Durante muitos anos, António Borges foi, para mim, a imagem do economista português que, em França, dirigira a prestigiosa escola de gestão INSEAD. Mais tarde, assisti à distância ao seu empenhamento na vida política, que manteve até hoje, num quadro de opções doutrinárias que sempre senti muito distantes das minhas. O que, definitivamente, não vem aqui para o caso.
Só vim a conhecê-lo pessoalmente há poucos anos, no âmbito de uma reunião da Fundação Champalimaud, em Paris. Durante este ano, coincidimos na administração de um grupo empresarial, circunstância em que nos sentávamos lado a lado. Fiz com ele uma longa viagem intercontinental, durante a qual falámos muito e nos fomos conhecendo melhor. A nossa última conversa teve lugar no final do passado mês de julho.
António Borges estava muito doente, como todos os que com ele trabalhavam podiam testemunhar. Isso notava-se de forma progressiva. E isso também tornava mais admirável, aos olhos dos seus interlocutores, a sua imensa coragem, o modo empenhado como continuou a dedicar-se às tarefas profissionais, a agudeza de espírito que revelava, o discurso impecavelmente articulado que desenvolvia. Não obstante a sua notória fragilidade física, nunca perdeu o sorriso. E até o humor.
Deixo uma palavra de respeito à memória de António Borges e sinceros sentimentos à sua Família.
