qualidade. Isto será principalmente válido para os vinhos de mesa, mas os nossos Portos estarão também a ser afectados. De qualquer forma, o ambiente geral entre os nossos produtores era positivo e a qualidade dos nossos vinhos justifica a sua crescente procura em vários mercados. O que é uma boa notícia.

República francesa

A França é um país curioso. Embora com uma matriz republicana muito forte, conserva um fausto e alguma liturgia que são tributários óbvios da monarquia e do império. A V República é, manifestamente, o tempo político em que esses sinais mais se evidenciam. E, como não podia deixar de ser, é nos momentos em que não há coabitação política (maioria e presidente com diferentes lateralizações ideológicas) que isso se afirma com mais intensidade. Ontem, o presidente francês dirigiu-se ao Congresso, a figura constitucional que agrupa a Assembleia Nacional e o Senado. E, seguramente não por acaso, fê-lo no Palácio de Versalhes.

Durante muitos anos, alguns pensaram que a liturgia do modelo da V República era própria de chefes de Estado da área conservadora. Mitterrand provou que essa ideia era perfeitamente errada e demonstrou como a esquerda, quando no poder, vivia bem confortável com a grandeza e os dourados da vida palaciana francesa.

Bordéus

A primeira vez que passei por Bordéus foi há mais de quatro décadas, de mochila às costas, quando me deu na veneta atravessar a Europa "à boleia", da rotunda do Relógio (era então outro relógio, bem mais bonito) à Noruega. Recordo-me de uma cidade voltada "para dentro", ruas estreitas à moda mediterrânica, criando-me a imagem de uma certa França, de orgulhosa e burguesa província. Das restantes vezes que por lá passei, a imagem foi-se repetindo, até porque o progressivo declínio do porto não contribuiu, durante muito tempo, para uma renovação da economia e da paisagem da região e da cidade, não obstante terem tido como figura tutelar uma das mais interessantes e influentes personalidades da V República, Jacques Chaban-Delmas. Mas Bordéus parecia-me, de certa forma, ter parado no tempo.

O contraste entre a cidade de então e a Bordéus de hoje é imenso. E para isso muito contribuiu a recuperação da área junto ao rio Garonne, dando visibilidade a um conjunto magnífico de edifícios, então tapados pelo acesso ao feiíssimo porto. Uma obra, entre muitas outras, que a cidade fica a dever ao espírito reformador do actual "maire", e antigo Primeiro-ministro francês, Alain Juppé. Compete-nos encontrar maneira de estimular a geminação existente entre o Porto e Bordéus, que há anos anda "enguiçada". Ontem mesmo, Alain Juppé me garantiu o seu empenhamento pessoal em avançar bastante nesta área.

domingo, junho 21, 2009

Prix des Ambassadeurs

Há mais de 60 anos, foi criado em França o Prix des Ambassadeurs. Um júri, composto por um máximo de 20 embaixadores estrangeiros residentes em Paris, atribui anualmente um prémio a um autor de língua francesa, geralmente por um livro publicado nesse ano, sempre sobre um tema histórico ou histórico-político. Um grupo de membros da Academia Francesa faz um pré-selecção de um conjunto de títulos, submetidos depois, durante semanas, ao parecer dos diplomatas. A exemplo de antecessores meus, tive o prazer de ser cooptado para esse júri, pouco tempo após a minha chegada a Paris.

Depois de bastantes horas de leitura e algumas mais de deliberações, escolhemos, há dias, para o prémio deste ano, "La Fin - La République des Tourmentes", o volume que conclui a monumental obra de Georgette Elgey sobre a IV República - esse complexo período da História de França que vai desde o fim da II Guerra Mundial até à chegada ao poder do General de Gaulle, em 1958.

Festa da Música

Paris foi ontem a capital da música, como acontece no dia 21 de Junho de cada ano. Imensos eventos de acesso totalmente livre, de todos os géneros musicais, foram motivo para várias centenas de milhar de pessoas encherem as ruas da cidade, desde manhã até bem dentro da madrugada desta 2ª feira. É uma espécie de S. João do Porto em grande escala, que abrange todos os bairros e transforma a cidade num insólito festival de sons e danças. Outras cidades francesas tiveram também programas de animação idênticos, num total estimado de 18 mil concertos.

Nada de estranhar num país em que há 2,3 vezes mais músicos amadores do que futebolistas, com 800 mil alunos a frequentarem 3 mil escolas de música e 1,4 milhões de pessoas a serem membros de coros.

Que pena não termos esta animação em Portugal!

Bolos

Ao deparar hoje com esta imagem de Wayne-Thiebaud, num álbum de Pop Art, deu-me para pensar nesse tempo, já tão longínquo, em que Herman José ainda era Herman José. Para ver aqui.

sábado, junho 20, 2009

Chile

Um dia destes, o blogue vai ser acusado de ser mobilizado pelos obituários, mas a verdade é que as coisas da vida são suscitadas, muitas vezes, por quem dela sai. E as pessoas só morrem uma vez.

Ao ler a notícia da morte de Hortensia Allende, não pude deixar de recordar a primeira visita que fiz, em 2000, ao Palácio de la Moneda e a profunda emoção que senti ao percorrer aqueles corredores, por onde havia passado um vento de tragédia que iria afectar, por muitos anos, a vida do Chile. E que, à época, me marcou imenso.

José Miguel Insulza, ministro chileno do Interior, que me recebeu no Palácio, disse-me então que entendia bem o sentimento da nossa "generación de los claveles" perante o golpe chileno.

Voltei a encontrar Insulza, no ano seguinte, numa livraria, em Nova Iorque, poucas semanas depois do 11 de Setembro. Lembrou-me: "nosotros también tuvimos el nuestro 11 de septiembre". De facto: 28 anos antes, em 11 de Setembro de 1973, data do golpe de Pinochet e da morte de Salvador Allende. Uma tragédia não apaga a outra, mas, por uma qualquer razão, vale sempre a pena lembrá-las juntas.

Dîner en blanc

É uma tradição parisiense, com mais de 20 anos. Há dias reuniu mais de 8 mil pessoas. Numa convocatória boca-a-boca (mais recentemente, por SMS), os "happy few" informados deslocam-se, vestidos de obrigatório branco, numa noite pré-anunciada entre eles, para um local de Paris, que só é conhecido à última da hora, e fazem um piquenique, com bebidas e comida que cada um traz, em mesas portáteis, decoradas à moda que entendem, com o branco como regra. É uma manifestação "não autorizada", mas que nunca foi proibida. Este ano, teve lugar na Place da la Concorde. Elitista? Talvez, mas com muita graça. Coisas de Paris.

sexta-feira, junho 19, 2009

O "Lisboa"

Reconheço que se trata, talvez, de uma atitude muito geracional. Mas, tenho de confessar, a desaparição, já há quase duas décadas, do "Diário de Lisboa" acabou por ser, para mim, algo traumática, no saldo de memória da imprensa portuguesa em que fui criado. Por isso, a morte do seu antigo proprietário e director, António Ruella Ramos, agora ocorrida, associa-se a essa tristeza e convida aqui a uma nota sobre o jornal.

O vespertino lisboeta foi, durante as décadas da ditadura, uma referência diária na imprensa democrática portuguesa. Tentou sempre representar, ao lado do "República", um espaço para as vozes dissidentes, muito mais do que o equívoco "Diário Popular" (que me desculpem os amigos que por lá tive) e bem antes de "A Capital" - um jornal que resultou da saída , em 1968, de um grupo de jornalistas do "Lisboa". Uma anedota oposicionista espalhava então que os ardinas, pelas ruas de Lisboa, anunciavam assim os quatro jornais da tarde: "Lisboa / Capital / República / Popular!".

O "Lisboa" era um jornal diferente de todos os outros. Menos "popular" que o "Popular", menos "reviralhista" que o "República", menos "à la page" que "A Capital". Para nós, os fiéis, tinha códigos de leitura muito próprios, tinha entrelinhas que nos animavam as tardes nos cafés, funcionava como um repositório de esperança democrática. E tinha gente nova, que aí escrevia, com quem nos cruzávamos, depois da saída do jornal, na "Brasileira" ou no "Monte-Carlo".

Para mim, que "aderi" ao jornal aí por 1966, marcaram-me muito os tempos de "Mosca" (um suplemento humorístico dos sábados, que fez história), do DL Juvenil (suplemento literário para jovens, por onde passou quase tudo quanto "foi gente" na cultura portuguesa imediatamente posterior) e do seu destacável cultural (creio que às 4.ªs feiras, num tempo em que todos os vespertinos mantinham espaços idênticos). Comprar o "Lisboa" era um "vício": imaginem o que seria, nos dias que correm, esperar pelo jornal de ontem, a meio da tarde do dia seguinte! Pois era isso que nos acontecia, pela província onde passávamos férias, disputando com ardor os escassos exemplares vendáveis. Eram outros tempos! Melhores? Claro que não, apenas muito diferentes.

O "Lisboa" teve na redacção nomes da literatura como Sttau Monteiro, Cardoso Pires, Urbano Tavares Rodrigues, Carlos Eurico da Costa, Fernando Assis Pacheco ou José Saramago (fazia inicialmente traduções...). E jornalistas como Álvaro Salema, Norberto Lopes, Artur Portela, José Carlos de Vasconcelos, Veiga Pereira ou Manuel de Azevedo. E a pena ácida e certeira de Mário Castrim ou Pedro Alvim, entre tantos e tantos outros.

Recordo, em particular, os tempos eleitorais, em que aguardávamos o "Lisboa", com aquele "lettering" de título idêntico ao "Le Monde", com grande ansiedade, para ver o que a censura tinha "deixado passar". E, valha a verdade, também lembro os tempos de uma menos saudável ortodoxia, após o 25 de Abril, onde a antiga pluralidade se diluiu - e que terá contribuído, entre outros decisivos factores, para liquidar o jornal.

Mas hoje é tempo de saudar o saldo bem positivo do velho "Diário de Lisboa", na hora da saída de cena de Ruella Ramos, um homem de bem, uma grande figura da imprensa portuguesa, que manteve o seu jornal até onde lhe foi sustentável.

quinta-feira, junho 18, 2009

Frase

"Os iranianos devem, de facto, acender uma vela aos Estados Unidos, que começaram por os livrar do seu pior inimigo, Saddam Hussein, para depois lhes oferecerem de bandeja um Iraque shiita e acabarem por consagrar o seu papel de potência mundial".

Jean Daniel, no "Le Nouvel Observateur" desta semana

Obama

O presidente americano tem vindo a demonstrar, para surpresa de muitos, que a política de diálogo construtivo no quadro internacional, que havia anunciado durante a sua campanha, era... para levar a sério.

Na questão de Guantánamo, no Próximo Oriente, no Iraque, na atitude face ao mundo islâmico e quanto ao Irão, ninguém poderá dizer que o presidente Obama não está a cumprir o que prometeu. E sem arrogância, procurando perceber as razões dos outros, com uma contenção face a certas provocações que representa um registo quase inédito na política externa americana contemporânea.

Dentro dos Estados Unidos, há muitos sectores positivamente motivados com este comportamento, enquanto outros parecem, cada vez mais, aguardar por um desastre desta estratégia internacional, havendo já quem a apelide de uma "carterização" da acção externa - sabendo-se o que isso significa aos ouvidos de quem só sentiu o seu orgulho pós-Vietname resgatado pela agressividade reaganiana.

Porque o presidente Obama tem de manter internamente uma forte credibilidade para poder prosseguir com a sua ousada agenda reformista externa é que mais importante se torna que Estados com especiais responsabilidades à escala global - e, entre estes, em especial, a China e a Rússia - venham a perceber a importância de ajudarem a "nova América" a não se sentir tentada a subordinar-se à agenda da "velha América". É que esta última está já à espreita de algo que possa ser lido como uma humilhação de Washington ou uma qualquer crise grave que consiga imputar a uma suposta fragilização introduzida por Obama na defesa dos interesses americanos.

Feiras & vaidades

Há dois anos, quando publiquei “Antes que me Esqueça”, sugeriram-me que, na feira do livro seguinte, lá estivesse umas horas, num dia a defi...