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quarta-feira, agosto 28, 2013

Síria

Vai para aí uma "salgalhada" no que respeita à posição portuguesa, em face de uma possível intervenção militar no conflito na Síria, sem um mandato expresso do Conselho de Segurança. A cacofonia, em ambos os lados do nosso espetro político, não augura nada de bom. E de prestigiante. E é nestes momentos que um forte sentido de Estado se imporia.
 
Uma atitude portuguesa sobre esta matéria tem, antes de tudo, de deixar bem claro se Portugal - em todos os casos, não "à la carte" - defende a preeminência absoluta das instituições multilaterais, a que se comprometeu ao assinar a Carta das Nações Unidas.
 
Se assim não for, Portugal terá então de conceder que considera admissível, agora e no futuro, que algumas potências possam formar "coalitions of the willing", com vista à execução de certos tipos de ações militares fora das suas fronteiras, interpretando, à sua maneira, um direito internacional de ingerência, perante situações tidas como ultrapassando determinados limites. Note-se que a seleção de tais casos competirá livremente a essas mesmas potências, com maior ou menor respaldo do resto da comunidade internacional.
 
Se a resposta se inclinar para a segunda hipótese - o que, à partida, não excluo (fiz parte de um governo que apoiou uma ação militar no Kosovo) -, Portugal tem de estar preparado para ter de aceitar, um dia, uma eventual intervenção militar promovida pela Rússia ou pela China, eventualmente aliadas a outros Estados, num qualquer cenário geopolítico, que aquelas potências considerem que deve merecer idêntico tratamento, mesmo que para tal não haja um mandato do CSNU. É que uma coisa é por demais evidente: o ocidente não pode pretender ter o monopólio da justa indignação, por muito que lhe desagrade a leitura que Moscovo ou Pequim façam das coisas.
 
Conviria pensar bem nisto.   

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