Há dois dias, a propósito de um artigo de José Cutileiro, falou-se neste blogue dos chamados "embaixadores políticos".
Historicamente, todas as carreiras diplomáticas começaram por ser providas por embaixadores que eram personalidades públicas designadas pelo chefe de Estado, oriundas da aristocracia ou de setores poderosos ou influentes da sociedade. Com o tempo, o serviço diplomático profissionalizou-se e os embaixadores passaram, em regra, a ser escolhidos dentre os diplomatas mais credenciados. Alguns países, porém, continuaram a manter a prática de designar, para a chefia de certos postos, figuras exteriores às respetivas carreiras diplomáticas. Em geral, algumas ditaduras e regimes mais ou menos autoritários abusam desta prática. Mas um país democrático como os EUA vai mais longe e coloca, com regularidade, na chefia de muitas das suas embaixadas, figuras ligadas ao financiamento das campanhas que estiveram na base da eleição do presidente. Bem assessoradas, claro está, por competentes profissionais da diplomacia...
Em Portugal, a República e a ditadura escolheram várias personalidades políticas e sociais para a chefia das principais missões diplomáticas, que, aliás, eram então muito poucas. Esta prática não viria a desaparecer com o 25 de abril. Com vários pretextos, diversos governos colocaram o seu pessoal político em algumas embaixadas. Desde a Revolução, a diplomacia portuguesa haveria de albergar cerca de trinta de "embaixadores políticos". A partir de finais de 2010, vive-se um tempo diferente: não existe nenhum "embaixador político" na diplomacia portuguesa. Até quando, não se sabe, porque nenhum governo foi capaz, até hoje, de excluir em definitivo essa prática, por via legislativa.
Historicamente, todas as carreiras diplomáticas começaram por ser providas por embaixadores que eram personalidades públicas designadas pelo chefe de Estado, oriundas da aristocracia ou de setores poderosos ou influentes da sociedade. Com o tempo, o serviço diplomático profissionalizou-se e os embaixadores passaram, em regra, a ser escolhidos dentre os diplomatas mais credenciados. Alguns países, porém, continuaram a manter a prática de designar, para a chefia de certos postos, figuras exteriores às respetivas carreiras diplomáticas. Em geral, algumas ditaduras e regimes mais ou menos autoritários abusam desta prática. Mas um país democrático como os EUA vai mais longe e coloca, com regularidade, na chefia de muitas das suas embaixadas, figuras ligadas ao financiamento das campanhas que estiveram na base da eleição do presidente. Bem assessoradas, claro está, por competentes profissionais da diplomacia...
Em Portugal, a República e a ditadura escolheram várias personalidades políticas e sociais para a chefia das principais missões diplomáticas, que, aliás, eram então muito poucas. Esta prática não viria a desaparecer com o 25 de abril. Com vários pretextos, diversos governos colocaram o seu pessoal político em algumas embaixadas. Desde a Revolução, a diplomacia portuguesa haveria de albergar cerca de trinta de "embaixadores políticos". A partir de finais de 2010, vive-se um tempo diferente: não existe nenhum "embaixador político" na diplomacia portuguesa. Até quando, não se sabe, porque nenhum governo foi capaz, até hoje, de excluir em definitivo essa prática, por via legislativa.
Como é compreensível, dentro da carreira diplomática profissional existe um profundo e (quase sempre) justificado sentimento contra a indigitação de figuras que, não tendo feito a tarimba da vida diplomática, não tendo subido por mérito, ao longo dos anos, os seus diversos escalões, surgem um dia, de "pára-quedas", num determinado posto, qualificados como "embaixadores", por uma simples decisão política, muitas vezes para acomodar uma figura pública sem função ou que apenas se pretende premiar. Imagine-se o que aconteceria se alguém aparecesse nomeado "general", vindo da vida civil, para chefiar uma Região militar...
Na nossa história democrática recente, alguns desses "embaixadores políticos" serviram num posto e, depois, saíram. Outros acabaram por rodar entre vários postos, usufruindo de uma legislação que lhes permitiu passar a integrar o quadro dos embaixadores profissionais de carreira. Com justiça e julgo que com alguma objetividade, há que dizer que muitas dessas figuras pouco trouxeram à carreira. Outras foram mesmo algo nocivas. Nesses casos, nós costumávamos dizer que, se era para selecionar incompetentes, tínhamos já por lá alguns, não era necessário ir procurá-los fora...
Mas houve sempre algumas boas exceções. A certos "embaixadores políticos", o consenso no Ministério dos Negócios estrangeiros acabou por reconhecer que aportaram um real valor acrescentado ao serviço diplomático. José Cutileiro, que anteontem citei aqui, foi, seguramente, um desses nomes. A sua excecional competência ficou bem provada e o seu trabalho foi muito útil ao serviço externo do Estado. Por isso, na carreira, sempre reconhecemos José Cutileiro, sem qualquer favor, como "one of us". Ele e muito poucos.
Em tempo: aqui deixo a lista dos 30 embaixadores “políticos" nomeados após o 25 de abril, não excluindo poder haver alguma falha, que corrigirei de bom grado:
Albertino Almeida (Maputo)
António Flores de Andrade (Lusaka)
Vitor Alves (itinerante para as comunidades portuguesas)
Manuel Bello (OCDE)
Manuel João da Palma Carlos (Havana)
Manuel Maria Carrilho (UNESCO)
Eugénio Anacoreta Correia (S. Tomé, Praia)
Francisco Ramos da Costa (Belgrado, Copenhague)
Victor Crespo (Unesco)
José Cutileiro (Conselho da Europa, Maputo, Pretória)
José Fernandes Fafe (Havana, México, Praia)
Raquel Ferreira (Estocolmo, Tóquio)
José Silveira Godinho (OCDE)
Henrique Granadeiro (OCDE)
Álvaro Guerra (Belgrado, Kinshasa, Nova Deli, Conselho da Europa, Estocolmo)
Basílio Horta (OCDE)
André Infante (Argel)
Ernani Lopes (CEE, Bona)
António Coimbra Martins (Paris)
Fernando Santos Martins (OCDE)
Pedro Pires de Miranda (itinerante para as questões de petróleo)
Mário Neves (Moscovo)
Maria de Lurdes Pintasilgo (UNESCO)
Vitor Cunha Rego (Madrid)
Eduardo Ferro Rodrigues (OCDE)
Walter Rosa (Paris, Caracas)
Pedro Roseta (OCDE)
José Augusto Seabra (UNESCO, Nova Deli, Bucareste, Buenos Aires)
José Veiga Simão (ONU)
José Manuel Galvão Teles (ONU)
Em tempo: aqui deixo a lista dos 30 embaixadores “políticos" nomeados após o 25 de abril, não excluindo poder haver alguma falha, que corrigirei de bom grado:
Albertino Almeida (Maputo)
António Flores de Andrade (Lusaka)
Vitor Alves (itinerante para as comunidades portuguesas)
Manuel Bello (OCDE)
Manuel João da Palma Carlos (Havana)
Manuel Maria Carrilho (UNESCO)
Eugénio Anacoreta Correia (S. Tomé, Praia)
Francisco Ramos da Costa (Belgrado, Copenhague)
Victor Crespo (Unesco)
José Cutileiro (Conselho da Europa, Maputo, Pretória)
José Fernandes Fafe (Havana, México, Praia)
Raquel Ferreira (Estocolmo, Tóquio)
José Silveira Godinho (OCDE)
Henrique Granadeiro (OCDE)
Álvaro Guerra (Belgrado, Kinshasa, Nova Deli, Conselho da Europa, Estocolmo)
Basílio Horta (OCDE)
André Infante (Argel)
Ernani Lopes (CEE, Bona)
António Coimbra Martins (Paris)
Fernando Santos Martins (OCDE)
Pedro Pires de Miranda (itinerante para as questões de petróleo)
Mário Neves (Moscovo)
Maria de Lurdes Pintasilgo (UNESCO)
Vitor Cunha Rego (Madrid)
Eduardo Ferro Rodrigues (OCDE)
Walter Rosa (Paris, Caracas)
Pedro Roseta (OCDE)
José Augusto Seabra (UNESCO, Nova Deli, Bucareste, Buenos Aires)
José Veiga Simão (ONU)
José Manuel Galvão Teles (ONU)